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Eugénio Lisboa: Sebastião da Gama - Não ter vergonha de ser sincero

Sebastião da Gama é um dos poucos escritores — em qualquer língua — do qual se pode dizer, sem hesitar, que o homem que fez a obra coincide, ponto por ponto, com o homem que a obra faz supor. Quando pensamos nele — no meu caso, a partir dos inúmeros testemunhos dos que com ele conviveram — vem primeiro, ao nosso encontro, não a admiração que temos pelo poeta e pelo diarista, mas antes, o profundo afecto que sentimos pelo homem. Quem o conheceu — e não foi, infelizmente, o meu caso — assim reagiu. Nas cartas que José Régio lhe dirigiu, verifica-se isto mesmo. Ainda antes de conhecer, com qualquer profundidade, os seus livros, já o poeta dos Poemas de Deus e do Diabo se rendia, comovidamente, à sedutora candura e sinceridade do homem que era Sebastião da Gama. Numa carta que lhe dirigiu, em 11 de Maio de 1950, José Régio dizia-lhe o seguinte: "Com profundo prazer me detenho naquelas notas íntimas, naqueles versos densos de sugestões, através dos quais a autenticidade de um Poeta se…

Eugénio Lisboa e a sinceridade de Sebastião da Gama

A obra de Sebastião da Gama foi visitada por Eugénio Lisboa numa excelente comunicação apresentada na Biblioteca Municipal de Setúbal na noite de 16 de Novembro, actividade promovida pela Associação Cultural Sebastião da Gama. Como tema, uma ideia muito querida da geração do poeta azeitonense – “Não ter vergonha de ser sincero”. Eugénio Lisboa, estudioso atento da literatura portuguesa, mostrou bem aquilo que Maximiano Gonçalves (que o apresentou) indicou como “o seu prodigioso aparelho cultural” através “da internacionalização do que leu, do que ouviu, do que viu, do que sentiu”. Com efeito, a comunicação de Eugénio Lisboa não versou apenas a sinceridade em Sebastião da Gama, mas também em muitos outros escritores, não apenas portugueses, transportando para esta conferência não apenas o eventual interesse local mas a universalidade da literatura. «Sebastião da Gama é um dos poucos escritores do qual se pode dizer, sem hesitar, que o homem que fez a obra coincide, ponto por ponto, com o…

“Meu caminho é por mim fora…”

Reprodução do manuscrito de Sebastião da Gama da primeira página do poema "Itinerário"

Este verso de Sebastião da Gama, que abre o seu poema “Itinerário” (datado de 29 de Outubro de 1944 e incluído no livro Serra Mãe, de 1945), tem sido o título das sessões de divulgação que a Associação Cultural Sebastião da Gama tem promovido sobre o seu patrono.
A escolha deste verso para designar essas acções justifica-se pela força que dele ressalta, sobretudo quando escrito por um jovem que tinha 20 anos e assumia ser a poesia de José Régio uma das suas âncoras. Não foi por acaso que o último livro que publicou – Campo aberto, em 1951 – teve dedicatória para duas personalidades que lhe nortearam as condutas: Virgílio Couto, que fora o seu metodólogo e mestre de pedagogia na Escola Veiga Beirão, e José Régio, poeta admirado e amado. De resto, um dos pontos altos nesse ano de 1951 na vida do poeta da Arrábida (em 25 de Fevereiro) foi o encontro com Régio em Portalegre, onde se deslocou, na…