Sebastião da Gama é um dos poucos escritores —
em qualquer língua — do qual se pode dizer, sem hesitar, que o homem que fez a obra coincide, ponto por
ponto, com o homem que a obra faz supor.
Quando pensamos nele — no meu caso, a partir dos inúmeros testemunhos dos que
com ele conviveram — vem primeiro, ao nosso encontro, não a admiração
que temos pelo poeta e pelo diarista, mas antes, o profundo afecto que sentimos
pelo homem. Quem o conheceu — e não foi,
infelizmente, o meu caso — assim reagiu. Nas cartas que José Régio lhe dirigiu,
verifica-se isto mesmo. Ainda antes de conhecer, com qualquer profundidade, os seus livros, já o poeta dos Poemas
de Deus e do Diabo se rendia, comovidamente, à sedutora candura e sinceridade
do homem que era Sebastião da Gama. Numa carta que lhe dirigiu, em 11 de Maio
de 1950, José Régio dizia-lhe o seguinte: "Com profundo prazer me detenho
naquelas notas íntimas, naqueles versos densos de sugestões, através dos quais
a autenticidade de um Poeta se…
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