quarta-feira, 30 de março de 2011

Memória: José Manuel de Noronha Gamito (1922-2011)

José Manuel de Noronha Gamito (1922-2011) foi amigo e companheiro de Sebastião da Gama. Aluno do Liceu de Setúbal nos anos 30, frequentou a Faculdade de Letras, integrou o Teatro de Estudantes da Faculdade de Letras e seguiu a carreira diplomática, tendo sido embaixador de Portugal na Suécia. Em 1992, publicou uma obra de memórias, Nesciedades. Faleceu no domingo, 27 de Março.

Do livro de curso Nós os Finalistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Fomos Assim… (1942-1946), reproduzo a caricatura de Noronha Gamito, bem como o poema que lhe é dedicado, escrito por Sebastião da Gama. - JRR

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (16)

Aspecto do público na sessão

[Um agradecimento aos autores das fotografias António Quaresma Rosa, Cília Costa e arquivo do jornal O Setubalense]

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (15)

Aspecto do público presente na sessão

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (14)

Aspecto do público presenta na sessão de apresentação

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (13)

Mesa da sessão - Carlos Rabaçal (Vereador da Câmara Municipal de Setúbal), Clara Rocha (que apresentou o livro), João Reis Ribeiro (coordenador da colecção das "Obras Completas" de Sebastião da Gama), Joana Luísa da Gama (esposa de Sebastião da Gama) e Manuel Aquino (Editorial Presença)

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (12)

Ana e Carlos Zacarias (Associação Cultural Sebastião da Gama), Celestina Neves (Junta de Freguesia de S. Lourenço - Azeitão), Graça Pereira (Junta de Freguesia de S. Lourenço - Azeitão), Manuel Varela (Associação Cultural Sebastião da Gama) e Pedro Tamen (em segundo plano)

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (11)

Vicência Rosa e António Cunha Bento (Associação Cultural Sebastião da Gama)

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (10)

Luís Gonzaga Machado (Mesa da Assembleia Geral da Associação Cultural Sebastião da Gama) e Joana Luísa da Gama (esposa de Sebastião da Gama)

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (9)

Rui Serodio (pianista), Fernando Guerreiro (actor) e mesa da sessão

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (8)

Rui Serodio (pianista, que acompanhou musicalmente a sessão) e Fernando Guerreiro (que leu excertos do Diário)

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (7)

Fernando Guerreiro (que leu textos do Diário), Maria Clementina e Luís Machado (em segundo plano, da Mesa da Assembleia Geral da Associação Cultural Sebastião da Gama)

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (6)

João Reis Ribeiro (coordenador das "Obras Completas" e director da Associação Cultural Sebastião da Gama), Manuel Herculano (Associação Cultural Sebastião da Gama), Clara Rocha (que apresentou a obra) e Manuel Aquino (Editorial Presença)

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (5)

Fernando Gandra e Maria de Fátima Medeiros (livraria Culsete)

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (4)

José Baptista e António Quaresma Rosa

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (3)

Maria de Fátima Medeiros (livraria Culsete) e Manuel Malheiros (Governador Civil de Setúbal)

Apresentação do ""Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (2)

Helena Machado, Joana Luísa da Gama, Ana Vieitos

Apresentação do "Diário" de Sebastião da Gama - Momentos (1)

Manuel Medeiros (livraria Culsete), Manuel Herculano (Associação Cultural Sebastião da Gama) e Manuel Aquino (Editorial Presença)

Apresentação da nova edição do "Diário", de Sebastião da Gama

Foi em 26 de Março, sábado, que a apresentação da nova edição do Diário, de Sebastião da Gama, obra pela primeira vez completa e anotada, aconteceu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, pela Editorial Presença e pela Associação Cultural Sebastião da Gama.
Aqui se reproduz a intervenção de João Reis Ribeiro, responsável pela colecção das "Obras Completas" de Sebastião da Gama, que teve como título inaugural o Diário.
Uma pergunta que me tem sido insistentemente feita é esta: o que traz esta edição do Diário de Sebastião da Gama de novo?
A questão é pertinente, sobretudo quando se sabe que esta obra já anda a ser editada desde 1958, ano em que o professor Hernâni Cidade, que também foi mestre de Sebastião da Gama na Faculdade de Letras em Lisboa, assumiu a sua primeira publicação com a chancela da Ática. Daí para cá, surgiram 13 edições – as duas últimas a cargo da Sebenta Editora –, que possibilitaram muitos leitores e alguns estudos sobre a obra, sobretudo na vertente pedagógica.
Que traz então esta edição de novo? Começarei pelo mais simples. É a primeira vez que o Diário de Sebastião da Gama é publicado na íntegra, dando a conhecer ao público a totalidade desse registo sem cortes, sem omissões. Com efeito, por razões editoriais, nunca esta obra foi publicada na íntegra ao longo destes 53 anos. As duas últimas edições acrescentaram mais alguma coisa ao que vinha sendo publicado, mesmo assim deixando ainda umas quantas páginas manuscritas de fora. Essas razões editoriais levaram a suprir até agora os fragmentos em que Sebastião da Gama reproduzia a mais genuína voz dos alunos, em texto pacientemente copiado das respostas de testes ou de exercícios, mantendo as faltas ortográficas ou sintácticas que os alunos apresentavam e conservando a frescura de alguns comentários.
Fosse porque os alunos eram muito novos na altura da primeira edição, fosse porque nem sempre foi achado interesse às respostas dos alunos, o facto é que essas transcrições foram mantidas em silêncio. Do meu ponto de vista, justifica-se que esta obra seja lida na íntegra porque um dos traços mais fortes da experiência pedagógica aqui relatada passa justamente pela voz que aos outros é dada neste Diário, o que alicerça também aquilo que foi a pedagogia que este poeta e professor pôs em prática. O Diário é um permanente exercício de reflexão sobre o quotidiano do educador e do poeta, que passa pelo diálogo com as respostas dos alunos, com as leituras feitas, que vai procurar formas de resolver problemas nesse mesmo quotidiano. Este Diário é o espaço em que se joga o frente a frente do professor consigo, tentando entender o porquê de ter procedido desta ou daquela forma, experimentando perceber após os acontecimentos o que levou a que o resultado fosse aquele, independentemente de ser bom ou menos bom. Por outro lado, o registo das respostas dos alunos dá colorido e confere autenticidade à história dos dias que vai sendo contada, não constituindo apenas uma recolha das respostas mais certas ou menos certas mas um desvendar o que pretenderiam os alunos dizer ao responderem desta ou daquela forma, um percepcionar o que estaria na base da construção de determinadas respostas e, a partir daí, construir caminhos de exploração.
A segunda característica que esta edição tem é constituída pelo conjunto de anotações, a aproximarem-se das três centenas. Não seriam indispensáveis, por certo, mas creio que enriquecem a leitura por várias vias: a primeira, pelas informações sobre nomes e circunstâncias da época – históricas ou sociais – que, ao longo do texto, se vão cruzando com o quotidiano do professor e vão deixando marca no Diário. Sobretudo para leitores mais novos ou pouco familiarizados com a época em que Sebastião da Gama escreveu ou com a sua biografia, estas notas pretendem acentuar esse colorido dos tempos de forma a não se ficar apenas pela sua espuma, visam prestar informação adicional relacionada com as referências textuais e chamar a atenção para a riqueza de experiências e de interferências que entravam na sala de aula e na reflexão escrita. Relacionada com esta finalidade está a segunda razão das notas, sobretudo daquelas que são orientadas para os autores mencionados e para as obras referidas: enquanto leitor, temos ao nosso alcance a vastidão das referências literárias de Sebastião da Gama, que atravessa várias latitudes e todas as épocas, sempre com a marca da apropriação, do comentário e da justificação. Vai-se-nos impondo o perfil de leitor que Sebastião da Gama também foi, numa relação muito íntima com o que ele pensava ser também a perspectiva cultural do professor, particularmente do professor de Português.
As notas pretendem, pois, fazer também essas chamadas de atenção para a riqueza da experiência de leitor, para uma vida também povoada pelas escritas dos outros, constituindo-se o professor quase como que um espelho antológico de saberes e de cultura.
A terceira marca que esta edição apresenta é a de ser fiel ao original escrito por Sebastião da Gama. Preferi organizar uma edição acessível a todos os leitores em vez de entrar pelo caminho da edição crítica, esmiuçando as alterações ou lapsos que as várias edições anteriores apresentaram. É verdade que houve distracções na transcrição do texto desde a primeira edição. Sebastião da Gama não dactilografou o seu diário, apenas o deixou manuscrito, numa caligrafia bastante legível, ainda que por vezes a pressão do momento ou o tempo que já levava de escrita naquele dia tenham deixado alguns sinais susceptíveis de causar dúvida. Recuperou-se pois a verdade do registo.
Por outro lado, nesta transcrição a partir desse original manuscrito foram também esquecidas as pequenas alterações que povoavam o Diário desde a sua primeira edição. Vou mencionar apenas um exemplo, o mais elaborado – em 24 de Janeiro de 1949, Sebastião da Gama escrevia, a propósito da tarefa de levar os alunos a gostarem de poesia: «E um belo dia acontece que lêem ‘A Moleirinha’ [de Guerra Junqueiro] com os olhos deslumbrados e torcem o nariz ao Silva Tavares.» Ora, o que no registo deste dia tem vindo a constar nas treze edições desta obra é o seguinte: «E um belo dia acontece que lêem ‘A Moleirinha’ [de Guerra Junqueiro] com os olhos deslumbrados e torcem o nariz a um mau poeta.» Ora, a graça de «torcer o nariz ao Silva Tavares» transformou-se no tom sério de «torcer o nariz a um mau poeta», assim se perdendo a leitura que Sebastião da Gama fazia de Silva Tavares, assim se ganhando um epíteto para Silva Tavares como “mau poeta”, que Sebastião da Gama não usou!... Bem sabemos que o mencionado Silva Tavares ainda era vivo na altura; mas também o Diário já era publicação póstuma! Por outro lado, o registo que Sebastião da Gama fez não era tão acentuadamente judicativo como depois veio a ficar…
Finalmente, a última diferença desta edição. Ao longo das onze primeiras edições, não constaram os anexos que Sebastião da Gama incluiu no seu diário, documentos resultantes de leituras feitas, transcrevendo ideias importantes de que ele pretendeu apropriar-se. Nas duas últimas edições, essas anotações de outros autores foram inseridas ao longo do texto, assim se alterando o ritmo de leitura do Diário, às vezes por várias páginas. Neste caso, a opção foi pela inclusão dessas transcrições como anexos no final do volume – omiti-las seria não dar a perceber a construção do professor e deixar vazias de significado algumas referências que vão surgindo no registo dos dias.
De novo, esta edição traz ainda um estudo sobre a obra de Sebastião da Gama e um roteiro cronológico de que ressalta o quanto foi feito numa vida de 27 anos, melhor, num tempo de 13 anos, já que esta tarefa de escrever passa a ser contínua desde 1939 – ano de que se lhe conhecem os mais antigos sonetos – até 25 de Janeiro de 1952, data do seu último texto.
Relativamente ao essencial da mensagem de Sebastião da Gama, esta edição não trará nada de novo talvez. Mas dá ao leitor a possibilidade de, mais meticulosa e atentamente, seguir o percurso verdadeiro que Sebastião da Gama quis legar, aí incluindo o desvendar dos caminhos que o levaram a ser o que foi ou, pelo menos, a ser o que nesta obra nos mostra.
Este Diário é um documento literário: na sua forma, integrando as marcas da escrita diarística; na sua mensagem, revelando um «eu» que comunica e se oferta, deixando muitas vezes ver linhas que estão presentes também na poesia de Sebastião da Gama, sendo mesmo difícil separar o percurso do professor do percurso do poeta.
Relata uma experiência sobretudo pedagógica, onde passam a forma de aproximar a literatura dos jovens, a criação do espírito de leitor, a educação para os valores, a nobreza do acto de educar.
É por todas estas razões que estou convencido de que este livro deveria ser lido por todos os professores, sem destaque para qualquer área específica. Mais: a sua leitura é recomendada a todos quantos se interessem pelas questões da educação, independentemente da função que nesse universo desempenham. Creio que, nos corredores da sociedade, se ganharia muito quando se falasse de educação depois de pensar com Sebastião da Gama…
Em boa hora a Editorial Presença aceitou encetar a publicação das «obras completas» de Sebastião da Gama pelo Diário. Daqui a onze títulos, teremos ao dispor do público o quanto o poeta da Arrábida produziu, mas começar pelo Diário, quando são passados mais de 60 anos sobre a sua escrita, é uma forma de olhar para o que de bom há na literatura portuguesa sobre educação, produzido com sensibilidade, comunicando sentimentos, partilhando experiências positivas e… com a frescura de ser um documento actual a exigir ser lido!
Professor que sou, era um diário como este que gostaria de ter escrito no momento em que esgotasse a minha profissão!

terça-feira, 29 de março de 2011

O que se tem feito?

Dos envolvimentos da Associação Cultural Sebastião da Gama só não temos dado notícias porque o tempo tem escasseado. Mas aqui fica o registo…

02.Março – Sessão com alunos da Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal, pela manhã. Pessoal interessado em saber coisas sobre o patrono da sua escola. No final, entre o ar entusiasmado e uma certa reserva, uma jovem veio pedir mais informação sobre essa colossal obra que é o Diário… estava com vontade de a ler!
18.Março – Sessão com alunos da Escola Secundária da Bela Vista, em Setúbal, pela manhã. Várias surpresas. Por exemplo: um power-point com várias ligações sobre Sebastião da Gama, preparado por um grupo de docentes da Escola; o entusiasmo de várias professoras que confessaram ter ficado a conhecer mais sobre o poeta da Arrábida; a dupla constituída pelo Bruno e pelo Francisco, que transformaram o poema “Conto em verso da princesa roubada” num rap bem à maneira. Depois, e ainda, as vozes do Edwilson, do Tiago, do Carlos, do Fernando, da Verónica, da Soraia e da Ana, que deram corpo a poemas diversos de Sebastião da Gama. Emocionante!
18 de Março – Sessão com os residentes da Casa do Professor (da Associação de Solidariedade Social dos Professores), em Setúbal, pela tarde. Forte! Ver como tantas pessoas, que já não estão directamente ligadas ao ensino, olham com enlevo para a história daquele que foi o autor do Diário, obra que os emocionou e os levou a serem melhores professores… Ver como, não havendo obrigatoriedade de os residentes assistirem, a sala se encheu e, durante hora e meia, comungaram na história deste professor e poeta arrábido… A mensagem de Sebastião da Gama fica para a vida. Que, tal como a Escola, deve ser o tempo de se ser feliz!

22 de Março – Sessão com alunos da Escola Básica 2, 3 de Azeitão, pela manhã, ali na terra do poeta, com jovens interessados e curiosos, que aguentaram o tempo todo, intervindo com perguntas e observações pertinentes para o seu saber. E a espontaneidade do dizer nas vozes da Mariana, do Martim, da Marisa e do Tomás! E a vontade que muitos manifestaram em participar na sessão… Têm génio estes jovens. E deixam-se fascinar por outro jovem que morreu com pouco mais do dobro da idade destes ouvintes. À entrada da biblioteca, uma exposição fotográfica chamava a atenção para outros poetas amigos de Sebastião da Gama… tudo servido à mesa da poesia: Couto Viana, Mourão-Ferreira, Matilde, António Osório… Parecia que estavam ali a lembrar também… A notícia e fotos podem ser vistas aqui.

24 de Março – Numa sessão com alunos na Escola Secundária de Palmela a propósito do Dia Mundial da Poesia e da Semana da Leitura, foram lidos vários poemas, aí se incluindo, além do “Maternidade” de Sebastião da Gama, aquele seu texto que ilustra uma página do Diário, em que fala sobre a necessidade de se afirmar a poesia perante os alunos assim justificando a sua criação da Semana da Poesia…

25 de Março – Não se falou de Sebastião da Gama, mas a Associação esteve lá presente. Foi na Escola Secundária Sebastião da Gama, pela manhã, onde se evocou o centenário de nascimento do pintor Luciano dos Santos (ocorrido justamente neste dia), numa palestra orientada pelo professor António Galrinho sobre o fresco que emoldura a escola, devido a este pintor, como alegoria do papel da escola nas artes, nas técnicas e na formação do indivíduo.

25 de Março – A Assembleia-Geral da nossa Associação decorreu com poucos associados nas instalações da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Vila Nogueira de Azeitão. Alguns sócios apareceram pela primeira vez e deram contributos interessantes para o desenvolvimento das actividades futuras. Contas e relatório aprovados, bem como o plano de acção para o ano de 2011, documento que a seu tempo dará frutos… Um registo, que não é original: como nas assembleias-gerais de outras instituições que trabalham no associativismo, estiveram presentes poucos associados, só tendo a reunião começado na segunda convocatória…

quinta-feira, 24 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Memória: Artur Agostinho (1920-2011) [que Sebastião da Gama indicou como modelo de leitor]

Artur Agostinho, o homem da rádio que atravessou gerações e também foi escritor, mereceu a admiração de Sebastião da Gama, conforme um registo que entra no Diário com a data de 14 de Janeiro de 1949. Nesse dia, ao falar com os alunos sobre a leitura, destacou várias condições e assinalou as qualidades de comunicador de Artur Agostinho na rádio nos seguintes termos:

«Conveniências de ler bem. (Para que nos oiçam; para que nos compreendam; para que se convençam. — Quem é que vai perder tempo a ouvir, na rádio, alguém que diz coisas estupendas numa leitura péssima? Mas todos ouvem com gosto o Artur Agostinho... — Quem é que compreende o que eu digo, se o que eu digo é incompreensível por incolor ou baço, apesar de significar claridade? — A quem comunicarei o meu entusiasmo se não falar entusiasmado, a minha tristeza se parecer que estou alegre, a minha necessidade de chegar depressa se der a mostrar que tenho muito tempo? »

Jornalista desportivo, Artur Agostinho desde cedo se dedicou ao jornalismo radiofónico, tendo trabalhado na Emissora Nacional a partir de 1945. Passou também por vários programas televisivos de entretenimento e participou em alguns filmes. É autor de Até na prisão fui roubado (1976), Português sem Portugal (1977), Ficheiros indiscretos: memórias (2002), Ninguém morre duas vezes (2007) e Flash-back - Uma história da vida real (2011). - JRR

Boletim Informativo nº 8 em distribuição

O oitavo número do Boletim Informativo da nossa Associação está a ser distribuído desde o final da semana passada. Constituído por oito páginas, integra os textos: “Nova edição do Diário – Pela primeira vez completa e anotada”; “Sebastião da Gama em cd – Vozes de Setúbal dizem o poeta da Arrábida / Escolas do concelho de Setúbal vão receber o cd como oferta // Apresentação do Presidente da ACSG”; “Quando José Hermano Saraiva falou sobre Sebastião da Gama”; “Antologia de homenagem a Sebastião da Gama”; “Luís Souta e Sebastião da Gama”; “In memoriam – António Manuel Couto Viana, Matilde Rosa Araújo, Pedro Eurico Correa Lisboa, João Manuel Gama Correia”; “Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2011”; “Falou-se de Sebastião da Gama”; “Sebastião da Gama no Coral Infantil de Setúbal”; “Sebastião da Gama, personagem em livro de Luísa Borges”; “Editorial”. Além de outra informação de interesse para os associados (como a convocatória para a próxima Assembleia-Geral), esta edição do Boletim integra ainda a reprodução facsimilada de um poema inédito de Sebastião da Gama, “Soneto ao Cintra”, datado de 5 de Março de 1943, data em que Luís Filipe Lindley Cintra, amigo do Poeta da Arrábida completava os seus 18 anos. - JRR

segunda-feira, 21 de março de 2011

No Dia Mundial da Poesia e no Dia Mundial da Árvore, um poema de Sebastião da Gama


Tradição


Os engenheiros vieram, mediram, olharam…
Havia árvores velhas…
Mandaram deitar abaixo
e os homens deitaram.
Sem lamentos, sem ais,
as árvores caíram…
Mas os engenheiros não puseram mais;
em seu lugar apenas
três cardos enfezados refloriram.
E os cardos vis são gritos de revolta
das sombras errantes pelo Ar;
das sombras que tinham por abrigos
aqueles freixos antigos
que o machado foi matar.
As sombras gritam, mas os engenheiros
Não põem freixos novos no lugar.
Sebastião da Gama
Azeitão, Novembro de 1942
(não publicado em livro)

sábado, 19 de março de 2011

Manuela Cerejeira: Diário de Sebastião da Gama - Exemplo no ensino da literatura

No 9º Encontro Nacional de Professores de Português, organizado pela APP (Associação dos Professores de Português) na Figueira da Foz durante os dias de ontem e de hoje, o Diário de Sebastião da Gama foi objecto de uma comunicação apresentada por Manuela Cerejeira, nossa associada e professora de Português, que abordou o ensino da literatura a partir desta obra do Poeta da Arrábida.
Por gentileza da sua autora, que agradecemos, aqui se reproduz o texto de tal comunicação. - JRR

Diário de Sebastião da Gama – exemplo no ensino da literatura
“Eu não quero ‘impingir’ versos aos meus alunos; quero abrir-lhes a janela da poesia.”

Diário, de Sebastião da Gama (1924-1952), é um relato do estágio feito pelo escritor enquanto docente de Português, nos anos lectivos de 1948-49 e 1949-50. Passam, assim, 60 anos sobre a produção desta obra, texto literário que oferece uma reflexão sobre a própria literatura e o seu ensino.
Pela índole poética do texto, bem como pelos traços do perfil do seu autor que nele estão expressos, Diário é uma peça fundamental para o estudo da obra de Sebastião da Gama.
Sebastião da Gama é um daqueles casos em que parece praticamente impossível dissociar o homem do artista. Muitos dos críticos que escreveram sobre a sua obra são pessoas que o conheceram de perto e que são unânimes em afirmar a proximidade entre a sua personalidade e a sua escrita.
E o que se diz, neste caso, acerca da impossibilidade de separar a obra poética do percurso biográfico e da personalidade do autor é verdade também para a sua actividade profissional, como o seu diário comprova: “Professor e poeta, afinal, mostra este documento, eram duas faces da mesma fisionomia espiritual e integravam-se na realidade concreta de uma singularíssima alma.”, escreveu Hernâni Cidade no prefácio para a 1ª edição do Diário (1958).
Este livro contém o relato de dois anos de leccionação da disciplina de Português na Escola Veiga Beirão, em Lisboa, no âmbito de um estágio pedagógico.
Por sugestão do professor metodólogo, Sebastião da Gama iniciou a escrita de um diário que viria a ser muito mais do que o registo das actividades realizadas durante as aulas, da preparação destas ou de observações acerca dos alunos. De facto, Diário apresenta-se como um texto literário repleto de marcas poéticas.
“Bem haja o metodólogo por esta ideia do diário. A gente, assim, pode olhar para trás e ver a vida. (...) Além disso, como palavra puxa palavra, vou carreando para aqui coisas que me interessam (...) e que o pó do tempo havia de velar, um dia.” (18 de Março de 1949).
Divide-se esta obra em quatro partes: as duas mais significativas têm como referência temporal os anos escolares de 1948-1949 e 1949-1950; entre ambas, surge um texto com o título “Uma página de férias” e, no final, um Apêndice, que apresenta uma nova experiência pedagógica, desta vez em Estremoz, no ano lectivo seguinte. Este apêndice é curto: menciona apenas o mês de Outubro de 1950.
A natureza dos textos é diversificada: encontramos desde simples notas de agenda – “Constipado. Ausente.” (12 de Novembro de 1949); “Não houve aula, por causa da recepção ao Senhor Marechal Carmona,” (7 de Fevereiro de 1949) – até longas descrições, cheias de pormenores, como a de Coimbra (25 a 29 de Abril de 1949) ou marcadamente líricas como a da Arrábida: “E que verde que é o mar em Outubro! E como tem outro som – um som só para nós, feito de propósito para os nossos ouvidos de gente que vive como num ventre! (...) A Arrábida é novamente uma ilha e nem sequer, se começa a chover, precisa ela da metáfora para ser uma ilha autêntica; mar salgado de uma banda, rio de lama por outra." (11 de Outubro de 1949)
Mas, obviamente, são os elementos pedagógicos e didácticos que ocupam a maior extensão do texto e que merecem um tratamento mais aprofundado.
Assim, encontramos referências:
 a actividades e estratégias
- leitura (“O que interessa, mais que tudo, é ensinar a ler”, 4 de Março de 1949),
- escrita,
- gramática contextualizada;
 à pedagogia do erro (“ensinar Português a partir do que estava errado”, 19 de Janeiro de 1949); “o erro é cheio de sugestões que é preciso aproveitar”, 21 de Fevereiro de 1949)
 à avaliação (“Quis acabar com ‘o terror da chamada’; é esse terror que leva a criança a faltar à aula, a inventar uma desculpa, a tremer perante o professor”, 24 de Janeiro de 1949); “além de que o número é uma avaliação tão tosca!”, 24 de Janeiro de 1949)
 à pesquisa de informação (15 de Outubro de 1949)
 ao recurso a meios visuais existentes na época (“fazer as aulas à base de fotografias”, 25 de Março de 1949)
 a iniciativas originais – semanas temáticas, “Biblioteca Girante”.
Gostaria de salientar a modernidade deste pedagogo, visível na adopção de determinados métodos, hoje considerados comuns, mas que à época (há mais de sessenta anos!), eram seguramente inovadores, se não mesmo revolucionários.
Refiro-me, por exemplo:
 ao reforço das atitudes positivas;
 a uma pedagogia diferenciada, que tenta atende à especificidade de cada aluno e que procura “levar os fracos ao nível próximo-possível dos fortes” (19 de Janeiro de 1949);
 à primazia dada ao desenvolvimento de competências de comunicação (“Afinal, do que precisamos nós? Bem pensar, bem dizer, bem escrever”, 17 de Novembro de 1949),
 a um processo ensino-aprendizagem que visa a autonomia, que se concretiza em detalhes simples, com seja levar os alunos a redigir o sumário da aula “dando assim notícia da sua capacidade de síntese” (14 de Janeiro de 1949).
O sucesso das tarefas propostas ou das estratégias desenvolvidas avaliava-o Sebastião da Gama com rigor e com uma grande exigência para consigo mesmo; mas também o fazia, muitas vezes, com emoção, pois vibrava com os momentos felizes e entristecia-se quando as coisas não corriam bem. “O que era bom era dar sempre uma aula como a de hoje!” (22 de Outubro de 1949); “E foi o que eu ontem não consegui...” (25 de Março de 1949).
A respeito dessas aulas que o deixavam insatisfeito, comenta: “Ser bom professor consiste em adivinhar a maneira de levar todos os alunos a estarem interessados, a não se lembrarem que lá fora é melhor” (25 de Março de 1949).
Importa salientar a extraordinária relação de amizade e companheirismo que Sebastião da Gama estabelece com os seus alunos, que é patente nas aulas e fora delas e que se prolonga no tempo, pois há antigos alunos que se escrevem com ele; o professor dá notícia desse facto com orgulho e satisfação.
O poeta-professor elogia a transparência e a sinceridade; não admite discriminações, contesta todo o tipo de autoritarismo e de imposição e valoriza a autonomia do discente: “não é mais interessante ser ele a encontrar, depois de ter procurado?”; “Eu não quero ‘impingir’ versos aos meus alunos; quero abrir-lhes a janela da poesia” (9 de Março de 1949).
O ensino da literatura liga-se, neste contexto, a uma educação para a estética (“perceber até ao fundo a beleza ou o tamanho do que se lê”) e para a sensibilidade.
Analisando as propostas apresentadas em Diário vemos como a abordagem do texto literário contribui para o desenvolvimento de outras competências linguísticas (compreensão/expressão oral, escrita, CEL) e para a evolução de competências pessoais.
Sebastião da Gama considera o ensino um meio propício para estabelecer laços; concebe as aulas como “pretexto para estar a conviver com os rapazes, alegremente e sinceramente” (11 de Janeiro de 1949); perspectiva a vida escolar como uma partilha de experiências e saberes: “(…) merece a pena sobretudo deixá-los falar, porque descobrem imensas coisas que nós já não somos capazes de descobrir” (11 de Fevereiro de 1949).
Esta ideia não é, obviamente, exclusiva do ensino da literatura; mas encontra nele um meio privilegiado. O contacto com a arte – neste caso, com o texto literário – leva à reflexão e ao auto-conhecimento, alarga horizontes, abre-nos ao mundo e aos outros. Dizia Sartre que um escritor revela o mundo aos outros homens. É importante que quem ensina literatura tenha esta consciência; Sebastião da Gama tinha-a.
Num excerto que é, porventura, o mais conhecido deste diário, o autor apresenta aos alunos aquilo que considera ser o seu objectivo e a sua missão: “O que eu quero principalmente é que vivam felizes. (...) Não sou, junto de vós, mais do que um companheiro um bocadinho mais velho. Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não: falar delas.” (12 de Janeiro de 1949).
Já aqui foi dito que, no caso de Sebastião da Gama, se torna impossível afastar o homem do poeta e o poeta do professor; estes últimos têm, aliás, muito em comum – é este o teor de uma reflexão feita por Sebastião, na sequência de um encontro com Miguel Torga, na Arrábida: “Disse ele da Poesia uma coisa, duas coisas que eu sempre tenho pensado (...) Primeiro, que é necessário que a Poesia venha ao nosso encontro; segundo, que é preciso, para a receber, ter as mãos purificadas”. (28 de Março de 1949) “Para ser professor, também é preciso ter as mãos purificadas.” (30 de Março de 1949) – acrescenta.
O que é específico desta obra, Diário, é, como dizia no início, o facto de ser um texto literário sobre o ensino da literatura; não é um livro técnico, não é um tratado de pedagogia nem um manual de didáctica: é um livro escrito por um poeta que é professor (ou por um professor que é poeta).
A missão de um poeta assemelha-se à que, ao longo de todo este texto, Sebastião da Gama reivindica para um professor: alguém que, em virtude daquilo que vive interiormente, leva os outros mais longe; alguém que conduz os alunos a uma outra dimensão da realidade, que os faz descobrir o que, antes, não viam; os poetas, tal como os professores, são aqueles que “(...) fazem de um nabo uma rosa, em vez de fazerem de uma rosa um nabo. Põem beleza e amor na vida e obrigam os outros a ver onde eles não eram capazes de descortinar.” (16 de Fevereiro de 1949).
Manuela Cerejeira

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sebastião da Gama e o "Diário" no congresso da APP

“Literatura, como te quero!? – A Didáctica da Literatura: Razões, Âmbito e Práticas” é o tema do 9º Encontro Nacional da APP (Associação de Professores de Português), que vai ter lugar na Figueira da Foz em 18 e 19 de Março.
Entre os autores que vão ser tema de comunicações consta Sebastião da Gama, numa conferência a ser apresentada por Manuela Cerejeira, nossa associada, sob o título “Diário de Sebastião da Gama – Exemplo de Ensino da Literatura”, que poderá ser ouvida a meio da manhã de sábado, 19.
Entre as outras comunicações constam temas como a didáctica da literatura, o cânone, a formação de leitores, a literatura na aula de Português, a poesia nas aulas de língua materna, o texto dramático ou o contrato de leitura. - JRR

sexta-feira, 11 de março de 2011

Dos associados (18) - Alexandrina Pereira e a Marcha de Lisboa 2011

Pela segunda vez o nome de um associado nosso está ligado à letra da marcha de Lisboa: para a edição de 2011, a autora escolhida foi Alexandrina Pereira, depois de, em 2010, ter sido José Raposo, também nosso associado. Aqui se reproduz a notícia saída no jornal O Setubalense de hoje que dá nota desta distinção. - JRR

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dos associados (17) – João Manuel Gama Correia (1927-2011)

Era o nosso associado nº 2. Entusiasta da construção do monumento a Sebastião da Gama, bem como da Associação Cultural Sebastião da Gama desde o seu início (para cuja criação contribuiu), nela desempenhou o cargo de vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral. João Manuel Gama Correia era primo do poeta de Azeitão e pai do estilista Nuno Gama, também nosso associado. Conhecido pela sua actividade comercial, exerceu também cargos dirigentes na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense.
A foto que aqui se reproduz recorda o momento em que João Gama participava, com outros dirigentes da Associação, num encontro com o escultor Francisco Simões, no Rossio de Azeitão, com vista à construção do monumento a Sebastião da Gama. Estávamos em 27 de Abril de 2006. – JRR

sábado, 5 de março de 2011

Dos associados (16) – Luís Amaro e António Osório e outras referências


A revista Ler, da Fundação Círculo de Leitores, atingiu o seu centésimo número, conseguido ao longo de um tempo de duas dúzias de anos. O número 100 de qualquer publicação é sempre motivo de efeméride, que, neste caso, só podia ser uma edição especial da revista, girando em torno desse número duplamente redondo, passando por recolhas como “100 capas”, “100 imagens de páginas”, “100 livros”, “100 figuras”, “100 ideias para o futuro” e “100 citações”, antologias a partir das colaborações e das entradas na revista ao longo da sua história.
Pelas “100 figuras” de portugueses passam dois dos nossos associados, que se juntaram à Associação quase no seu início. Refiro-me a Luís Amaro e a António Osório.
Quanto ao primeiro, Luís Amaro, consta na legenda da fotografia: “Sem ele, a literatura portuguesa do século XX teria muito menos recordações. Memória e arquivo de autores, de gerações e da Colóquio.” Afirmações justíssimas, porque merecidas e verdadeiras. Luís Amaro e Sebastião da Gama foram amigos e uma das recentes iniciativas que Luís Amaro levou a cabo foi a oferta ao Museu Sebastião da Gama dos livros autografados pelo poeta de Azeitão que tinha.
Quanto ao segundo, António Osório, são dele transcritos alguns versos que a revista publicou, bem como uma curta reflexão sobre as palavras na rubrica “100 citações” – “Mas eu entendo que as palavras precisam de ser limpas do sarro que as envolve. Do sarro, do lixo comum. E assim as palavras podem purificar-nos.” António Osório, que conheceu Sebastião da Gama, já em texto memorialístico deu conta deste seu relacionamento com o “poeta da Arrábida”.
Na rubrica das “100 figuras” passa ainda outro amigo de Sebastião da Gama, que o trouxe na memória até ao seu desaparecimento em 1996 – refiro David Mourão-Ferreira, amigo da Faculdade de Letras, companheiro de revistas, crítico dos seus livros. A legenda que acompanha a fotografia de Mourão-Ferrreira é um retrato certeiro: “O conhecimento da poesia, a poesia propriamente dita, uma delicadeza que nunca se perdeu numa vida inteiramente dedicada à literatura.”
Finalmente, uma outra referência que se cruza com Sebastião da Gama: Ruy Cinatti, cuja Obra Poética foi seleccionada para ser um dos “100 livros”. Em Maio de 1944, quando Sebastião da Gama ainda não tinha publicado nenhum dos seus livros, já Cinatti lhe anunciava o percurso na dedicatória que lhe pôs no livro Nós não somos deste mundo: “Ao jovem sucessor do Frei Agostinho Sebastião da Gama, afectuosamente, Ruy Cinatti”. Só um ano e meio volvido é que Sebastião da Gama publicou o seu primeiro livro, Serra Mãe, onde não faltam as referências à Arrábida nem os ecos de Frei Agostinho da Cruz! – JRR

Dos associados (15) - Alexandre Cardoso

Alexandre Cardoso, de S. Simão de Azeitão, é um dos sócios fundadores da nossa Associação, que, desde início, integra os órgãos sociais no Conselho Fiscal.
Alexandre Cardoso, primo de Sebastião da Gama, é neto de Alexandre Cardoso (1898-1943), a quem Sebastião da Gama dedicou o seu primeiro livro (Serra Mãe, 1945) e fundador do estabelecimento comercial que o neto dirige hoje, em S. Simão.
Foi a propósito desta casa centenária que o Jornal Municipal, editado pela Câmara Municipal de Setúbal fez reportagem na sua última edição (nº 38, Fevereiro de 2011), aí destacando também o nosso associado. - JRR