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Sebastião da Gama entre os "Poetas (d)e Azeitão"

O título “Poetas (d)e Azeitão” diz tudo – a naturalidade ou a temática azeitonense presentes na poesia ao longo dos tempos. Simultaneamente, uma homenagem aos poetas locais, com particular incidência nos poetas populares. E o visitante passa assim por pouco mais de uma dúzia de nomes, em que coabitam alguns consagrados com outros que, embora epígonos, vão preenchendo a poesia dos dias com os versos com que alimentam a vida. Alguns destes poetas têm obra publicada em livro; outros nunca reuniram os seus escritos para publicação; outros ainda divulgam-se em sítios de poesia na internet. A exposição, cujo trabalho de recolha se deve sobretudo a Vanda Rocha, pode ser vista até 28 de Janeiro no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, onde convivem rimas de Alcindo Bastos, António Poeiras, Arronches Junqueiro, Carlos Alberto Ferreira Júnior, Francisco Teles, Joaquim Caineta, Joaquim Oliveira, José Gago, Manuel Frango de Sousa, Manuel Maria Eusébio (“Calafate” – cujo centenário de falecimento p…

No Dia Mundial da Poesia e no Dia Mundial da Árvore, um poema de Sebastião da Gama

Tradição

Os engenheiros vieram, mediram, olharam…
Havia árvores velhas…
Mandaram deitar abaixo
e os homens deitaram.
Sem lamentos, sem ais,
as árvores caíram…
Mas os engenheiros não puseram mais;
em seu lugar apenas
três cardos enfezados refloriram.
E os cardos vis são gritos de revolta
das sombras errantes pelo Ar;
das sombras que tinham por abrigos
aqueles freixos antigos
que o machado foi matar.
As sombras gritam, mas os engenheiros
Não põem freixos novos no lugar.
Sebastião da Gama Azeitão, Novembro de 1942
(não publicado em livro)

A escola, ecossistema da sociedade (a propósito de um poema de Sebastião da Gama)

Tempos da Escola

Aquela escola velha , outra mãe
em que eu bebi o leite do Saber,
Inspira-me saudades, só de a ver,
desse tempo que foi e já não vem.

Tempos felizes esses, em que eu ia,
a mala negra ao ombro, o rir na face,
pra que na minha mente se amostrasse,
em vez de escura noite, claro dia.

Tempos que se perderam no passado,
como as águas do rio no mar salgado,
esses são, em que eu lia João de Deus

e em que a palavra “amor”, a vez primeira
desta vida cruel e traiçoeira
disseram, soletrando, os lábios meus!
Vila Nogueira, 22/XI/1941 Sebastião da Gama (inédito)

A escola. Primeiro grupo social com o qual o jovem Sebastião é confrontado, representa uma mãe que lhe irá saciar a fome do Saber. Alegria e saudade sentidas apenas com dezassete anos de idade, mas com uma maturidade induzida pelo sofrimento de conhecer, desde os catorze, os condicionamentos impostos por uma doença para a qual não se conhece a cura. A um ano do ingresso na Faculdade de Letras de Lisboa, já recorda com saudade a criança e a …