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Sebastião da Gama evocado em 13 de Abril (II)

[Na evocação promovida para evocar Sebastião da Gama, realizada pelo Museu Sebastião da Gama na tarde de 13 de Abril, uma das intervenientes foi a sua aluna Acilda Fragoso, estremocense, de quem aqui se regista o testemunho que na altura apresentou.]
Acilda Fragoso no momento do seu testemunho, acompanhada por José Catalão (Câmara Municipal de Setúbal) e por Maria Barroso (colega de Sebastião da Gama na Faculdade de Letras de Lisboa)
Sebastião da Gama foi uma lufada de dinamismo e alegria que quebrou a pasmaceira de Estremoz e a monotonia das nossas aulas. A maneira apaixonada como falava e o seu jeito expressivo e sincero incutiam-nos o gosto de o ouvir e aprender. Creio que o nosso professor estava-se nas tintas para os programas ou então chegava até eles por meios muito próprios, tentando sempre primeiro despertar-nos o interesse lendo um excerto de algum escritor ou um poema. Não me esqueço do dia em que levou para a aula Os Simples do Guerra Junqueiro e nos Ieu a primeira parte do “P…

Azeitão: Sebastião da Gama em pinturas de Carlos Godinho

Carlos Godinho é natural do concelho de Estremoz. Ligado às artes, tem formação em Educação Visual e tem praticado a pintura, a ilustração e a colaboração na imprensa. Participou em numerosas exposições, colectivas e individuais e está representado em variadíssimas colecções, em Portugal e no estrangeiro. Em 2005, em Estremoz, organizou uma exposição intitulada “Aqui, pelo sonho é que vamos (poemas de Sebastião da Gama)”, em que a obra do poeta azeitonense – que também foi professor em Estremoz – serviu como tema. A obra de Sebastião da Gama volta a ser pretexto para a exposição que será inaugurada em Azeitão, na tarde de 3 de Setembro. “Pelo sonho pintando…” é o seu título e o ponto de partida são os poemas publicados no livro Estevas, obra póstuma, de 2004. A exposição vai estar patente no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, até 26 de Novembro e constituirá um bom ponto de partida para o conhecimento da obra de Carlos Godinho, bem como para a obra de Sebastião da Gama. Um bom pretexto…

Quando Sebastião da Gama escreveu na imprensa…

Sebastião da Gama tinha 16 anos quando viu o seu primeiro texto publicado num jornal: o poema “Portugal Independente”, conotado com o momento histórico que se vivia – as Comemorações Centenárias –, saído no jornal montijense Gazeta do Sul em 8 de Dezembro de 1940. Neste periódico colaborou durante três anos, com poemas, assinados pelo único pseudónimo que usou publicamente – Zé d’Anicha, em homenagem a um recanto da sua Arrábida. A sua vontade de publicar era grande e insistente, assim se percebendo as missivas que, na rubrica “Correio Geral”, o jornal enviava para o jovem Sebastião da Gama, da Arrábida, respondendo-lhe que os seus poemas seriam publicados logo que chegasse a respectiva altura, seguindo a ordem de recepção dos textos dos colaboradores no jornal. A sua participação teve efeitos sobre os leitores, porquanto vários poemas foram publicados neste jornal, tendo como destinatário o Zé d’Anicha, assinados por pseudónimos como “Elvense que adora música”, “JC um barreirense” e “…

Joaquim Vermelho e "o rapaz da boina"

Em Abril de 2006, numa passagem por Estremoz, quis ver onde era o Largo do Espírito Santo, residência que foi de Sebastião da Gama quando ele lá leccionou na Escola Industrial e Comercial (hoje, Escola Secundária Rainha Santa).
Chegado ao Rossio, visitei o Museu de Arte Sacra e perguntei a uma senhora (que andaria pelos 60 anos) onde era o Largo do Espírito Santo. Logo a conversa se estendeu. O que ia eu ver ao sítio, quis ela saber. Lá lhe disse ao que ia. Subitamente, o seu olhar animou-se: “Oh, o senhor doutor Sebastião da Gama! Lembro-me tão bem dele! Com a boina, os livros… e também me lembro da mulher dele. Ela ainda é viva? Ele era tão boa pessoa… Gostávamos muito dele…” Creio que a senhora não chegara a ser aluna dele, mas recordava-o e descrevia-o como se o tivesse visto havia pouco. Já tinham passado 54 anos sobre a sua morte…
Fiquei impressionado com a vivacidade da senhora, num olhar e num recuo no tempo, quase virando outra vez criança que contemplava o professor da boina q…

O dia em que Sebastião da Gama partiu...

Cemitério de Vila Nogueira de Azeitão
Pelas 8h30 da manhã de 7 de Fevereiro de 1952, falecia, no Hospital de S. Luís, em Lisboa, Sebastião da Gama, chegado na véspera de Estremoz. A tuberculose, de que padecia desde a sua juventude, vencera-o, pondo-lhe fim a um percurso de 27 anos, cheio de escrita e de leitura. Pelo caminho, ficavam três livros de poesia, uma licenciatura com tese sobre a poesia social, alguns (poucos) ensaios, muita colaboração jornalística, uma curta mas intensa experiência de ensino (nas Escolas Industrial e Comercial de João Vaz, em Setúbal, Industrial e Comercial Veiga Beirão, em Lisboa, e Industrial e Comercial de Estremoz) que teve direito a uma reflexão diarística incluída no título póstumo Diário (1958), muitas amizades (e muita consternação) e uma obra literária para conhecer (e para publicar).
De acordo com o testemunho de sua mulher, Joana Luísa da Gama, a última palavra que lhe foi ouvida foi a palavra “poesia”. Apesar de a sua escrita mais conhecida ser …