terça-feira, 27 de abril de 2010

Arrábida a Património Mundial - Parceiros envolvidos

O Setubalense: 26.Abril.2010

Arrábida a Património Mundial - 1ª reunião da Comissão de Acompanhamento

Realizou-se, em 23 de Abril, nas instalações do Convento da Arrábida, a primeira reunião da Comissão de Acompanhamento a esta candidatura. Entre as 32 entidades convidadas esteve também presente a nossa Associação Cultural Sebastião da Gama.

Do programa podemos salientar, desde já, as palavras de boas-vindas, proferidas, em nome da Comissão Executiva, pelo Senhor Governador Civil de Setúbal, a que se seguiu a apresentação dos critérios, valores e área a candidatar. Trata-se de uma candidatura mista - PATRIMÓNIO NATURAL E CULTURAL - com a denominação do BEM a candidatar: ARRÁBIDA.

Este BEM, que envolve os concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra, inclui toda a cordilheira da Arrábida, que vai desde o morro do Castelo de Palmela até à Plataforma do Cabo Espichel, bem como ao Parque Marinho Luiz Saldanha. Em síntese, os critérios segundo os quais a inscrição é proposta são:

a) NO PATRIMÓNIO NATURAL, por: «representar fenómenos naturais ou áreas de uma beleza natural e importância estética excepcionais»; «serem exemplos excepcionais representativos dos grandes estádios da história da Terra, incluindo o testemunho da vida, de processos geológicos em curso no desenvolvimento das formas terrestres ou de elementos geomórficos e fisiográficos de grande significado»; «serem exemplos excepcionais representativos de processos ecológicos e biológicos em curso na evolução e no desenvolvimento de ecossistemas e de comunidades de plantas e de animais terrestres, aquáticos, costeiros e marinhos»; «conter habitats naturais mais representativos e mais importantes para a conservação IN SITU da diversidade biológica, incluindo aqueles onde sobrevivem espécies ameaçadas que tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da ciência ou da conservação».

b) NO PATRIMÓNIO CULTURAL, por: «ser um exemplo excepcional de um tipo de construção de um conjunto arquitectónico, tecnológico e até de uma paisagem, ilustrando um ou vários períodos significativos da história humana».

c) NO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL, por: «estar directa ou materialmente associado a acontecimentos ou tradições vivas, a ideias, a crenças, ou a obras artísticas e literárias com um significado universal excepcional».

Na impossibilidade de desenvolver, aqui e agora, apresentando, inclusive, exemplos e testemunhos justificativos de todos estes critérios, trabalho longo e de muitas páginas, diremos, em breve resumo, que a ARRÁBIDA se revela assim numa unidade orgânica, interdependente, em que o património natural e cultural, material e imaterial, se encontram indissoluvelmente ligados.

A terminar os trabalhos, na parte da manhã, houve a assinatura de protocolos e uma breve conferência de imprensa. Os cinco protocolos de colaboração foram assinados entre a Associação de Municípios da Região de Setubal e as seguintes entidades: Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa; Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa; Federação Portuguesa de Espeleologia; Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e Assembleia Distrital de Seúbal.

Tal como foi afirmado pelo Presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal, no final da cerimónia, trata-se de uma incontornável colaboração, de grande relevância, tendo em vista a elaboração do processo de candidatura da Arrábida a Património Mundial.

Da parte da tarde, após uma breve visita guiada ao Convento da Arrábida, seguiu-se a alínea do programa - OFICINAS - que incluiu dois grupos de trabalho: PATRIMÓNIO NATURAL e PATRIMÓNIO CULTURAL. Foram identificados os pontos fortes e fracos, bem como oportunidades e ameaças nesta Candidatura.

A Associação Cultural Sebastião da Gama esteve representada e deu o seu modesto contributo, como é lógico, no grupo de trabalho sobre PATRIMÓNIO CULTURAL. É que, independentemente de outros e valiosos contributos culturais, o nosso patrono Sebastião da Gama por alguma razão foi referido no decorrer dos trabalhos desta reunião da Comissão de Acompanhamento da ARRÁBIDA a Património Mundial.

Os trabalhos para a solidificação desta Candidatura prosseguirão com um FORUM já no próximo dia 27 de Maio.

Manuel Herculano Silva

domingo, 25 de abril de 2010

Memórias e testemunhos (3) - Sebastião da Gama segundo Joana Luísa

Adelaide Coelho. "O poeta da Arrábida, segundo Joana da Gama".
Sem Mais Jornal. Setúbal: nº 611, 24.Abril.2010, pg. 9

sábado, 24 de abril de 2010

A propósito da apresentação do "Diário" em Itália

A editora Sette Città reproduz no seu site a seguinte informação a propósito da obra Frammenti di Diário, tradução italiana de excertos do Diário de Sebastião da Gama a cargo de Maria Antonietta Rossi:
«Questo volume presenta al lettore, attraverso un’edizione critico-genetica condotta sul manoscritto autografo, le parti più interessanti dal punto di vista didattico e linguistico del Diário di tirocinio del poeta Sebastião da Gama: raccolta di appunti in cui l’autore racconta la propria esperienza di insegnante di portoghese presso l’istituto commerciale “Veiga Beirão” di Lisbona fra il 1949 e il 1950.
Sebastião da Gama imposta la sua pratica di insegnamento seguendo le teorie del pedagogo italiano Giuseppe Lombardo Radice (1879-1938), del quale il poeta lusitano consulta e apprezza la traduzione in spagnolo del testo Lezioni di didattica e ricordi di esperienza magistrale. Intento di questo volume è anche quello di presentare una versione nella nostra lingua dei testi selezionati del Diário al fine di divulgare le innovative strategie didattiche che Sebastião da Gama sperimenta durante la sua attività di tirocinio.»
Insisto no final: “textos seleccionados do Diário a fim de divulgar a estratégias didácticas inovadoras que Sebastião da Gama experimentou durante a sua actividade de estágio”. A observação serve para valorizar o Diário, é certo, e para chamar a atenção sobre ele, sobre a necessidade de o ler e de o levar para a escola e para a sociedade.
Esta tradução foi apresentada publicamente em 13 de Abril, em Viterbo. A agência LUSA produziu notícia a propósito. Quantos órgãos de comunicação em Portugal falaram do evento? Quantos? Tirando os regionais – de Setúbal – nada me consta. Nem sequer na chamada imprensa cultural, imagine-se!, sempre tão atenta ao que vem de fora!... Chegasse cá um pedagogo qualquer a dizer umas coisas vestidas de novo, oriundo de um desses países que a gente anda sempre a tentar imitar e encheria primeiras páginas e daria entrevistas e seria apontado como modelo… Lamentável!
Se não é de propósito que este silêncio acontece – e acredito que não seja, porque não há nenhuma razão para isso –, é por coisa bem pior: uma cultura de imitação e de desvalorização da nossa identidade! - JRR

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sebastião da Gama no Montijo

Ontem, levei Sebastião da Gama até ao Montijo, a alunos da Escola Secundária Jorge Peixinho. O convite fora formulado pela Fátima Nazário, amiga e professora naquela escola; a ida serviu ainda o propósito de reencontrar amigos que já não via há anos, como foram os casos do José Evangelista, Director da escola, e do Flamino Viola, que iniciou a gestão da Escola Básica de 2º e 3º Ciclos de Pegões.
Mas fui, então, apresentar “Sebastião da Gama – Meu caminho é por mim fora” a alunos do 7º e 9º anos e a alguns alunos de um CEF, comunicação integrada na Semana das Línguas que está a decorrer na escola. Foi sobretudo um caminhar pela obra do poeta da Arrábida e também pela sua vida, tanto mais que há ligações do seu percurso com o Montijo – o pai, Sebastião Leal da Gama Júnior, ali nasceu no longínquo 1893 e alguma da participação jornalística de Sebastião da Gama passou por dois importantes periódicos montijenses – o Gazeta do Sul (entre 1940 e 1943) e A Província (em 1949). Esta ligação serviu, aliás, para um dos alunos presentes vir confidenciar, no final, com a Joana Luísa (esposa de Sebastião da Gama, que me acompanhou nesta saída) que seu avô colaborara também no Gazeta do Sul como poeta…
Julgo que a sessão agradou, a avaliar pela atenção com que os alunos e os professores a seguiram e pelos comentários que, particularmente, fizeram no final. O próprio Director, que esteve presente em toda a sessão, destacou, à despedida, para todos os alunos, que tinha sido bom conhecer um homem com tão bela riqueza humana. E os presentes aplaudiram.
Mas houve uma quota-parte da acção que se deveu aos alunos e, por isso mesmo, aqui os quero destacar. É que ela foi muito enriquecida pela leitura que a Carolina, a Mariana (I), a Inês, a Naomi, a Mariana (II), o Filipe, a Bruna, a Beatriz e a Jessica fizeram de textos de Sebastião da Gama, ora trazendo também eles a voz da poesia, ora deixando-se embalar pelo ritmo das palavras cheias de Arrábida, de mistério, de símbolos, de afectos, de cultura e de sonho. Isto, conjugado com a vontade de saber e a atenção com que os cerca de 70 alunos seguiram o que lhes contei, só tem um qualificativo: foi bom, muito bom! - JRR

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sebastião da Gama: 60 anos sobre o "Diário"

Fac-simile da 1ª página do manuscrito (11 de Janeiro de 1949) e capa da 1ª edição do Diário (1958)

Em 11 de Janeiro de 1949, Sebastião da Gama tinha 24 anos, a licenciatura, a experiência lectiva de professor provisório na Escola João Vaz, vários textos publicados, entre os quais dois livros, e iniciava o estágio de professor na Escola Veiga Beirão, em Lisboa, desse dia datando a primeira página do seu Diário (apenas publicado em 1958), a registar as observações do metodólogo, Virgílio Couto: “Para começar, o metodólogo falou connosco durante uma hora. De acordo com o que disse, vão ser as aulas de Português o que eu gosto que elas sejam: um pretexto para estar a conviver com os rapazes, alegremente e sinceramente. E, dentro dessa convivência, como quem brinca ou como quem se lembra de uma coisa que sabe e vem a propósito, ir ensinando. Depois, esta nota importantíssima: lembrar-se a gente de que deve aceitar os rapazes como rapazes; deixá-los ser: porque até o barulho é uma coisa agradável, quando é feito de boa-fé.
Este texto iniciador do Diário apresenta-se como uma declaração de intenções, como um programa próprio, como um perfil do que deve ser o professor, como deveria ser ele, Sebastião da Gama, enquanto professor, haja em vista o cruzamento das intenções do professor orientador do estágio e da visão que o novo professor perfilhava quanto à sua função – “vão ser as aulas de Português o que eu gosto que elas sejam”.
Sebastião da Gama tinha bem a noção da razão de ser de um diário. Mas torna-se evidente que este professor redigia um diário para ser o seu espaço e tempo de reflexão sobre a sua prática pedagógica durante o tempo de estágio, sobretudo numa área tão sensível como era a do ensino do Português, misto entre o estudo do funcionamento da língua e o conhecimento da literatura e da cultura portuguesas, não omitindo algumas confidências que bem integrariam uma espécie de diário “íntimo”.
Um dos aspectos mais interessantes neste Diário é a forma como é dada voz aos alunos, não por aquilo que terá acontecido nas aulas, mas pela maneira como essa entrada das vozes dos outros – os alunos – se exerce e se vê no Diário, na vida do “eu” que se escreve também com os outros: mencionando os seus nomes próprios (com absoluta recusa do tratamento dos alunos pelo número de ordem e dando a ideia da constância da presença do outro no espaço e tempo do diário), reproduzindo em discurso indirecto, aludindo a conversas, abrindo o espaço para o discurso directo, registando os textos escritos dos alunos (de cartas ou de composições). A importância desta entrada dos alunos no Diário é tanto mais interessante quanto ela não se deve a critérios estéticos, antes tem lugar porque o diarista a valoriza, princípio que está de acordo com a necessária capacidade de aceitação do outro – dos “rapazes” – expressa no início do diário, no registo de 11 de Janeiro de 1949.
As regras para essa entrada do outro na aula, na vida e no Diário são logo estabelecidas no registo de 12 de Janeiro de 1949, ao relatar que pedira lealdade aos alunos, princípio a exigir reversibilidade. Ao mencionar esse acordo, Sebastião da Gama está também a fazer uma profissão de fé na lealdade e a estabelecer os seus próprios limites para a escrita da vida, do diário. Mas o seu testemunho perante os alunos vai mais longe, insistindo no direito à palavra, à voz – “Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já me esqueci. (…) A todos cabe o direito de falar, desde que fale um de cada vez e não corte a palavra ao que está com ela.
Assim estabelecidos, entendidos e aceites os princípios, são frequentes as vezes em que os rapazes têm a palavra neste Diário pelos mais diversos motivos, muitas vezes acontecendo que a voz do professor se mistura com a voz dos jovens, num trajecto em que o mais importante deste diário parece ser, como referiu Clara Rocha, a “comunhão do professor com os alunos”, através da palavra.
O leitor pode ainda assistir à consistência da cultura que este jovem professor detinha. Pelo Diário perpassam os nomes e as referências às obras de escritores portugueses e estrangeiros, seus contemporâneos uns (e até alguns do seu círculo de amizades) e clássicos outros, a rondar as seis dezenas de indicações, sempre chamados para ilustração de situações de aula ou para aprofundamento da preparação das lições ou da reflexão sobre as mesmas, citações que não constam apenas da indicação dos nomes, mas que demonstram um conhecimento das obras a que estes autores estão ligados.
O estudo do Diário de Sebastião da Gama como repositório pedagógico de novas práticas no domínio da educação escolar foi já encetado por autores vários, considerando a sua modernidade, ideia para que contribuíram práticas como a não utilização da tinta vermelha para correcção, a capacidade de improviso na realização de cada aula, as aulas ao ar livre, a utilização de recursos inovadores para a época (cartazes, festas escolares, biblioteca de turma, dramatização de textos dos alunos, reformulação do estudo e do ensino da gramática, consulta de apontamentos durante os exercícios, interacção professor-aluno, redacção dos sumários a cargo dos alunos, etc.). Outra linha de pensamento é a existência de uma pedagogia da felicidade no Diário de Sebastião da Gama, onde se fundem o educador e o poeta, ambos trilhando a rota da sensibilidade para que os alunos encontrassem a felicidade.
E o Diário de Sebastião da Gama aí está, acentuando os fragmentos do registo da vida do professor e dos alunos na luta contra o silêncio, contra o acanhamento imposto, em favor da liberdade e da criatividade, na conquista do direito aos afectos, do direito à expressão, do direito à palavra, do direito à voz, do direito à poesia da vida. - JRR
in Jornal O Sul. Setúbal: nº 3, Abril.2010

Arrábida a Património Mundial - Comissão de Acompanhamento reúne

«O místico Convento da Arrábida, situado na encosta da serra, vai ser palco de uma reunião da Comissão de Acompanhamento, criada no âmbito do processo da candidatura da Arrábida a Património Mundial, que se realiza no dia 23 de Abril, pelas 10h00.
Representantes de entidades e instituições regionais e nacionais que foram convidadas a fazer parte da Comissão de Acompanhamento da candidatura da Arrábida a Património Mundial da Humanidade, vão estar reunidas no dia 23 de Abril, no Convento da Arrábida, com o objectivo de debaterem e avaliarem a proposta de critérios, valores e área a candidatar à UNESCO.
Do programa público consta ainda a assinatura de protocolos entre a AMRS (Associação de Municípios da Região de Setúbal) e as entidades que já aceitaram dar os seus contributos para este projecto.
Durante a tarde, depois de uma visita guiada ao convento novo, o painel divide-se e dá lugar a duas oficinas – a do património cultural que decorrerá na sala do bispo e a do património natural que decorrerá na mesma sala da refeição.» (www.rostos.pt)
A Associação Cultural Sebastião da Gama integra esta Comissão de Acompanhamento e estará presente na reunião.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Quando Sebastião da Gama escreveu na imprensa…

Sebastião da Gama tinha 16 anos quando viu o seu primeiro texto publicado num jornal: o poema “Portugal Independente”, conotado com o momento histórico que se vivia – as Comemorações Centenárias –, saído no jornal montijense Gazeta do Sul em 8 de Dezembro de 1940. Neste periódico colaborou durante três anos, com poemas, assinados pelo único pseudónimo que usou publicamente – Zé d’Anicha, em homenagem a um recanto da sua Arrábida.
A sua vontade de publicar era grande e insistente, assim se percebendo as missivas que, na rubrica “Correio Geral”, o jornal enviava para o jovem Sebastião da Gama, da Arrábida, respondendo-lhe que os seus poemas seriam publicados logo que chegasse a respectiva altura, seguindo a ordem de recepção dos textos dos colaboradores no jornal. A sua participação teve efeitos sobre os leitores, porquanto vários poemas foram publicados neste jornal, tendo como destinatário o Zé d’Anicha, assinados por pseudónimos como “Elvense que adora música”, “JC um barreirense” e “Avozinha”.
A partir daqui, Sebastião da Gama semeou poemas e outros textos (crónica e ensaio literário) por várias publicações, num total de cerca de oito dezenas de colaborações. Quando foi publicado o seu primeiro livro, Serra-Mãe, em Dezembro de 1945, já o seu nome tinha passado pelo referido Gazeta do Sul e pelas revistas lisboetas Turismo e Aqui e Além.
Entre 1940 e 1952, Sebastião da Gama publicou em jornais e revistas de Barreiro, Braga, Castelo de Vide, Elvas, Estremoz, Évora, Lisboa, Montijo, Setúbal e Sintra, ora em títulos de informação geral, ora em publicações mais vocacionadas para a cultura e para a poesia. O seu nome encontrou-se, por via da publicação em periódicos, com muitos outros nomes da literatura portuguesa, uns já bem conhecidos na altura, outros a afirmarem-se, havendo coincidências interessantes, como a que reuniu no mesmo número de revista poemas de Sebastião da Gama, então com 27 anos, e de um jovem, que tinha sensivelmente metade desta idade, chamado José Carlos Ary dos Santos – passou-se este encontro na revista Horizonte, de Évora.
Relativamente a publicações literárias, vale a pena referir o papel que Sebastião da Gama teve na revista Távola Redonda (sobre cujo aparecimento passa neste ano o 60º aniversário), dirigida por David Mourão-Ferreira e por António Manuel Couto Viana. Muito embora não integrando o seu corpo directivo, o Poeta da Arrábida foi um divulgador entusiasmado da publicação e, por carta, deu indicações para o sucesso da revista aos seus directores, apontando aspectos a melhorar e nomes a reter.
É ainda curioso que o último texto que Sebastião da Gama escreveu tenha sido divulgado na imprensa quatro dias antes do seu falecimento – refiro a crónica “Encarcerar a asa”, verdadeiro hino de amor à vida e à liberdade, escrita em 25 de Janeiro de 1952 e publicada no estremocense Brados do Alentejo em 3 de Fevereiro seguinte (este texto só viria a ser integrado em livro na publicação póstuma O Segredo é Amar, surgido em 1969). Sebastião da Gama, que começara a publicação dos seus textos na imprensa, deixava também o seu último texto, mensagem forte, lavrado em páginas da imprensa.
Não sendo garantido que constem todas as colaborações de Sebastião da Gama na imprensa na lista que se apresenta, certo é que, com ela, a Associação Cultural Sebastião da Gama pretende divulgar esta faceta menos conhecida do poeta, dando um contributo para a fixação da sua bibliografia activa e expondo alguns dos espécimes que nela constam quando passam 86 anos sobre o nascimento do Poeta da Arrábida. – JRR

Bibliografia activa de Sebastião da Gama na imprensa do seu tempo

1940
“Portugal Independente”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 518, 08.Dez.1940, pg. 7.

1941
“Mar Bravo”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 533, 23.Mar.1941, pg. 11.
“Conto Amigo”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 544, 08.Jun.1941, pg. 9.
“O Sonho do Infante”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 561, 05.Out.1941, pg. 9.

1942
“Hino ao Sol”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 581, 22.Fev.1942, pg. 3.
“Flores”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 593, 17.Mai.1942, pg. 7.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 596, 07.Jun.1942, pg. 2.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 600, 05.Jul.1942, pg. 5.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 601, 12.Jul.1942, pg. 10.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 602, 19.Jul.1942, pg. 2.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 603, 26.Jul.1942, pg. 5.
“Na Arrábida – Frei Agostinho da Cruz”.
Turismo. Lisboa: nº 48, Jul-Ago.1942.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 607, 23.Ago.1942, pg. 2.
“Lágrimas”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 611, 20.Set.1942, pg. 2.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 614, 11.Out.1942, pg. 8.
“Inverno na Arrábida”.
Turismo. Lisboa: nº 50, Nov-Dez.1942.
“Duas Horas”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 620, 22.Nov.1942, pg. 2.

1943
“Confidência”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 626, 03.Jan.1943, pg. 2.
“À Arrábida”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 628, 17.Jan.1943, pg. 8.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 632, 14.Fev.1943, pg. 8.
“Maré”.
Turismo. Lisboa: nº 52, Mar-Abr.1943.
“Poesia”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 637, 21.Mar.1943, pg. 8.
“Espelho”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 647, 30.Mai.1943, pg. 8.
“Cancioneiro”.
Gazeta do Sul. Montijo: nº 657, 08.Ago.1943, pg. 10.

1944
“O Céu”.
Turismo. Lisboa: nº 59, Ago-Set.1944.

1945
“Dois poemas: Claridade, Remoinho”.
Aqui e Além. Lisboa: nº 2, Maio-Agosto.1945, pp. 33-35.
“Pequeno poema”.
Aqui e Além. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14.

1946
“Soneto de António”.
Universitárias. Lisboa: nº 18 (3ª série), Jan-Abr.1946, pg. 40.
“Florbela”.
O Castelovidense (Supl. “A Planície”). Castelo de Vide: nº 38, 17.Fev.1946, pg. 1.
“Sol Posto”.
Ver e Crer. Lisboa: nº 11, Mar.1946, pp. 43-46.
“Bucólica”.
Aqui e Além. Lisboa: nº 5, Outubro.1946, pg. 55.
“Moça jeitosa do Minho”.
Correio do Minho. Braga: 28.Nov.1946, pg. 3.

1947
“Tempo de Poesia”.
Ver e Crer. Lisboa: nº 31, Nov.1947, pp. 62.

1948
“Carruagem de terceira”.
Jornal de Sintra. Sintra: nº 728, 7.Jan.1948, pg. 1.
“As fontes”.
Novidades. Lisboa: 18.Jan.1948, pg. 4.

1949
“Florbela”.
Jornal de Sintra. Sintra: nº 779, 01.Jan.1949, pg. 5.
“A propósito do Idílio Rústico de Trindade Coelho e do Idílio Triste de Fialho de Almeida”.
A Província. Montijo: nº 9, 09.Jun.1949, pg. 8.
“Mãe Noite”.
A Província. Montijo: nº 13, 07.Jul.1949, pg. 8.
“As fontes”.
A Província. Montijo: nº 19, 18.Ago.1949, pg. 7.
“Geração novíssima? Literatura novíssima?”.
A Província. Montijo: nº 21, 01.Set.1949, pg. 4.
“A serra da Arrábida”.
Flama. Lisboa: nº 91, 02.Dez.1949, pg. 8.

1950
“Conto em verso da princesa roubada (à Cló)”.
Jornal de Sintra. Sintra: nº 883, 08.Jan.1950, pg. 2.
“É o sol e mais nada…”.
Universitárias. Lisboa: nº 24 (4ª série), Janeiro.1950, pg. 17.
“Frei Agostinho para o turista”.
Turismo. Lisboa: nº 88, Jan.1950.
“O cais”, “A companheira”, “Apolo”.
Távola Redonda. Lisboa: nº 1, 15.Janeiro.1950, pg. 2.
“A uma criança”, “Elegia para uma gaivota”.
Távola Redonda. Lisboa: nº 6, 01.Junho.1950, pg. 3.
“Condição”.
Távola Redonda. Lisboa: nº 7, 01.Julho.1950, pg. 1.
“Sobre poesia”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 14, 24.Ago.1950, pg. 3.
“Campismo e poesia”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 18, 21.Set.1950, pg. 3.
“Dom Canguru”.
Jornal da “Favorita”. Lisboa: nº 1, 01.Out.1950, pg. 3.
“Alegoria”.
Távola Redonda. Lisboa: nº 8, 01.Novembro.1950, pg. 5.
“Apontamento sobre a poesia social do século XX”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 31, 21.Dez.1950, pp. 3-4.

1951
“Apontamento sobre a poesia social do século XX”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 34, 11.Jan.1951, pp. 3-4.
“A companheira”.
Brados do Alentejo. Estremoz: nº 1022, 28.Jan.1951, pg. 3.
“Toada do ladrão”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 37, 01.Fev.1951, pg. 3.
“Janelas de Estremoz”.
Brados do Alentejo. Estremoz: nº 1023, 04.Fev.1951, pg. 11.
“Carta de Estremoz”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 38, 08.Fev.1951, pp. 1 e 2.
“Carta de Estremoz”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 41, 01.Mar.1951, pg. 8.
“Entre quem é!”.
Brados do Alentejo. Estremoz: nº 1028, 11.Mar.1951, pg. 3.
“Carta de Estremoz”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 43, 15.Mar.1951, pg. 8.
“Vida / Diário de Bordo / Hora vermelha / A verdade era bela ”.
Linhas de Elvas. Elvas: nº 28, 17.Mar.1951, pg. 6.
“Maternidade (à Maria Almira e ao António)”.
Jornal de Sintra. Sintra: nº 895, 18.Mar.1951, pg. 1.
“Nosso é o mar (ao Manuel de Almeida Lima)”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 46, 05.Abr.1951, pg. 3.
“Carta de Estremoz”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 47, 12.Abr.1951, pg. 8.
“Carta de Estremoz”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 48, 19.Abr.1951, pg. 3.
“Sinal”. Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 52, 17.Mai.1951, pg. 9 (repetido no nº 66, 23.Agosto.1951).
“Bucólica”. J
ornal da “Favorita”. Lisboa: nº 9, 01.Jun.1951, pg. 3.
“O sábado em Estremoz”.
Brados do Alentejo. Estremoz: nº 1047, 22.Jul.1951, pg. 3.
“Crepuscular”.
Horizonte. Évora: nº 3, Jul-Ago.1951, pg. 19.
“Carta de Estremoz”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 63, 02.Ago.1951, pg. 6.
“Minha alma abriu-se”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 67, 30.Ago.1951, pg. 1.
“O sonho (à memória de Francisco Bugalho)”.
O Distrito de Setúbal. Setúbal: nº 3, 17.Set.1951, pg. 8.
“Carta de Setembro”.
Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 73, 11.Out.1951, pg. 3.
“Largo do Espírito Santo, 2 – 2º”.
Árvore. Lisboa: nº 1, [Dezembro.1951], pp. 36-37.

1952
“Imagem”.
Jornal de Sintra. Sintra: nº 938, 7.Jan.1952, pg. 9.
“Encarcerar a asa”.
Brados do Alentejo. Estremoz: nº 1075, 03.Fev.1952, pg. 5.
[Bibliografia organizada por João Reis Ribeiro]

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Diário" traduzido em Itália

Foi ontem que aconteceu a apresentação da edição italiana de excertos do Diário, de Sebastião da Gama, obra que passará a integrar o curriculum de estudo na Università degli Studi della Tuscia. A tradução, com anotações, deve-se a Maria Antonietta Rossi, que, há uns anos, apresentou para “tesi di Laurea in Lingua e Traduzione Portoghese”, na Facoltà di Lingue e Letterature Straniere Moderne daquela Universidade, o estudo Diário: un metodo didattico nel Portogallo della prima metà del Novecento, sobre a obra pedagógica de Sebastião da Gama, trabalho que foi orientado por Mariagrazia Russo, professora daquela Faculdade. A obra agora editada parte do estudo que Maria Antonietta Rossi apresentou como tese.
Recorde-se que Mariagrazia Russo, nossa associada e estudiosa da cultura portuguesa, foi também responsável pela edição do livro Não morri porque cantei (Mem Martins: Sebenta Editora, 2003), de Sebastião da Gama, que recolhe cerca de duas centenas de quadras, umas por ele publicadas na imprensa e outras inéditas até ao aparecimento desta edição. Além desta obra, Mariagrazia Russo é autora dos ensaios “Sebastião da Gama, il poeta di Arrábida: tre sonetti inediti” (in Satura, studi in onore di Franco Lanza. Viterbo: Sette Città, 2003, pp. 261-284) e “Sebastião da Gama e o seu interesse para a cultura italiana” (in Sebastião da Gama – O Poeta e o Professor – Estudos e Perspectivas. Azeitão: Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007, pp. 81-92).
A notícia sobre esta edição italiana, depois de ter sido divulgada neste blogue, foi dada pela agência LUSA (em 7 de Abril) e pelo jornal O Setubalense (em 9 de Abril). - JRR
Maria Antonietta Rossi e Mariagrazia Russo, na sessão de apresentação da obra

terça-feira, 13 de abril de 2010

Em Azeitão, em 10 de Abril

Se não esteve em Azeitão no Sábado (10 de Abril) para celebrar Sebastião da Gama, pode ver um apontamento do que ali se passou através da reportagem "Evocar Sebastião da Gama", produzida pela Setúbal TV, peça de Rita Matos, com imagem e edição de Luís Mestre. Aqui. Nela intervêm Manuel Herculano (da Associação Cultural Sebastião da Gama), Vanda Rocha (do Museu Sebastião da Gama) e Joana Luísa da Gama (esposa do poeta).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"Diário", de Sebastião da Gama, editado em Itália

Excertos do Diário de Sebastião da Gama vão ser apresentados em Itália, na Università degli Studi della Tuscia, em Viterbo, em 13 de Abril. A obra – Frammenti di "Diario" (Viterbo: Sete Città, 2010) – foi preparada por Maria Antonietta Rossi, investigadora daquela Universidade e autora da introdução, tradução e notas que acompanham esta edição, e será apresentada pela professora Silvana Ferreri. Este título inaugura a colecção “Lusitana”, dirigida por Mariagrazia Russo, docente universitária e investigadora da cultura portuguesa.
A iniciativa integra-se no workshop internacional “Viaggi di Lingue e Culture / Viagens de Línguas e Culturas”, organizado pela Università degli Studi della Tuscia di Viterbo (Facoltà di Lingue e letterature straniere moderne - Dipartimento DISU), pelo Instituto Camões (Cattedra “Pedro Hispano”) e pela Universidade de Lisboa, que vai decorrer na Università degli Studi della Tuscia, em Viterbo, em duas fases (13 e 14 de Abril e 7 de Maio).
Presentes vão estar investigadores da Universidade anfitriã (Cristina Rosa, Daniele Petruccioli, Fabio Mechella, Francesca De Caprio, Gaetano Platania, Maria Antonietta Rossi, Mariagrazia Russo, Masha Mattioli e Vincenzo De Caprio), da Universidade de Coimbra (Maria Antónia Lopes), da Universidade de Lisboa (Ricardo Pessa de Oliveira e Isabel Drumond Braga) e do Instituto Camões (Anabela Galhardo Couto e Ana Paula Laborinho).
Refira-se que Mariagrazia Russo é também investigadora da obra de Sebastião da Gama, tendo sido responsável pela edição de Não morri porque cantei – Quadras de Sebastião da Gama (Mem Martins: Sebenta Editora, 2003).

terça-feira, 6 de abril de 2010

10 de Abril, dia de Sebastião da Gama

O 86º aniversário do nascimento de Sebastião da Gama, que ocorre em 10 de Abril, vai ser assinalado em Azeitão e Setúbal com diversas actividades.

15h30
Deposição de flores na sepultura do poeta (cemitério de S. Lourenço)
16h00
Encontro em torno do Diário, no Museu Sebastião da Gama (Azeitão), com a presença de Carla Cibele, alunos da ESSE de Setúbal, alunos de Sebastião da Gama e Joana Luísa da Gama
18h00
Abertura da exposição “Quando Sebastião da Gama escreveu na imprensa”,
no Museu Sebastião da Gama (Azeitão)
21h30
Actuação do grupo de música tradicional “Tokivozes”,
no Salão Nobre dos Paços do Concelho (Setúbal)

Para o mês de Maio, estão também previstas algumas actividades, como uma conferência sobre a obra Diário, por Fernando António Baptista Pereira, e a apresentação pública do cd "Meu caminho é por mim fora".
Todas estas actividades têm a organização da Câmara Municipal de Setúbal e da Associação Cultural Sebastião da Gama. - JRR

Sebastião da Gama na memória

A Junta de Freguesia de S. Lourenço (Azeitão) promoveu a colocação de estandartes alusivos a Sebastião da Gama que irão estar expostos no centro da freguesia ao longo do mês de Abril.
Os estandartes reproduzem uma fotografia de Sebastião da Gama, captada em 1947, no Portinho da Arrábida (imagem que serviu de modelo para o monumento que se ergue desde 2007 na Praça da República, em Azeitão), com os seguintes dizeres: “Sebastião da Gama (1924-1952) – Poeta da Arrábida – Azeitão Terra Amada! – Freguesia S. Lourenço Azeitão”. - JRR

Um roteiro para Sebastião da Gama

A publicação mensal Guia de Eventos, da responsabilidade da Câmara Municipal de Setúbal, atingiu a 63ª edição neste mês de Abril com um novo formato. Entre os assuntos em destaque está Sebastião da Gama, apresentando a revista não só a programação para o aniversário do poeta, mas também um pequeno roteiro intitulado “Lugares do Poeta”, que pode ser feito com os poemas de Sebastião da Gama à mão para que a mística dos sítios se envolva na poesia. É essa página que aqui reproduzimos. - JRR

Guia de Eventos. Setúbal: Câmara Municipal de Setúbal, nº 63, Abril.2010, pg. 33.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Um cd para Sebastião da Gama - 2

O Banco BPI, SA foi o mais recente parceiro a manifestar o seu apoio à edição do cd "Meu caminho é por mim fora", que reúne 26 textos de Sebastião da Gama que a nossa Associação vai editar e tem apresentação prevista para a primeira quinzena de Maio.
Assim, os parceiros que se envolveram neste projecto da Associação Cultural Sebastião da Gama são, por ordem alfabética: Banco BPI, SA; Câmara Municipal de Setúbal; Fundação Buehler-Brockhaus; Fundação Calouste Gulbenkian; Fundação Oriente; Grupo Nabeiro - Delta Cafés; Junta de Freguesia de São Lourenço (Azeitão); Junta de Freguesia de São Simão (Azeitão); Ramos & Varela, SA.
Relembramos que a Associação está a aceitar pedidos de reserva deste cd (pode ser feito por mail), que sairá em edição numerada (números atribuídos pela ordem de recepção de pedido de reserva) e reúne as vozes de Célia David, Fernando Guerreiro, José Nobre, Maria Barroso e Maria Clementina e a música de Rui Serodio. - JRR

domingo, 4 de abril de 2010