quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sebastião da Gama no Dia dos Monumentos e Sítios




No aprazível lugar do Portinho da Arrábida, entre-lugar bordado a serra e rio, realizou-se em 18 de Abril, uma sessão dinamizada pelo “Projeto Mundos em Diálogo” (Agrupamento de Escolas de Romeu Correia) e pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos e Parque Natural da Arrábida), em parceria com o Centro de Formação AlmaForma e a Associação Promotora do Emprego de Deficientes Visuais (APEDV). Este evento contou ainda com a participação da Associação Cultural Sebastião da Gama.
O acolhimento e entroncamento entre os participantes (representantes das instituições, poetas e escritores, fotógrafos, professores, pais, alunos da UNICA – Universidade Intergeracional do Concelho de Almada) ocorreu no Museu Oceanográfico da Arrábida sob o lema da celebração do Dia dos Monumentos e Sítios.
Para dar as boas-vindas, Pilar Miguel (ICNF - PPAFCC e RBMNM) partilhou um trabalho de sensibilização para o património da Arrábida, e Madalena Mendes, após uma breve contextualização do “Projeto Mundos em Diálogo” e apresentação dos oradores, convidou Manuel Herculano a partilhar o trabalho da Associação Cultural Sebastião da Gama.
Na sua preleção, o ilustre representante da ACSG, brindou-nos com a vasta e intensa obra de Sebastião da Gama, tendo enfatizado o efeito multiplicador da sua ação singular como poeta e como professor. Seguidamente, Victor Reis, escritor e fotógrafo, “ConVida Sebastião da Gama e Frei Agostinho da Cruz”, dando voz ao diálogo entre a Mata dos Medos e a Arrábida na voz dos seus poetas.
A leitura de poemas pelos palestrantes e pelos participantes ecoou pelos espaços outrora habitados pelo poeta Sebastião da Gama. Nas tonalidades da natureza, vimos desfilar a plenitude da dimensão humana e artística do poeta enamorado pela vida (v.g. as 700 cartas de amor que escreveu a Joana Luísa, sua mulher). Em simultâneo, Maria Paula Viegas (APEDV) construía a escultura da Anicha, com a colaboração de Filomena Costa e Ana Martins (APEDV), dando corpo e sentido(s) à sua interpretação da rocha paradigmática da Arrábida numa apoteose de Poesia (In)visual.
A participação e envolvimento de todos os palestrantes e participantes contribuíram significativamente para tornar ainda mais rico, dialógico e intertextual este dia de Comemoração do Dia dos Monumentos e Sítios.
Madalena Mendes (Coord. "Projeto Mundos em Diálogo")

Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama - Cerimónia de entrega e de apresentação da obra vencedora


A cerimónia de entrega da 14ª edição do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, que decorrerá em 27 de Abril, pelas 21h30, na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Azeitão, integrará a apresentação da obra vencedora, O silêncio solar das manhãs, de António Canteiro, editado pela Associação Cultural Sebastião da Gama, em parceria com as Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão (Azeitão). Serve de convite.

Dos associados - Alexandrina Pereira em poemas sobre a Arrábida - Convite


Um conjunto de poemas em louvor da Arrábida, com algumas traduções em castelhano, francês, inglês e alemão. Um canto de amor à paisagem, à serra, à poesia, com a Arrábida por fundo, no ano em que se efectuou a sua candidatura a património mundial. Em 27 de Abril, surgirá Arrábida, meu poema, meu amor, de Alexandrina Pereira, edição que mereceu o patrocínio das Câmaras Municipais de Setúbal, Palmela e Sesimbra, da Associação Cultural Sebastião da Gama, da Secil e do Finisterra Arrábida Film Festival.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama (XIV edição) - Convite para a cerimónia de entrega



A entrega do 14º Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama vai ocorrer em 27 de Abril, pelas 21h30, na sede da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Azeitão, em sessão com entrada livre, evento que terá a participação do Grupo de Teatro da SFPA com o espectáculo “Sebastião da Gama – Poemas sentidos, falados, cantados e dançados”.
A XIV edição do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama teve como vencedora a obra O silêncio solar das manhãs, apresentada por António Canteiro (sob o pseudónimo de Rosa Cravo), e foi escolhida de um conjunto de cerca de seis dezenas de obras apresentadas a concurso por um júri constituído por Arlindo Mota, João Reis Ribeiro e José-António Chocolate.
António Canteiro é o pseudónimo de João Carlos Costa da Cruz, que nasceu em 1964, em S. Caetano, Cantanhede. Vive actualmente em Febres, Cantanhede. Exerce a profissão de Técnico Superior de Reinserção Social, junto dos reclusos do Estabelecimento Prisional Regional de Aveiro. Desde jovem colabora com vários jornais e revistas. Coeditou o trabalho de investigação “Questões étnicas questões éticas”, na revista Em comunicação, da DGRS. Participou numa edição do Projeto Integrado de Intervenção Precoce de Coimbra, O papel da família e da educação na intervenção precoce  (Edição PIIP). Com o romance Parede de adobo recebeu a Menção de Honra do Prémio Literário Carlos de Oliveira, em 2005 (Edição CSPSC). Com Poesia da terra e da água obteve uma Menção Honrosa no Prémio de Poesia do Município da Murtosa, em 2009. Com o romance Ao redor dos muros venceu o Prémio Literário Alves Redol, em 2009. (Edição Gradiva). Com Mar de poesia obteve o 2º Prémio de Poesia do Município da Murtosa, em 2011. Com o romance Largo da Capella obteve a Menção de Honra do Prémio Literário João Gaspar Simões, em 2011.
Recorde-se que na lista dos vencedores das anteriores edições deste Prémio constam os nomes de Maria do Rosário Pedreira (1988), Hugo Santos (1989 e 1991), Nuno Figueiredo (1990), Maria Graciete Besse (1992), Graça Pires (1993), João Carlos Lopes Pereira (1995), Alberto Marques (1997), Firmino Mendes (1999), António Menano (2001), Amadeu Baptista (2007), José Carlos Barros (1990 e 2009) e Paulo Assim (2011).

sexta-feira, 19 de abril de 2013

"Pelo sonho é que vamos" em selo comemorativo dos 60 anos



  

No ano de 2013, passam 60 anos sobre a primeira edição da primeira obra póstuma de Sebastião da Gama, Pelo sonho é que vamos, que aconteceu em 1953. Recorrendo à possibilidade existente nos CTT do programa “o meu selo”, a Associação Cultural Sebastião da Gama promoveu uma edição de 100 selos sujeitos ao tema “Pelo sonho é que vamos – 60 anos da 1ª edição (1953-2013)”. 
O selo, autocolante, para circular em território nacional em envelopes até 20 gr, tem imagem que reproduz a capa da primeira edição da obra, com a indicação da efeméride.

Bento Passinhas em tributo a Sebastião da Gama


[No descerramento da lápide a assinalar a casa em que Sebastião da Gama nasceu, em Azeitão, levado a cabo em 10 de Abril por iniciativa da Associação Cultural Sebastião da Gama e da Junta de Freguesia de São Lourenço, Manuel Bento Passinhas, azeitonense, prestou tributo ao poeta seu conterrâneo no poema que aqui se reproduz.]

Bento Passinhas no momento em que lia o seu poema como tributo a Sebastião da Gama
(tendo, à sua direita, Pascale Lagneaux, da Junta de Freguesia de S. Lourenço, e, à sua esquerda, Celestina Neves,
da Junta de Freguesia de S. Lourenço, e João Reis Ribeiro, da Associação Cultural Sebastião da Gama)

Ao eterno Sebastião da Gama
Quando nesta casa nasceu
O mundo em nada mudou,
Mas Azeitão enriqueceu
Com este filho que abraçou.

Foi um filho para toda a vida
Que a Azeitão veio dar fama,
Para sempre vai ser conhecida
A terra de Sebastião da Gama.

Grande poeta, grande homem,
Para ele as crianças eram flores,
Neste nosso país em desordem,
Que falta nos fazem esses valores!

Pensou para além do que vivia,
Ensinou mais do que aprendeu,
A obra foi além do que se ouvia,
Da vida só a sua voz se perdeu.

Foram muitas as suas obras
Que se leram depois do adeus,
Muitos louvores apareceram
Dos filhos que não eram seus.

Curta foi a sua vida mas repleta,
Repleta de amor e sabedoria,
Tornou a sua Arrábida alfabeta
Com poemas que nela escrevia.

A Arrábida foi a sua princesa,
Foi a serra que ele protegeu,
Veio ao mundo na natureza
Quando nesta casa nasceu.

Bento Passinhas, 10-04-2013

"Pelo sonho é que vamos", 60 anos depois - Exposição no Museu Sebastião da Gama




Em 1 de Setembro de 1951, Sebastião da Gama estava na Arrábida e, como muitas vezes acontecia, lia poemas – andava a ler Mistral, o poema Mereia, de Frédéric Mistral. Interrompe a leitura e escreve uma carta ao seu amigo Cristovam Pavia, filho do poeta Francisco Bugalho, em que classifica a escrita de Mistral como «coisa deliciosa». Depois, fala-lhe num dos motivos da carta: «Hoje, de repente, acabara de ler um poema, fecho o livro e saiu ‘O sonho’. Não me parece muito bom. Mas é talvez nele que está o título do 4º livro: Pelo sonho é que vamos. Que te parece?»
Estava assim lançado o que seria o livro seguinte de Sebastião da Gama, obra que o autor já não chegou a ver, mas que Joana Luísa da Gama e um grupo de amigos prepararam para ser o primeiro volume da obra póstuma, logo surgido em 1953, no ano seguinte ao do falecimento de Sebastião da Gama.
A partir daí, o verso “Pelo sonho é que vamos” entrou na ideia e na linguagem, assumiu-se como a metáfora da esperança, da coragem e da vontade de correr riscos e universalizou-se, sendo uma frase recorrentemente pronunciada, em muitos contextos, quase nunca tendo nada a ver com literatura. Em 1976, tempo difícil na política portuguesa, houve mesmo um livro com um título revolucionário que se serviu do verso de Sebastião da Gama numa pequena (e ideologizada) adaptação de leitura – Pelo sonho não vamos lá (mas o povo fá-lo-á quando tomar o poder), de Martinho Marques (Lisboa: Semel).
São 27 os poemas que constituem Pelo sonho é que vamos, quase todos escritos no ano de 1951 (com excepção de dois, “Lá fora é que sim” e “Presépio”, que são do ano anterior). Nesta obra entra o último poema escrito por Sebastião da Gama – “Fé”, de 8 de Dezembro de 1951 – e constam alguns dos seus poemas mais conhecidos e antologiados em suporte livro, como “Anunciação” (Vasco Graça Moura, Jorge de Sena, António Lobo Xavier), “Largo Espírito Santo, 2 – 2º” (Vasco Graça Moura, Jorge de Sena, Jorge Reis-Sá, José Régio e Alberto de Serpa), “O sonho” (Inês Pupo e Carlos Godinho, além de constar em diversos manuais escolares), “Somos de barro” (Maria Alberta Menéres e E. M. de Melo e Castro) e “Presépio” (Luís Forjaz Trigueiros, Angel Crespo e António Salvado).
Sebastião da Gama ainda viu alguns dos textos deste livro publicados: “Crepuscular” (Horizonte. Évora: nº 3, Jul-Ago.1951), “Imagem” (Jornal de Sintra. Sintra: nº 938, 07.Janeiro.1952, pg 9), “Janelas de Estremoz” (Brados do Alentejo. Estremoz: nº 1023, 04.Fev.1951, pg. 11), “Largo do Espírito Santo, 2 – 2º” (Árvore. Lisboa: nº 1, Dezembro.1951, pp. 36-37), “Nosso é o mar” (Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 46, 05.Abr.1951, pg. 3), “Nunca o amor foi breve” (Jornal de Sintra. Sintra: nº 895, 18.Mar.1951, pg. 1), “O sonho” (O Distrito de Setúbal. Setúbal: nº 3, 17.Set.1951, pg. 8), “Poesia depois da chuva” (A Teixeira de Pascoaes – Homenagem da Academia de Coimbra pela Voz de Escritores Portugueses e Brasileiros. Coimbra: A.A.C., 1951, pg. 126) e “Sinal” (Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 52, 17.Mai.1951, pg. 9).
A quase totalidade dos poemas deste livro foi já objecto de gravação em suporte fonográfico: nos cd’s Pelo sonho é que vamos (Setúbal: Ruquisom, 2000) e Eu quero amar, amar… - 25 poemas de amor (Lisboa: Ovação, 2002), ambos ditos pelo actor Victor de Sousa; no cd Pelo sonho é que vamos (Azeitão: Associação Cultural Sebastião da Gama, 2012), musicados e interpretados pelo grupo “e-Vox”; no álbum Moby Dick (1991), pelo grupo “Moby Dick” (João Gil, Artur Costa e Alexandre Cortez).
A pintura debruçou-se também sobre a poesia que ressalta do verso “Pelo sonho é que vamos” a partir do momento em que dois pintores com intensa ligação a Setúbal, Eduardo Carqueijeiro e Nuno David, inseriram este verso no título de um quadro pintado conjuntamente em 2011 (em exibição no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão).
A obra Pelo sonho é que vamos foi a primeira obra de Sebastião da Gama a ser prefaciada por um estudioso que não fez parte das relações do poeta – Ruy Belo, a quem se deve o estudo de entrada para a segunda edição desta obra, datada de 1971, que considerou este como «o melhor livro» do poeta azeitonense, dizendo a dado passo: «bastam os poemas que temos diante para catalogar Sebastião da Gama como aquilo que fundamentalmente ele foi: um cantor da vida, das coisas belas da vida, dos sentimentos nobres, da pureza”.

Quando passam 60 anos sobre a primeira edição da obra Pelo sonho é que vamos, a Associação Cultural Sebastião da Gama e o Museu Sebastião da Gama decidiram promover a mostra facsimilada de alguns dos manuscritos que deram origem a este livro. Pena que não possa ser apresentada a versão original da totalidade da obra, mas, no espólio do poeta, não constam os manuscritos de todos os poemas, mesmo porque Sebastião da Gama prendava muitos dos seus amigos com manuscritos, tendo-se, por isso, perdido o rasto de alguns deles. Sessenta anos depois… continua a ser pelo sonho que vamos!
JRR, Abril de 2013

A exposição, com entrada livre, poderá ser vista no Museu Sebastião da Gama até 18 de Maio.

Sebastião da Gama evocado em 13 de Abril (II)


[Na evocação promovida para evocar Sebastião da Gama, realizada pelo Museu Sebastião da Gama na tarde de 13 de Abril, uma das intervenientes foi a sua aluna Acilda Fragoso, estremocense, de quem aqui se regista o testemunho que na altura apresentou.]

Acilda Fragoso no momento do seu testemunho, acompanhada por José Catalão (Câmara Municipal de Setúbal)
e por Maria Barroso (colega de Sebastião da Gama na Faculdade de Letras de Lisboa)

Sebastião da Gama foi uma lufada de dinamismo e alegria que quebrou a pasmaceira de Estremoz e a monotonia das nossas aulas. A maneira apaixonada como falava e o seu jeito expressivo e sincero incutiam-nos o gosto de o ouvir e aprender. Creio que o nosso professor estava-se nas tintas para os programas ou então chegava até eles por meios muito próprios, tentando sempre primeiro despertar-nos o interesse lendo um excerto de algum escritor ou um poema.
Não me esqueço do dia em que levou para a aula Os Simples do Guerra Junqueiro e nos Ieu a primeira parte do “Prelúdio — A Caminho". Ficámos todos siderados, presos na sua maneira de dizer, na maneira como Ieu toda a descrição da caminhada daquele "Senhor tão novo, de olhos cor de Esperança"... Aquele jovem era exactamente igual e como cada um de nós. Também nós queríamos dar a "volta mundo...", "prender monstros, combater serpentes..." Todos sonhávamos contribuir para um Mundo Melhor...
"Mundo negro", que o nosso professor conhecia e que sabia que só alguém, como ele, que tivesse ganho "da vida um pedaço de luz”, o poderia fazer "claro e luminoso e belo" como ele o via desde a sua "ilha”.
A leitura de "De volta” (a segunda parte do “Prelúdio”) sensibilizou-nos muito e aquela aula marcou-nos para sempre... Foi bem mais tarde que compreendemos inteiramente a lição que o professor nos quis dar...
Acreditámos que se ele tivesse escrito aquela segunda parte, teria sido bem menos triste do que aquela que o Guerra Junqueiro escreveu.
Mas a vida de Sebastião da Gama infelizmente não chegou ao segundo capítulo, acabou abruptamente em "PELO SONHO É QUE VAMOS".
Temos recordações da vida do nosso professor nesta altura em que ele vivia transbordando poesia e se passeava pelas ruas de Estremoz, cumprimentando todos, fazendo muitas vezes uma observação agradável, quer fossem a adultos ou a crianças que encontrava no seu caminho, e ninguém jamais o esquecia, mesmo os que só se tivessem cruzado com ele uma única vez.
Fazia amizades rapidamente e vinha-nos contar quem mais tinha conhecido, falando sempre muito alto, gritando mesmo por nós se nos via ao longe... Toda a rua ouvia o que nos tinha para contar. Depressa conquistou a amizade dos poetas da nossa terra. Tudo queria partilhar connosco e os seus alunos eram seus amigos também.
O “depois das aulas” era tão agradável… Era outra a aula. Por vezes, lia-nos uma das poesias que constam em Pelo sonho é que vamos.
Um dia, estava eu numa aula de Lavores e Bordados, e batem à porta: era o Dr. Sebastião, que, pedindo licença, foi entrando. A nossa Mestra, a Sr.a Da Joana Alves, foi logo ao seu encontro. Ele disse-lhe que vinha pedir-lhe para me ler um poema e que ela, se quisesse, também podia ouvir: era "Janelas de Estremoz"! Isto era impensável acontecer com outro professor que não fosse o Sebastião da Gama!... Ambas nos sentimos felizes, felizes por termos partilhado aquele momento com o Professor-Poeta, que nos leu, como só ele sabia, um poema talvez acabadinho de fazer.
Também a "Poesia depois da chuva” nos foi dita ainda bem fresquinha: tinha havido uma grande trovoada e chovido torrencialmente. O Poeta estava em frente ao Rossio, no “Águias d'Ouro” (o Rossio de Estremoz é maior que o de Lisboa, sem nada no meio e ainda não era calcetado, era de terra ou areia batida e ficava alagado, cheio de poças e regos de água, que pareciam espelhos reflectindo o Sol que espreitava depois da tempestade). A Maria Inácia passou cruzando a praça (que atravessávamos na diagonal para encurtar caminho). Era irmã do Armando Alves, que foi frequentar Belas Alves por sugestão de Sebastião da Gama, hoje reconhecido artista plástico). Talvez ela não saiba que é "a flor dos olhos negros" deste poema.
Era no corredor junto à janela, que fazia recanto, que um grupinho de três ou quatro ficava com ele à conversa e ouvia os seus poemas. Estes momentos eram únicos. Também ali nos leu "Nunca o amor foi breve”, inspirado no nascimento dum filho duma amiga, e "Anunciação”, quando pensou que o desejo de terem um filho se ia concretizar. Trazia consigo papelinhos com os últimos poemas para os ler aos amigos e dizia-nos o porquê de naquele momento ter surgido a poesia. Penso que o nosso Poeta-Professor gostava de ver o efeito que nos transmitia com a leitura dos seus poemas. Às vezes, dava-me os papelinhos, porque lhos pedia. Mas, lidos por ele, os poemas tinham outro sabor.
No dia em que fiz 17 anos, tal como muitas vezes acontecia, porque morava perto da escola, o nosso grupinho veio deixar-me à porta de casa. Já nos estávamos a despedir quando me entregou a minha prenda de anos: era um poema, vinha dentro duma capa feita pelo António Banha, um aluno que gostava de desenhar, com desenhos coloridos alusivos ao Natal e em letras muito grandes "Somos assim aos 17". Abri. Estava manuscrito e no topo dizia: “À Acilda, a 9 de Março em sinal de Amizade”. Não li mais nada, pedi-lhe para ser ele a ler. "Olha para ela! Ofereço-lhe um poema e ainda quer que lho leia!" e leu. Assinava “Sebastião Artur”. Mesmo que eu tivesse dúvidas da sua amizade, que não as tinha, aquele poema e aquela assinatura diziam tudo. Depois, entregou-me uma carta da sua Joana Luísa.
Durante toda a minha vida, no dia dos meus anos, não tive prendas que me emocionassem mais...
Podia ficar por aqui, mas tenho vontade de partilhar mais umas recordações.
Um dia, no jardim da nossa terra, passeávamos, ouvindo o professor, quando ele, de repente, parou, foi até junto dum canteiro, desfolhou uma rosa seca e disse-nos: "Desculpem, não posso ver rosas secas!" e continuou a conversa que tinha interrompido.
Eu era má em ortografia, chegava a escrever num exercício a mesma palavra duas vezes de maneira diferente e sempre errada. Numa das suas ausências maiores por motivos de saúde, trocámos correspondência. Em resposta a uma carta minha com alguns erros crassos, dizia: "...Olhe que eu com os que não se importam com a ortografia importo-me muito com a ortografia. Já vos falei, é certo, de uma deliciosa aluna minha que escreve erros enternecedores. Mas fora dos momentos líricos e dos erros adoráveis em certas criaturinhas... há o erro que é uma deformação e defeito físico da palavra. Palavra muito errada dói-me como pode um coxo doer-me, ou um vesgo ou um corcunda, entende?" E continuava a carta utilizando na sua prosa as mesmas palavras que eu tinha errado e sublinhando com dois riscos a sílaba errada. Nunca o ouvi dar um sermão a ninguém. O seu método resultava sempre.
Havia uma rapariga no Ciclo Preparatório que era muitíssimo gorda e os miúdos não perdiam oportunidade para a ridicularizarem. O professor apercebeu-se da situação e começou a falar dela, enaltecendo-lhe as qualidades, como era aplicada e sensível, etc. Foi o bastante para que acabassem aquelas brincadeiras de mau gosto.
Sempre que tinha que se ausentar para ir ao médico, pedia-nos para rezarmos por ele, para que o médico o deixasse casar. Só por estas ausências por motivos de saúde e por este pedido sabíamos que a doença teria alguma gravidade, porque a sua boa disposição a sua alegria o seu bem-estar com a vida não nos deixava antever um tal e tão rápido desfecho.
"Não morri porque cantei”. Não morreu porque amou, amou a vida, as pessoas, a natureza. Amava tão profundamente com tanta intensidade, que o seu amor se transformava em pura poesia que cantava nos seus poemas e espalhava ao seu redor. Pelos seus olhos tudo se transformava e era pelos seus olhos que nós, que nem nos tínhamos apercebido de que a poesia estava ali, a víamos também! E o Sebastião-Professor, o Sebastião-Poeta ficava feliz por nos ver maravilhados.
Para finalizar vou ler-vos o que uma aluna e nossa amiga, do Sr. Dr. Sebastião e minha, escreveu no dia da sua morte. Ela que me perdoe lá onde possa estar, porque não me deixou que desse a ler a ninguém o que escreveu, era uma introvertida mas de uma grande sensibilidade.
"...E o céu vibrou de alegria, os anjos cantam!... Em francês, como ele gostava… São Pedro abre os braços para receber a alma pura do poeta como só a sua. Música terna, suavíssima como a sua voz quando nos dizia versos, se ouve… E o céu vibrou de alegria!!!”

Sebastião da Gama evocado em 13 de Abril (I)



Os 60 anos da obra Pelo sonho é que vamos foram o pretexto para a celebração do aniversário de Sebastião da Gama neste 2013. A tarde de 13 de Abril (três dias depois da data de aniversário do poeta), no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, teve a inauguração de uma exposição sobre aquela obra, em que são mostrados manuscritos e facsimiles de manuscritos de vários poemas que a compõem [ver texto de apresentação noutro postal] e houve também espaço para memória e reflexão, trazida por amigos, colegas e alunos do poeta de Azeitão.

Acilda Fragoso (aluna de Sebastião da Gama), José Catalão (Câmara Municipal de Setúbal) e Maria Barroso
(colega de Sebastião da Gama na Faculdade de Letras)

Maria Barroso foi uma das presenças, que testemunhou os tempos da Faculdade de Letras, onde foi colega do autor de Pelo sonho é que vamos, e falou sobre a capacidade artística de que Sebastião da Gama era dotado. A finalizar a sua intervenção, Maria Barroso leu alguns dos poemas mais significativos do poeta da Arrábida, como “O sonho” e “O segredo é amar”.

Maria Barroso, na leitura de poemas de Sebastião da Gama

Acilda Fragoso, aluna de Sebastião da Gama em Estremoz, evocou o tempo da escola e a experiência que teve com este professor [ver texto que se reproduz noutro postal], trazendo também a leitura do poema “A uma rapariga”, que lhe foi dedicado pelo poeta quando ela completou 17 anos.

Manuel Xarepe, aluno de Sebastião da Gama

Manuel Xarepe, estremocense, foi aluno de Sebastião da Gama e recordou o tempo em que sentiu o fascínio por um professor diferente que o marcou e que marcou toda a sua geração, os seus colegas e até o ambiente que na altura era vivido em Estremoz e, emocionado, leu o poema “Largo do Espírito Santo, 2 – 2º”, que confessou ser um dos poemas da sua vida.
Esta actividade foi promovida pelo Museu Sebastião da Gama.

Sessão na tarde de 13 de Abril no Museu Sebastião da Gama

terça-feira, 16 de abril de 2013

No Dia dos Monumentos e Sítios, a Arrábida



A Arrábida é personagem do Dia dos Monumentos e Sítios, vestida pela paisagem e pela poesia da palavra e da cor. No Museu Oceanográfico, na tarde de 18 de Abril.

domingo, 14 de abril de 2013

Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2013 já tem vencedor: António Canteiro


António Canteiro é o vencedor da 14ª edição do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama com a obra O silêncio solar das manhãs.
Assinado pelo pseudónimo “Rosa Cravo”, este livro foi considerado pelo júri, em reunião havida ontem, como o merecedor do prémio, num conjunto de cerca de seis dezenas de trabalhos apresentados a concurso, em virtude da sua força de imagens, do domínio metafórico e da experiência de oficina que demonstra.
O prémio será entregue em cerimónia pública a decorrer em Azeitão, na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em 27 de Abril, altura em que será apresentada a primeira edição da obra.
António Canteiro é o pseudónimo de João Carlos Costa da Cruz (n. 1964), de Cantanhede, técnico superior de reinserção social, que já obteve diversos galardões literários e é autor de O Largo da Capella (2012) e de Ao redor dos muros (2010), tendo este último sido o vencedor do Prémio Alves Redol de 2009.

Recorde-se que o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama foi certame criado em 1988, em Azeitão, pelas Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão, e teve realização anual até 1993 (6ª edição). A partir daí, passou a ser um concurso bienal até à sua 10ª edição, tendo, depois sofrido interrupção. O certame foi retomado em 2007 (11ª edição).
O primeiro trabalho vencedor deste Prémio, em 1988, foi a obra Água das Pedras, assinado pelo pseudónimo Maria Helena Salgado, correspondendo à autora Maria do Rosário Pedreira, escritora e editora reconhecida. Este trabalho mereceu publicação no ano seguinte (Setúbal: Folha d’Hera). Outros vencedores das várias edições deste Prémio foram Hugo Santos (1989 e 1991), Maria Graciete Besse (1992), Graça Pires (1993), João Carlos Lopes Pereira (1995), Alberto Marques (1997), Firmino Mendes (1999), António Menano (2001), Amadeu Baptista (2007), José Carlos Barros (1990 e 2009) e Paulo Assim (2011).

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Nos 89 anos de Sebastião da Gama (II) - Sebastião da Gama e João Vaz unidos pela estética do mar



Uma palestra intitulada “O mar na pintura de João Vaz e na poesia de Sebastião da Gama” assinalou o 89º aniversário de nascimento do poeta Sebastião da Gama na Escola de que é patrono, em Setúbal, ao fim da tarde de ontem, orientada pelo professor António Galrinho.
A conferência pretendeu mostrar o trabalho da cor sobre a paisagem do mar devido ao pintor setubalense João Vaz (1859-1931) e o labor poético sobre o mesmo tema produzido pelo poeta azeitonense Sebastião da Gama (1924-1952), na sequência da escolha feita pela Escola para o tratamento do tema do mar no seu projecto para este ano lectivo.

Sobre as telas de João Vaz passaram cerca de duas dezenas de poemas de Sebastião da Gama, numa conjugação de cores e de versos que em muito contribuíram para a divulgação do sentido estético dos dois autores. Recorde-se que a Escola Secundária Sebastião da Gama tem o poeta como seu patrono desde 1987, mas, entre 1931 e 1948, esse lugar foi ocupado pelo nome de João Vaz, pintor do “Grupo do Leão”, contemporâneo de Bordalo Pinheiro e Malhoa, entre outros.




Nos 89 anos de Sebastião da Gama (I) - Lápide na casa em que o poeta nasceu



A casa onde Sebastião da Gama nasceu (na Rua José Augusto Coelho, 88, em Azeitão) está, a partir de ontem, dia do seu 89º aniversário, assinalada por uma lápide que regista esse mesmo acontecimento, iniciativa da Associação Cultural Sebastião da Gama e da Junta de Freguesia de São Lourenço (Azeitão). Na cerimónia de descerramento, estiveram presentes membros da Junta de Freguesia de São Lourenço, da Direcção da Associação Cultural Sebastião da Gama, do Museu Sebastião da Gama, familiares do poeta e alguns naturais da vila.
No dizer do Presidente da Associação Cultural Sebastião da Gama, este acto, “apesar da sua simplicidade, visou inscrever a memória de Sebastião da Gama no roteiro de Azeitão, divulgando o local do seu nascimento”.
Desde 1953 que na mesma rua existe uma inscrição sobre pedra, evocativa de Sebastião da Gama, ali colocada pelos naturais da vila em homenagem ao poeta aquando do primeiro aniversário do seu falecimento. No entanto, o edifício onde está essa inscrição não foi o local de nascimento do autor de Serra-Mãe, mas o sítio onde a família passou a residir quando Sebastião da Gama já tinha 6 meses.
Em São Lourenço (Azeitão), na Praça da República, existe ainda um monumento ao poeta e professor, inaugurado em 2007, construção também devida a iniciativa da Associação Cultural Sebastião da Gama, e, no Portinho da Arrábida, um monumento memorial, erigido por uma comissão de antigos alunos de Sebastião da Gama, em 1987.

Celestina Neves (Presidente da Junta de Freguesia de S. Lourenço - Azeitão) e João Reis Ribeiro (Presidente da Direcção da Associação Cultural Sebastião da Gama) no momento do descerramento da lápide

Alexandre Cardoso, Manuel Varela, Pascale Lagneaux, Bento Passinhas, Celestina Neves, João Reis Ribeiro, Padre Luís Ferreira, Nicolau da Claudina, António Cunha Bento e Rui Peixoto

terça-feira, 9 de abril de 2013

Na apresentação pública de "Estala de saudade o coração", de Joana Luísa da Gama - II

Intervenção do Presidente da Direcção da ACSG
na apresentação pública da obra


Muitos saberão a história de Joana Luísa da Gama muito melhor do que eu e, por isso, não tenho o direito de aqui a contar. Cabe-me, porém, assinalar o fascínio que sobre mim sempre exerceu a figura e a personalidade de Joana Luísa a partir do momento em que, por necessidade minha, primeiro, e por contingências várias, depois, nos fomos encontrando ao longo destas duas décadas.
Desde que lhe bati à porta, em data que não posso precisar, mas seguramente já depois de 1992, sempre o seu sorriso e a sua disponibilidade se me mostraram, assim como sempre o motivo foi a obra de Sebastião da Gama: por vezes, para ler, outras vezes, para investigar; outras ainda, para saber circunstâncias; de outras, para me satisfazer dúvidas; em variadas vezes, para irmos falar sobre o poeta a escolas; em todas essas vezes, para aprender.
Ao longo destes tempos, sempre a Joana Luísa contou Sebastião da Gama, revelando-o na sua simplicidade e no seu valor; sempre mostrou algo de novo e de poético de um trajecto que foi, ele próprio, um poema. Aquilo que Joana Luísa me deu em termos de conhecimento do Sebastião foi muito. Mais: percebi que essa sempre foi a sua atitude com quem se lhe aproximasse para saber sobre o poeta que foi o seu amigo e o seu marido; percebi que, de alguma maneira, foi a Joana Luísa que o perpetuou, que continuou a sua obra, divulgando-a, contando, corrigindo, preservando a memória.
Poderia a obra deste poeta azeitonense ter-se ficado por pouco, reduzir-se aos três títulos que o próprio Sebastião publicou – Serra Mãe, Cabo da boa esperança e Campo aberto – e a mais uns quantos textos dispersos por jornais e por livros de curso. Podia, de facto. Mas o destino encarregou-se de continuar a dar a conhecer a obra do poeta.
O destino e Joana Luísa. Pois. Mantendo o círculo de amigos de Sebastião da Gama, Joana Luísa foi deixando que a obra do marido viesse a público, foi incentivando que a obra tivesse conhecimento alargado e que, postumamente, o nome de Sebastião da Gama alcançasse os contornos que hoje tem. Trabalho de Joana Luísa, com a concordância de Sérgio Gama, seu cunhado e irmão mais velho de Sebastião, sob a orientação e as leituras de amigos como David Mourão-Ferreira, Maria de Lourdes Belchior, Lindley Cintra, Matilde Rosa Araújo, Couto Viana e Luís Amaro, quase todos eles já desaparecidos, mas que é justo evocar.
Não tivesse sido a dedicação e persistência de Joana Luísa e os leitores de hoje não conheceriam a maior parte da obra de Sebastião da Gama – do Diário, dos poemas, das cartas.
A memória que Joana Luísa conservou de Sebastião da Gama tem sido primordial para a reconstituição da sua biografia e da sua leitura. Além de ter contribuído para a divulgação da obra do poeta, conforme já acima referi, Joana Luísa foi traçando a cartografia de Sebastião da Gama numa série de testemunhos que continuam a ser actos de amor, sempre presentes em todas as sessões alusivas ao poeta que fossem do seu conhecimento, sempre com palavras de revelação a tornar a memória uma coisa viva, com uma frescura de sentir e uma vivacidade própria, cativando públicos, partilhando saberes, revelando Sebastião da Gama, dando continuidade à sua curta vida!
Foi por tudo isto que, há cerca de um ano e meio, lhe propus que a Associação Cultural Sebastião da Gama publicasse o conjunto dos seus textos, criados pelo prazer de relembrar ou para as circunstâncias para que sempre a convidaram, por serem um manancial de memórias, um testemunho importante para a leitura de Sebastião da Gama, um repositório que havia a obrigação de divulgar sob pena de poder cair no esquecimento, associando a essa marca ainda algumas memórias de Azeitão e das suas gentes, de tempos que já não voltam, e também uns poemas da juventude que terão servido, muitas vezes, para um cartear sensível de Joana Luísa com Sebastião da Gama.
Recordo a alegria da sua resposta e do seu consentimento. E, a partir daí, foi um trabalho repartido pela Ana Gonzaga Vieitos e pela Maria João Gonzaga Lourenço, sobrinhas, que deram letra de imprensa aos escritos de Joana Luísa e comigo partilharam a responsabilidade de esta obra chegar aqui hoje.
Seria uma pena que o leitor não tivesse acesso a estas memórias, pois elas ajudam a compreender o que foi a vida de Joana Luísa no sentido de pugnar pela vida que as palavras de Sebastião da Gama construíam, mostram os tempos e as suas diversidades, revelam histórias que completam o “puzzle” da poesia, num percurso em que a capacidade narrativa e descritiva nos confrontam com a primeira leitura dos poemas, mesmo com o seu momento de construção, num ritmo em que nos é dado conviver e entrar nos momentos que Joana Luísa partilha com o leitor.
Para a Associação Cultural Sebastião da Gama, a quem Joana Luísa nunca fechou portas, é um gosto poder dar a conhecer ao público estes fragmentos de vida em jeito de memórias, mesmo porque sentimos tal gesto como uma obrigação, não só de homenagem, mas também de partilha. Aqui fica, pois, mais um contributo para a memória de Azeitão e de Sebastião da Gama, albergado sob um título pedido emprestado a um verso de um poema de Joana Luísa da Gama, a que se acrescentou, “em jeito de posfácio”, um texto de Vladimiro Nunes, jornalista que colaborou com o semanário Sol e que, num encontro de uma tarde, captou a história de Joana Luísa com a sensibilidade de quem sabe ouvir o outro e contar-lhe a história, um bom retrato da autora destas memórias, que aqui ficam com uma flor de poesia. Com a nossa gratidão por este itinerário também feito pela poesia fora! Com o afecto devido pelas coisas reveladas!
Oxalá este Estala de saudade o coração (Lembranças de Sebastião da Gama e de Azeitão) possa constituir uma entrada e um conhecimento do mundo que Joana Luísa e Sebastião da Gama sonharam e, pela escrita e pela memória, construíram.
Muito obrigado!

Na apresentação pública de "Estala de saudade o coração", de Joana Luísa da Gama - I


A tarde de sábado foi preenchida com a apresentação do livro de memórias de Joana Luísa da Gama, Estala de saudade o coração (Lembranças de Sebastião da Gama e de Azeitão), reunindo testemunhos que a autora deu ao longo dos tempos a propósito do poeta, seu marido, e da terra onde nasceu, além de revelar um conjunto de poesias que Joana Luísa produziu na sua juventude.
A obra, editada pela nossa Associação, foi apresentada publicamente na sede da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Azeitão.
Aqui ficam vários momentos do evento.

Vista parcial do público presente na sessão

Joana Luísa da Gama, Maria Barroso e Acilda Fragoso

Joana Luísa da Gama e Vanda Rocha (do Museu Sebastião da Gama)

Joana Luísa da Gama e Luís Gonzaga Machado (Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ACSG)

Mesa que presidiu à sessão: Vladimiro Nunes (jornalista), João Reis Ribeiro (Presidente da Direcção da ACSG) e Carlos Mendes Zacarias (Vice-Presidente da Direcção da ACSG)

Grupo Coral da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, que interveio interpretando quatro números: "Trai-trai" (popular minhoto), "Acordai" (letra de José Gomes Ferreira e música de Fernando Lopes Graça), "Oração de todas as horas" (letra de Sebastião da Gama e música de Luís Gonzaga Machado) e "As ilhas de bruma" (música de M. M. Ferreira)

António Cunha Bento (da Direcção da ACSG), na entrega dos livros

Joana Luísa da Gama e familiares

terça-feira, 2 de abril de 2013

Celebrar Sebastião da Gama em Abril


Sebastião da Gama - 89º Aniversário

6 de Abril (Sábado)
17h00 – Apresentação pública do livro Estala de saudade o coração (Lembranças de Sebastião da Gama e de Azeitão), de Joana Luísa da Gama, na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, com a colaboração do Coral da SFPA – iniciativa da Associação Cultural Sebastião da Gama e da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense. Entrada livre.

10 de Abril (Quarta-feira)
17h00 – Descerramento de lápide evocativa na casa onde Sebastião da Gama nasceu (Rua José Augusto Coelho, 88, em Azeitão) – iniciativa da Associação Cultural Sebastião da Gama e da Junta de Freguesia de S. Lourenço.

18h30 – Palestra "O mar na pintura de João Vaz e na poesia de Sebastião da Gama", pelo professor António Galrinho, no auditório da Escola Secundária Sebastião da Gama, com entrada livre.
  
13 de Abril (Sábado)
17h00 – Inauguração da exposição “Pelo Sonho é que Vamos – 60 anos”, pela Associação Cultural Sebastião da Gama, apresentando manuscritos de alguns  poemas desta obra literária, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão. Patente até 18 de Maio.

17h30 – Sessão com a Dr.ª Maria Barroso (colega de Faculdade e amiga de Sebastião da Gama) e Acilda Fragoso (aluna de Sebastião da Gama em Estremoz), no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, evocando “Pelo sonho é que vamos”.

17 de Abril (Quarta-feira)
17h00 – Palestra "A Pedagogia de Sebastião da Gama", pela professora  Carla Cibele, com o testemunho dos alunos Sebastião da Gama (da Escola Veiga Beirão) Gabriel Fernandes, Ludovico Cândido, António Romão e Augusto Fernandes, no auditório da Escola Secundária Sebastião da Gama, em colaboração com a Câmara Municipal de Setúbal / Museu Sebastião da Gama – entrada livre.

27 de Abril (Sábado)
21h30 – Entrega do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Azeitão – iniciativa das Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão, em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e com a Associação Cultural Sebastião da Gama. Entrada livre.

8 de Maio
Estreia da peça "Portugal e o Mar – Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce", pelo grupo de teatro da Escola Secundária Sebastião da Gama "Metáforas", em que serão declamados poemas de Sebastião da Gama, Camões, Fernando Pessoa, entre outros poetas portugueses, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal. 1ª sessão às 15h30m dirigida ao público escolar pelo valor de 2€. 2ª sessão às 21h aberta ao público, com valor de entrada de 3€. Conta com momentos musicais pelo Coral Luísa Todi, dança e fado. Tem a duração de 3 horas com 3 intervalos. Iniciativa referente à comemoração dos 58 anos do aniversário do edifício onde actualmente funciona o Escola.

Pelo sonho é que vamos na filatelia
Ao longo de Abril, a Associação Cultural Sebastião da Gama promoverá a edição de um selo de correio (programa “omeuselo”) sujeito ao tema “Pelo sonho é que vamos – 60 anos da 1ª edição (1953-2013)”, numa tiragem de 100 exemplares.