segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sebastião da Gama nas jornadas pedagógicas da Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich


"(Re)lembrar Sebastião da Gama" é o tema escolhido para as jornadas pedagógicas da Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich. Em 22 de Maio.

Entrega do Prémio de Poesia Sebastião da Gama (V) - Mensagem de António Canteiro




Intervenção de António Canteiro, o poeta premiado, na sessão de entrega do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama

Principio a minha intervenção com um poema de SEBASTIÃO DA GAMA- PASMO: “Nessas noites mornas de calmaria, em que o Mar se não mexe e o arvoredo não murmura, pedindo o Sol mais cedo, que o resguarde da fria ventania; em que a lua boceja, se embacia, e as palavras estagnam, no ar quedo, noites pobres – até chego a ter medo de me volver também Monotonia. E então sinto vontade de atirar, meu corpo bruto e nu contra o espanto da Noite, a ver se o quebro e vibro, enfim; cair no lago morto e acordar os cisnes que adormecem de quebranto… Mas só caio, afinal, dentro de mim”. (in Serra-Mãe, primeiro livro do autor).
Fiquei pasmo e caí depois dentro de mim, naquele sábado à noite, quando estava em casa, em família, e o telefone tocou a anunciar que o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama vinha de tão longe, aqui do sul do tejo, para a Gândara de Carlos de Oliveira, onde vivo, um lugar perto do mar. Fiquei Pasmo e apetece irmanar o poeta da Arrábida com as palavras agora premiadas, de António Canteiro – Igualmente, PASMO: olho na frente o mar e pasmo!, ante a imensidão das águas misturadas no céu. e sinto a alma partir-se. que poderá o vento saber das gaivotas?, o horizonte do espelho do mar?, que poderá a água saber da voz da mãe que grita pelo filho perdido na fúria da maré?, olho na frente o mar e pasmo!, ante o ínfimo grão de areia, a meus pés…”
Quero agradecer este prémio à minha família, àqueles com quem vivo diariamente: o esteio e a alma das palavras nasce
- Quero agradecer este prémio à Direção da Associação Cultural Sebastião da Gama e ao júri que selecionou O SILÊNCIO SOLAR DAS MANHÃS;
- Quero agradecer o título - O SILÊNCIO SOLAR DAS MANHÃS -, que encontrei num verso do livro “A Criança em Ruínas” de José Luís Peixoto;
- Quero agradecer este prémio a todos os amigos e pessoas que leio (não só os escritores), mas todas as pessoas com que me cruzo, e a quem leio a voz, os gestos e os silêncios;
- Quero agradecer este prémio a Matilde Rosa Araújo, com quem me cruzei no final da sua vida, e que sendo a Matilde amiga, contemporânea e admiradora de Sebastião da Gama, onde quer que esteja, terá metido uma cunha para eu vencer este Prémio.
- Uma palavra ainda para Carlos de Oliveira, para referir uma coincidência: é que entrei na escrita literária pela mão do Prémio Literário Carlos de Oliveira de 2005, instituído pelo Município de Cantanhede (onde Vivo), com o livro “Parede de Adobo”, era um romance em forma de poesia. Hoje, ventejou-me a sorte de ter entrado na poesia, pela porta escancarada do Prémio Literário Sebastião da Gama, com um livro de poesia em forma de prosa.
Se mais não fosse, teríamos aqui dois exemplos concretos onde a forma, a beleza, o exterior, a cor da pele, a roupa, o sexo, a diferença, aquilo que é primeiramente visível aos olhos, de pouco vale, o que interessa são as palavras que estão lá dentro.
Obrigado a todos.

Entrega do Prémio de Poesia Sebastião da Gama (IV) - opinião do Júri



A apreciação da obra premiada, O silêncio solar das manhãs, na sessão de entrega do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2013, esteve a cargo de José-António Chocolate, que falou em nome do júri, discurso que aqui se reproduz.

Discípulo dileto do poeta e escritor José Luís Peixoto, o poeta António Canteiro não só se serve dum excerto do seu livro A criança em ruínas, para citação e enquadramento do seu trabalho (“o silêncio solar das manhãs”) como procura alicerçar – e porque não, até estruturar – nessa frase, que se torna um verso bonito, toda a evolução do texto que nos apresenta. Afinal um texto feito de tantos outros encadeados e em harmonia, que exaltam profusamente a natureza – “sabes de cor, as correntes frias do mar, o troar do vento e da tempestade. sabes de cor, a zina quente da tarde e o calor das noites de luar, no teu corpo aveludado”; “giesta, amarela-verde-flor. se a brisa quiser, dobra-te na beira da estrada”.
E assim António Canteiro nos fala dos ribeiros, dos rios, do mar, da praia, dos campos e dos lugares, cantos e recantos, de hábitos e costumes, enfim tudo o que povoa e dá vida ao seu imaginário, cheio de cores e de sonhos, onde se respira uma atmosfera mística, também ela feita de recordações e de memórias – “se à noite, mãe!, a pele das mãos, ninho cravado de rugas, teias de silêncio, a dormir no regaço, eu te ouvir rezar”; “antigamente, soprava o vento sobre a telha vã e nos pomares despidos de folhagem”.
Sendo o António Canteiro o pseudónimo predileto do autor, João Carlos Cruz, com obra publicada e premiada, a qual regista um percurso literário mais virado para o texto em prosa, não é de estranhar que “Rosa Cravo” (pseudónimo apresentado a concurso neste Prémio) se tenha sentido mais à vontade na opção tomada por uma escrita que perfilha uma estética sóbria de texto corrido e compacto, enquadrado naquilo a que se pode chamar de prosa poética.
Mas desengane-se quem se fica apenas pela impressão visual do texto, porque se trata de verdadeira poesia, de boa poesia, a que não faltam: a) eloquentes e pertinentes metáforas –  “um velho não é senão um menino que brinca ao redor do silêncio”; “pinto ao longe o horizonte, da mesma cor da chama, que te arde no peito”; “ao fundo, distante do rio, uma luz treme sobre as pedras e deita-se, em fios, na estrada de acácias”; “olho com espanto a esteva e a simetria da flor, na harmonia de tons verdes, de folhas cerzidas na côdea dos dias” ; b) felizes imagens – “erguido no cômoro do ribeiro. ufano. entre ervas daninhas. areias e águas turvas. majestoso lírio-rei brasonado, trajado de cetim”; “era no cais, quando a tarde morria, o velho cata a névoa de olhos espetados no céu, tinha a face coada de rugas e os lábios de cor púrpura”; c) uma harmonia encadeada e suportada mais pela aliteração do que pela rima. E tudo isso, intencionalmente explorado em direção a um final que aprofunda a ideia inicial e mais que tudo nos questiona enquanto a si próprio se questiona com um pendor dialético, próprio de quem procura mais que o conhecimento superficial das coisas.
Nota-se que, em O silêncio solar das manhãs, é propositada a forma escolhida, contrapondo-se à substância duma poesia feita de versos serenos e coloridos, uma escrita irreverente que rompe com os cânones gramaticais.
[Na foto: José-António Chocolate em nome do júri.]

Entrega do Prémio de Poesia Sebastião da Gama (III) - o teatro da SFPA


Grupo de Teatro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense
na interpretação do poema "Nasci para ser ignorante", de Sebastião da Gama

Grupo de Teatro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense
na interpretação do poema "Pequeno poema", de Sebastião da Gama

Grupo de Teatro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense
na interpretação do poema "Largo do Espírito Santo, 2 - 2º", de Sebastião da Gama

Grupo de Teatro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense
na interpretação do poema "Meu país desgraçado", de Sebastião da Gama

Grupo de Teatro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense - participantes

Entrega do Prémio de Poesia Sebastião da Gama (II) - momentos


António Canteiro em visita ao Museu Sebastião da Gama com Vanda Rocha

João Reis Ribeiro (ACSG), Celestina Neves (Junta de Freguesia de S. Lourenço)
e António Canteiro, antes da sessão


António Canteiro e Arlindo Mota (elemento do Júri e criador do Prémio) 





Mesa que presidiu à sessão: José Carpelho (Junta de Freguesia de S. Simão), José-António Chocolate (membro do Júri), Manuel Pisco (Câmara Muicipal de Setúbal), Luís Gonzaga Machado (Presidente da Assembleia-Geral da ACSG), João Reis Ribeiro (ACSG), António Canteiro (o premiado), Celestina Neves (Junta de Freguesia de S. Lourenço) e Manuel Queirós (Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonese) 

Luís Gonzaga Machado entrega o prémio a António Canteiro

Público

José Carpelho (Junta de Freguesia de S. Simão) e António Canteiro

Entrega do Prémio de Poesia Sebastião da Gama (I)



Na noite de 27 de Abril, a Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense foi o palco para a entrega do galardão da 14ª edição do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama. Contemplada foi a obra O silêncio solar das manhãs, de António Canteiro, de Cantanhede, que esteve em Azeitão para receber o prémio.
A sessão contou com numerosa assistência. Na mesa, presidida por Luís Gonzaga Machado, presidente da Assembleia-Geral da Associação Cultural Sebastião da Gama, estiveram, além do premiado, José Carpelho e Celestina Neves (presidentes das Juntas de Freguesia de S. Simão e de S. Lourenço, de Azeitão, respectivamente, patrocinadoras do certame), Manuel Pisco (vereador da Câmara Municipal de Setúbal), José-António Chocolate (poeta, em representação do júri desta edição do Prémio), João Reis Ribeiro (presidente da Associação Cultural Sebastião da Gama) e Manuel Queirós (presidente da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense).
A sessão contou ainda com a participação do grupo de teatro da SFPA, que preencheu a segunda parte com a dramatização dos poemas de Sebastião da Gama “Nasci para ser ignorante”, “Pequeno poema”, “Largo do Espírito Santo, 2 – 2º” e “Meu país desgraçado”.
Antes da sessão, António Canteiro visitou o Museu Sebastião da Gama, em roteiro acompanhado pelos seus familiares e por Vanda Rocha, técnica do Museu, e João Reis Ribeiro, da Associação Cultural Sebastião da Gama.

domingo, 12 de maio de 2013

Alexandrina Pereira e poesia da Arrábida (II)



Quando olhamos um título como este, Arrábida, meu amor, meu poema [de Alexandrina Pereira, em edição de autor, de 2013], fica-nos a possibilidade de nos encontrarmos com uma declaração, assim como nos encara o fio de um diálogo em que a Arrábida surge como o interlocutor chamado, a quem nos dirigimos. Seja uma ou outra das possibilidades, a leitura que tal título nos permite obriga ao estabelecimento de uma relação de gratidão e de simpatia da parte de quem diz: é que a Arrábida, este ser ou este mundo de que se fala, oferece-se como sinal de amor e enaltece-se como fonte de poesia. Dúvidas houvesse sobre esta ligação, logo seriam desfeitas pela abertura que Alexandrina Pereira dá ao conjunto: “Deixo neste livro a minha declaração de amor à inigualável serra da Arrábida, que abraça ternamente a cidade de Setúbal, onde nasci.”
É homenagem, é reconhecimento, é gratidão. Mas é também forma de eternizar e de firmar a comunhão, que outra coisa não é esperada de uma relação de amor, que outra coisa não é esperada de um quadro em que um abraço envolve três forças: a da Arrábida, que abraça; a da cidade, que é abraçada; a da poeta, que se sente nascida num destes elementos e, consequentemente, envolvida pelos dois, parte indissociável deste abraço.
Este título é, pois, uma confissão sobre uma relação, é uma dedicatória, é uma identificação do “eu” com a Arrábida, num circuito cujo fundamento é dado pelo amor e pela poesia.
O livro assenta sobre 36 poemas, com oito deles traduzidos, dois em cada uma das línguas que são o castelhano, o francês, o inglês e o alemão. Logo num dos poemas iniciais, a serra é apresentada na sua grandiosidade com “íntima solidez” da rocha e o fogo da imortalidade, que lhe advêm da seiva respirada, trazida pelo “vento / sibilando segredos” e pela chuva, que “dança ao cair”, sendo o leitor impressionado por um quadro em que os quatro elementos se conjugam e reconstroem em prol da magia da serra.
A tela Arrábida domina este percurso, afirmado por um encantamento que resulta de “páginas soltas de poesia”, metáfora intensa para a descrição da paisagem que se impressiona e que seduz, num refúgio em que a natureza vai dialogando com os poetas, em forma de contemplação ou de oração. E assim se cruza o leitor com Frei Agostinho da Cruz, personagem mística que “escreve poemas / nas alvas paredes do convento”, uma forma de “grafitar” a maravilha e de cantar a beleza.
Por este itinerário passa também Sebastião da Gama e aquela imagem da maternidade associada à serra, várias vezes invocada, mesmo quando é pedido à “doce Serra plena de vida” (imagem da mãe) algo tão íntimo como: “Deixa-me adormecer / no teu regaço” (imagem do aconchego e da protecção).
Ao longo destes poemas, vai-se o leitor encontrando com a força que da Serra brota, dominando o tempo, a vida, o encantamento. Assiste-se a uma quase vida íntima da serra, numa tentativa de desvendamento e de presença nos momentos mais intensos dessa vida, dominada por uma “Primavera infinita”, por uma matriz que sacraliza os instantes, gizada na paleta das palavras, em busca de uma Arrábida feliz, revelada nos cheiros, nos sons, nas cores, nos espaços, nos recantos, em que até “o pôr-do-sol, piedoso, / consentirá um beijo / na face do tempo”.
Quadro feito de efemeridades em que o poeta se deixa tocar pela suavidade da vida, este livro de Alexandrina Pereira fecha com um convite: “Vem ouvir o chilrear dos pássaros! / Há vida entre o silêncio e o céu. / A fragrância da salva, da murta, do trovisco, da rosa albardeira / Há o nome e a forma / na Serra inteira.”
Não será difícil ao leitor sentir que por estes versos de Alexandrina Pereira passa também o quadro do que será uma tradição literária em torno da Arrábida, marcada referência cultural cheia de rumores conjugados da pintura e da poesia. Oxalá essa dimensão consiga passar para quem da Arrábida não está geograficamente próximo! Seria uma forma suprema de qualquer leitor, independentemente das latitudes em que se fez, poder subscrever o título do livro: Arrábida, meu amor, meu poema. Outra forma de dizer: Arrábida, razão de ser e de cantar. Ou ainda de reconhecer um fragmento do que pode ser o paraíso: Arrábida, feliz Arrábida! - JRR

[Na apresentação da obra Arrábida, meu amor, meu poema, de Alexandrina Pereira (Setúbal: ed. Autor, 2013), em 27 de Abril, publicação em que a Associação Cultural Sebastião da Gama foi parceira. Na foto (de José Rasquinho): João Reis Ribeiro, Helena Fragoso de Matos, Manuel Pisco e Alexandrina Pereira.] 

Alexandrina Pereira e a poesia da Arrábida (I)




A mais recente obra de Alexandrina Pereira (nossa associada) é dedicada à Arrábida e traz para título a serra e o afecto da autora: Arrábida, meu amor, meu poema (Setúbal: ed. Autor, 2013) teve primeira apresentação pública em 27 de Abril, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, surgindo quando está a correr a apreciação da candidatura da serra da Arrábida a património mundial.
Projecto de autor, este livro tem colaboração fotográfica de Carlos Sargedas, Paulo Alexandre, Quaresma Rosa (nosso associado) e Simões Silva. Alguns dos poemas estão traduzidos, em trabalho que se deve a Ana Pereira (espanhol), Maria Eduarda Gonçalves (francês), Sara Monteiro (inglês) e Susana Ulrich (alemão).
A obra teve apoios das Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal, da Associação Cultural Sebastião da Gama, da Secil e do Finisterra Arrábida Film Festival.
A sessão de apresentação em Setúbal, orientada por Natália Abreu, teve a participação de Manuel Pisco (vereador da autarquia sadina), Helena Fragoso de Mattos e João Reis Ribeiro, para falarem sobre a obra, de Fernando Guerreiro (com a leitura de poemas) e de Manuel Guerra e David Sousa (com a interpretação de fado).
Além da apresentação pública de 27 de Abril, a obra foi também apresentada no Finisterra Arrábida Film Festival e, em datas a serem indicadas oportunamente, terá apresentações em Palmela e em Sesimbra.


Alexandrina Pereira em sessão de autógrafos 

Público na sessão de 27 de Abril 

Público na sessão de 27 de Abril 

Mesa que presidiu à sessão: Helena Fragoso de Mattos, Manuel Pisco,
Alexandrina Pereira e João Reis Ribeiro

Fernando Guerreiro dizendo poemas de Alexandrina Pereira

Manuel Guerra (voz) e David Sousa (viola) na interpretação de fados

sábado, 4 de maio de 2013

Dos associados - Memória: Marcus Vinicius de Moraes (1941-2013)




A Associação Cultural Sebastião da Gama perdeu mais um dos seus associados, o brasileiro Marcus Vinicius de Moraes (1941-2013).
Membro da nossa Associação (nº 258) desde Abril de 2007, acumulou a carreira profissional ligada ao exercício do Direito com a poesia. Formado em Direito, exerceu a advocacia e foi Juiz de Direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Com uma ligação intensa à literatura, é autor de obras de poesia e de crónicas como Sonhos e Quimeras, Retalhos d'almas, Palavras ao vento e Poços de Caldas do meu tempo, entre outros títulos. Fundador da Academia Poço-Caldense de Letras (que já distinguiu uma outra nossa associada, a poetisa Alexandrina Pereira), Marcus Vinicius de Moraes integrou o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico da cidade de Sorocaba, a International Academy of Letters of England (Londres), a Accademia Internazionale D’Arte Moderna (Roma) e o Grémio Literário e Poético do Seixal.