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"Estala de saudade o coração", o livro de Joana Luísa da Gama lido por Daniel Nobre Mendes

Ao reler o livro de memórias desta nonagenária velhinha – não apresento desculpas pela redundância pois que a vibração é tanta que me sinto no dever de ir na crista da onda de um rebate aflito de sinos dentro de mim! –, fico emudecido, embevecido pela e com a ternura cristalina com que Joana Luísa da Gama constrói o seu livro, uma obra bem organizada pela sequencia espácio-temporal dos relatos que a preenchem e enriquecem e pela simplicidade da linguagem, uma terminologia directa, escorreita, onde nunca faltam aqueles grandes assomos de feminil doçura ou de ais magoados que se deixam transportar dentro de testemunhos autênticos todos feitos de estalidos crepitantes, sendo eles as marcas de um olhar para trás, de má avença, uma saudade que nada devolve mas que vincam bem um pairar de voo de saudades irremediáveis e uma orfandade dolente que se nos transmite até ao rebentar da emoção pela rotura das lágrimas…. Na verdade, esta obra vem completar um poeta desaparecido há seis décadas, vem…

"Retrato a Sépia", de Paulo Assim, lido por Pedro Tamen

Pedro Tamen leu Retrato a Sépia, de Paulo Assim, a obra que ganhou o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama deste ano, e fez-nos chegar um pequeno comentário sobre o livro, que aqui se reproduz: «Li-o com toda a atenção e constituiu para mim uma grata surpresa. O autor demonstra um à-vontade no tratamento das palavras e um amor por elas que para mim são indiscutíveis marcas de um poeta a sério. Por outro lado, o livro revela uma unidade temática sem falhas que o torna particularmente aliciante. E acresce (excelente coincidência) que o espírito deste "Retrato a Sépia" não anda longe da natural simplicidade da obra do Poeta a que o prémio presta homenagem.»

Memória: Artur Agostinho (1920-2011) [que Sebastião da Gama indicou como modelo de leitor]

Artur Agostinho, o homem da rádio que atravessou gerações e também foi escritor, mereceu a admiração de Sebastião da Gama, conforme um registo que entra no Diário com a data de 14 de Janeiro de 1949. Nesse dia, ao falar com os alunos sobre a leitura, destacou várias condições e assinalou as qualidades de comunicador de Artur Agostinho na rádio nos seguintes termos:
«Conveniências de ler bem. (Para que nos oiçam; para que nos compreendam; para que se convençam. — Quem é que vai perder tempo a ouvir, na rádio, alguém que diz coisas estupendas numa leitura péssima? Mas todos ouvem com gosto o Artur Agostinho... — Quem é que compreende o que eu digo, se o que eu digo é incompreensível por incolor ou baço, apesar de significar claridade? — A quem comunicarei o meu entusiasmo se não falar entusiasmado, a minha tristeza se parecer que estou alegre, a minha necessidade de chegar depressa se der a mostrar que tenho muito tempo? »
Jornalista desportivo, Artur Agostinho desde cedo se dedicou ao jo…