sábado, 19 de fevereiro de 2011

Mostrar a Arrábida em fotos, curtas e doc's


Atenção, amantes da imagem! Atenção, amantes da Arrábida!
No âmbito da apresentação da candidatura da Arrábida a Património Mundial da Humanidade, a Associação dos Municípios da Região de Setúbal está a promover os concursos “Arrábida Foto” e “Arrábida – Curtas e Doc’s”. A intenção é “incluir também os cidadãos” no processo desta candidatura.
O tema, segundo os regulamentos, deverá ter “como inspiração a ocupação humana na Arrábida e toda a sua cultura, a fauna, a flora, o trabalho e o lazer”. A entrega dos materiais a concurso deverá ocorrer até 31 de Maio e, entre 20 de Junho e 15 de Julho, acontecerá a selecção dos vencedores por parte do júri e também pelo público, através de uma votação online. Os regulamentos podem ser consultados aqui.
Agora… toda a imaginação para a Arrábida do nosso encanto! – JRR

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Diário, de Sebastião da Gama - pela primeira vez completo

É já a partir da próxima semana que o leitor poderá encontrar nas livrarias a mais recente edição do Diário, de Sebastião da Gama, título que inaugura a colecção das suas “Obras Completas” (Lisboa: Editorial Presença), em que serão incluídos os títulos já publicados e textos até hoje inéditos ou nunca publicados em livro (declaração de interesses: sou coordenador da colecção).
Relativamente a esta edição do Diário, as novidades resultam do facto de ser a primeira edição completa da obra que Sebastião da Gama legou (uma vez que as anteriores edições sempre omitiram partes do manuscrito por razões editoriais) e de ser uma edição anotada (por onde passam quase três centenas de notas de contextualização ou informação adicional).
Não sendo uma edição crítica, esta edição do Diário é estabelecida a partir do original manuscrito do professor e poeta. Num total de 356 páginas, o volume integra, além do escrito de Sebastião da Gama, o estudo introdutório “Sebastião da Gama: A Voz do Poeta – Da Poesia e do Diário” (48 páginas), “Para uma cronologia de Sebastião da Gama” (16 páginas), o prefácio da primeira edição (1958) e um conjunto de sete anexos que Sebastião da Gama incluiu no seu diário.
Obra que contém referências pedagógicas ainda hoje válidas, que dá voz aos alunos protagonistas da experiência lectiva vivida por Sebastião da Gama em Lisboa e em Estremoz, que é marcada pelo espaço de reflexão do professor perante as aulas leccionadas e perante o seu público, que dá uma imagem do que pode ser o professor de Português, que se afirma também como documento literário, este Diário bem deveria ter leitura obrigatória por parte de todos quantos se interessam pela causa da educação (independentemente do papel que aí desempenham).
Recorde-se que, em Abril de 2010, um conjunto apreciável de excertos desta obra mereceu tradução italiana (Frammenti di ‘Diario', tradução de Maria Antonietta Rossi) e integra o curriculum académico na Universidade de Viterbo. - JRR

Dos associados (14) - Pedro Eurico Correa Lisboa (1924-2011)

O Público de hoje anuncia a missa de 30º dia do Professor Doutor Pedro Eurico Correa Lisboa (que ocorrerá amanhã). Era o nosso associado nº 71, praticamente desde que a Associação Cultural Sebastião da Gama foi criada.
Amigo de Sebastião da Gama, foi também o seu médico na parte final da doença que o vitimou em 1952. Foi na casa família Lisboa, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, que Sebastião da Gama se acolheu quando tinha de permanecer na capital ao longo do seu curso de Românicas, em que era colega de Eurico Lisboa, irmão de Pedro e de João Lisboa.
Pedro Eurico Correa Lisboa ficou conhecido na área da diabetologia, em que se especializou, tendo trabalhado em Boston e em Lisboa, no Hospital de Santa Maria e na Faculdade de Medicina de Lisboa. Deixa vasta obra no domínio médico, de que se recordam títulos (alguns em co-autoria) como: Diabetes (1955), Hiperglicémias (1957), Tratamento Dietético da Diabetes (1962), Diabetes Lábil – Considerações sobre a sua patologenia e clínica (1965) e Relance sobre a História da Medicina Contemporânea. A farmacêutica Bayer homenageou-o há poucos anos, atribuindo o seu nome a uma bolsa dedicada à investigação.
Mário Viana de Queiroz, médico ligado à reumatologia e à Faculdade de Medicina de Lisboa, em texto disponível na net, historiou os serviços da sua especialidade no Hospital de Santa Maria e testemunhou sobre Pedro Eurico Correa Lisboa, exaltando também o seu elevado sentimento humano: “As suas primeiras consultas demoram, em média, 2 a 3 horas e no final do interrogatório pergunta sempre aos seus doentes se têm algum remorso, algum problema por resolver, um espinho cravado no coração por causa da mulher, dos filhos, da família, do trabalho, dos colegas.”
Pedro Lisboa colaborou no quarto número do Boletim da Associação Cultural Sebastião da Gama com um texto intitulado “A Doença do Sebastião”. - JRR

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sebastião da Gama - 7 de Fevereiro, 59 anos depois, com testemunhos de Matilde Rosa Araújo


Faz hoje 59 anos que faleceu Sebastião da Gama, quando contava 27 anos. Poucas semanas depois, no início de Abril, mês em que se celebraria o aniversário do poeta, Matilde Rosa Araújo, em texto não assinado, escrevia uma nota evocativa no jornal monçanense A Terra Minhota (01.Abr.1952, pg. 3), aí deixando o seguinte testemunho:
Devem chorar as fontes, as urzes, o mar, o folhado doce da doce Arrábida. Nós sabemos que choram como lhes sabemos a cor e o perfume. Morreu já lá vai um mês e mais – foi no dia 7 do mês de Fevereiro e ainda nos parece que não – que Ele não está connosco… Parece-nos que Ele há-de vir de boina ao lado, um cravo vermelhinho na mão, cheio de alegria, de braços abertos para nós. Pode lá morrer alguma vez o Sebastião! O Sebastião que a todos se dava numa dádiva imensa e luminosa.
Ainda no mesmo mês, no Jornal de Sintra (nº 952, 13.Abr.1952), Matilde Rosa Araújo, eterna amiga do poeta da Arrábida, assinaria um outro texto de memória a sobrelevar a amizade e o fascínio da poesia de Sebastião da Gama, dizendo a dado passo: “Os que te quiserem cantar que vão à Arrábida e que leiam os teus versos, lendo a serra, lendo o mar.
Uma e outra citação, vindas de quem vêm e tantos anos depois, são outros tantos convites ao conhecimento da obra e à leitura de Sebastião da Gama. - JRR
[Na foto: rosto da medalha cunhada pela Associação Cultural Sebastião da Gama,
com desenho de Francisco Salter Cid a partir de fotografia de Sebastião da Gama.]

Aditamento umas horas mais tarde:
Pelo menos a propósito deste postal, vale a pena o leitor passar pelo blogue do Manuel Medeiros e ler o que, a propósito desta evocação, o Livreiro Velho registou. O caminho é por aqui.