«Assim como se
podem escrever asneiras com uma máquina de escrever do último modelo, se podem
fazer disparates com os sistemas e aparelhos mais perfeitos para ajudar a não
fazê-los. (…) O verdadeiro processo é pensar; a máquina fundamental é a
inteligência.» Fernando
Pessoa
A minha primeira nota é sobre a relação de Pessoa com a palavra e recorre a uma frase de Bernardo Soares: “O que sinto é (sem que eu o queira) sentido para se escrever que se sentiu. O que penso está logo em palavras.” Nenhum ser humano, creio, mais do que Fernando Pessoa, explicou e se explicou tanto através da palavra escrita. É o caso quando, na sua condição de empregado de escritório e, em curtos períodos, pequeno empresário, escreve sobre temas de Administração. Antes de mais, eis o que sempre lembro quando falo de Pessoa. Nos seus diversos heterónimos, e também em cada um deles, ele manifesta, com consciência do facto, pensamentos de sinal contrário. A sua natureza obrigava-o à procura das oposições, nas diversas…
A minha primeira nota é sobre a relação de Pessoa com a palavra e recorre a uma frase de Bernardo Soares: “O que sinto é (sem que eu o queira) sentido para se escrever que se sentiu. O que penso está logo em palavras.” Nenhum ser humano, creio, mais do que Fernando Pessoa, explicou e se explicou tanto através da palavra escrita. É o caso quando, na sua condição de empregado de escritório e, em curtos períodos, pequeno empresário, escreve sobre temas de Administração. Antes de mais, eis o que sempre lembro quando falo de Pessoa. Nos seus diversos heterónimos, e também em cada um deles, ele manifesta, com consciência do facto, pensamentos de sinal contrário. A sua natureza obrigava-o à procura das oposições, nas diversas…