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Arrábida, a serra de um Poeta

“Arrábida – Serra de um Poeta” é filme de cerca de dez minutos com que Miguel Brazuna se apresentou ao concurso “Arrábida – Curtas e Doc’s 2011”, promovido pela AMRS no âmbito da candidatura da Arrábida a Património Mundial. O filme, disponível no Youtube, percorre imagens da Arrábida numa ligação com a mensagem da poesia de Serra Mãe, o primeiro livro de Sebastião da Gama (Lisboa: Portugália Editora, 1945). Relativamente a uma nota que aparece no final do filme sobre a ligação do poeta à criação da Liga para a Protecção da Natureza, bastará precisar que a Liga foi criada em 1948, na sequência de uma carta que, no verão de 1947, Sebastião da Gama fez chegar a um professor do Instituto Superior de Agronomia clamando pela protecção da Mata do Solitário. Sebastião da Gama não foi membro fundador da LPN, mas a criação daquela que é a mais antiga organização não governamental em prol do ambiente surgiu após ter sido ouvida a voz do poeta. Reconheça-se que este filme está repleto de sensibilid…

A Serra-Mãe como maravilha ou como paradoxo

A Arrábida está no centro de duas candidaturas que têm a ver com a sua beleza, com a sua especificidade, com a sua unicidade: é assim que surge na lista das nomeações para as “7 Maravilhas” de Portugal e também é assim que aparece na corrida para ser Património da Humanidade. A ternura pela Arrábida tem feito correr a inspiração de poetas – assim, de repente, surgem os nomes de Frei Agostinho da Cruz, de Alexandre Herculano, de Sebastião da Gama, de Miguel de Castro, entre muitos outros. Mas foi Sebastião da Gama, quando tinha 23 anos, quem assumiu a defesa da Arrábida também por uma questão de cidadania, intervenção que valeu, em 1948, logo no ano seguinte a essa sua intervenção, a criação da Liga para a Protecção da Natureza. Esse gesto do “Poeta da Arrábida” foi lembrado na crónica que Carla Graça, presidente do núcleo sadino da Quercus, publicou no jornal digital Setubalnarede de ontem e que pode ser lido aqui. Para lá da nossa adesão aos encantos arrabidinos (indiscutíveis!), vale …