sexta-feira, 27 de abril de 2012

Para a agenda: hoje, poesia de Sebastião da Gama e de Miguel de Castro


Hoje, pelas 21h00, no âmbito das celebrações em honra de Sebastião da Gama, o Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, vai ter poemas do seu patrono e de Miguel de Castro.
Entre os dois poetas houve apreço mútuo e intensa amizade. Sebastião da Gama descobriu Miguel de Castro e abriu-lhe portas; Miguel de Castro nunca esqueceu essa oportunidade nem se descuidou nas qualidades que o mestre lhe apontara...
Os poemas dos dois vão ser ditos por Carlos Rodrigues ("Manuel Bola"), com acompanhamento musical de Albano Almeida. Às 21h00, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão.
Uma realização da Associação Cultural Sebastião da Gama, em parceria com o Museu Sebastião da Gama e com a Câmara Municipal de Setúbal.
Serve de convite. Passe a palavra.

sábado, 21 de abril de 2012

Para a agenda: António Manuel Couto Viana biografado por Ricardo Saavedra


António Manuel Couto Viana foi amigo de Sebastião da Gama, tendo ambos convivido no círculo de amizades de David Mourão-Ferreira e em torno da revista Távola Redonda. Foi nosso associado desde o início, tendo participado em várias sessões levadas a cabo pela Associação Cultural Sebastião da Gama.
No final da vida, um amigo, Ricardo Saavedra, fez-lhe longa entrevista, em muitas horas e tardes de conversa, de que haveria de nascer um livro. Couto Viana disse-se para esse livro, mas não o chegou a ver. Essa extensa conversa-livro, produzido a quatro mãos, vai ser agora apresentada, sob o título António Manuel Couto Viana - Memorial do Coração (Quetzal Editores), enriquecendo o programa da edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa.
Na contracapa da obra, pode ler-se:
«Este Memorial é um inusitado passeio pelos meandros culturais da segunda metade do século passado. Os protagonistas desdobraram o roteiro numa incontida conversa a quatro mãos, que começa ao lado do conjunto monumental da sala de visitas de Viana do Castelo e, sem paragens, se vai desenrolando em diferentes locais, de Braga a Lisboa, de Coimbra ao Porto, ou mais longe, do Brasil a África, a Macau e a tantos outros míticos recantos no oriente do Oriente.
Em busca de quê? Do ‘coração sensitivo e letrado’, do Poeta que nasceu no palco, que introduziu o teatro infanto-juvenil em Portugal e ressuscitou o teatro de títeres, que durante duas décadas teve, só na capital, quase um milhão de crianças a esgotar os seus 1800 espectáculos, e que em peças para adultos deu uma lufada de ar fresco nos obsoletos tablados. Que se amesendou na Távola Redonda para reformular o lirismo vigente.
Foi o Poeta que mais escreveu sobre os seus irmãos poetas, chegando a criar-lhes um dicionário, pois passou a vida a divulgar o lado nem sempre visível da cultura da sua geração. Daí que neste passeio se cruzem nomes, muitas centenas de nomes, artistas de gabarito ou nem tanto e literatos de todas as safras, sem se olhar às cores da tinta, antes ao talento da obra. E, quando todas as paisagens parecem esgotadas, quando nos julgamos chegados ao ponto de não regresso, eis que, de repente, surge o velho de novo. António Manuel Couto Viana volta, por mão própria, nestas páginas.»
A obra recolhe ainda testemunhos sobre o entrevistado e é completada com um acervo fotográfico e diversa iconografia relacionada com Couto Viana.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sebastião da Gama: poemas para os amigos

Muitos dos poemas que Sebastião da Gama escreveu tiveram dedicatórias para amigos, sobretudo nos manuscritos – são cerca de quatro dezenas os poemas publicados nos três livros por si editados (Serra Mãe, 1945; Cabo da boa esperança, 1947; Campo aberto, 1951) que, não tendo dedicatória nos livros, foram dedicados em manuscrito. A prática era normal em Sebastião da Gama, que gostava de se apresentar como poeta: partilhar poemas com os amigos, não só a dádiva por ouvirem o texto acabado de surgir, mas também a entrega do documento escrito, de que o poeta fazia várias cópias para ofertar.
Há, no entanto, cerca de trinta poemas que tiveram destinatário especificado, motivados que foram por essa prática do livro de curso a encerrar o tempo universitário de uma licenciatura. Sebastião da Gama escreveu para vários amigos e em várias dessas publicações. Cerca de três dezenas é o número de poemas nessas circunstâncias que conseguimos apurar até agora. Dessa produção quase não ficou registo e existem escassos manuscritos desses mesmos testemunhos de afecto.
São esses textos – “poemas para os amigos” – que aqui se mostram, tal como foram publicados na época, originários de seis livros de curso, cinco deles da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e o outro da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Obviamente, aquele que recolheu mais colaboração foi o livro de curso de Sebastião da Gama, com dezoito poemas.
Dessa produção (que pode não estar ainda toda reunida, insiste-se), apenas um poema foi seleccionado por Sebastião da Gama para figurar num dos seus livros: o dedicado a Maria Virgínia Pereira de Oliveira, sua colega de curso, cujo primeiro verso é “Como as ondas dos lagos”, incluído no segundo livro, o Cabo da boa esperança, sob o título de “Desenho”.
Em obra póstuma, mais quatro destes poemas, do curso de 1946-1950, foram incluídos em livro – são os dedicados a Irene Lima Mendes, Maria do Sameiro Brum Lopes Prieto, Maria dos Remédios Cid Castelo-Branco de Carvalho e Maria Sara Pinto da Cruz Malato, que foram escolhidos por António Manuel Couto Viana, António Osório e Luís Amaro para o corpo de Estevas (2004).
Duas observações mais são ainda devidas: a de existir um poema manuscrito de Sebastião da Gama dedicado a José Gonçalo Chorão de Carvalho no exemplar do livro de curso de 1941-1945 que pertenceu ao poeta, ainda que esse poema não tenha visto a letra de imprensa, ignorando-se por isso se não foi inserido por esquecimento ou se foi produzido após a publicação do livro; finalmente, na página consagrada a Maria Eduarda Ventura Carreiro, há um longo poema que, num exemplar que Sebastião da Gama ofereceu aos seus amigos Alberto Fialho e Lourdes Fialho, foi dividido em três partes pelo próprio poeta, tendo sido aposta a sua assinatura numa dessas partes, ficando a ideia de que, por lapso tipográfico, terão sido juntos três poemas num único, com uma única assinatura de autor, sendo que um deles seria de Sebastião da Gama.
A obra que até hoje se conseguiu reunir a partir dos livros de curso tem as seguintes dedicatórias: no Álbum dos Finalistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – Curso de 1940-1944, Maria Margarida Rosa Niny Teixeira e Miguel Emauz Leite Ribeiro; no Novíssimo Cancioneiro – Curso de 1941-1945 – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Matilde Rosa Lopes de Araújo; em Nós os Finalistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Fomos Assim… de 1942 a 1946, Cristina de Sampaio, Maria Margarida León da Silva, Maria Normanda Guedes Fernandes, Carmen – Manel, Eurico Lisboa, Júlia do Carmo Coelho dos Reis Lucas Gomes Ferreira, Maria Alice Gyrão Calheiros Botelho Moniz, Maria da Ascenção Ferreira Custódio de Morais, Maria Eduarda Ventura Carreiro, Maria Helena Freitas Serra, Maria Leonor Fernandes Machado Pereira, Maria Virgínia Pereira de Oliveira, Maria Vitória Pimenta Brisson, Ana Maria Pais Rovisco Andrade Carrêço, Isis Pereira Esteves, Maria Clementina de Magalhães Pessoa, Francisco António Vidal Abreu Alçada Padez e José Manuel de Noronha Gamito; em Ao cabo das tormentas – Faculdade de Letras – Universidade de Lisboa 1945-1949, Maria de Lourdes Costa Artur; em Finalistas de Letras – Universidade de Lisboa – Curso de 1946-1950, Irene Lima Mendes, Maria do Sameiro Brum Lopes Prieto, Maria dos Remédios Cid Castelo-Branco de Carvalho, Maria Irene Ribeiro Gonçalves da Silva e Maria Sara Pinto da Cruz Malato; em Livro dos Quartanistas de Letras – Coimbra – 1949, Maria Luiza Tavares e Sousa.
Poderíamos ser tentados a ver estes textos como poemas de circunstância, dada a filosofia e características dos livros de curso. No entanto, mesmo aí, a poesia de Sebastião da Gama não se desvia do cunho temático que a enforma: a música, a poesia, a alegria, a Natureza, a ironia, as referências literárias, o sonho, a infância, a mulher, a vida.
JRR

terça-feira, 10 de abril de 2012

"...Poesia..." ou Sebastião da Gama vivo!



O ano que decorre é assinalado por dois acontecimentos que marcam a nossa memória colectiva — o dia em que morreu o poeta, já assinalado, e o dia em que o poeta deixou os braços do ventre materno para se espraiar nos parámos celestiais de uma outra existência que tudo, afinal, sobreleva, este 10 de Abril do parere para se descobrir, descobrir os outros e com eles ser uma interacção duradoura e humaníssima.
Na verdade, em verdade e pela verdade incorrupta, Sebastião da Gama é um poeta de eleição, um pedagogo ímpar e um homem sensível que sobrepuja a dor, transcende a mágoa e tece girândolas de alegria à existência de estar vivo:                      
                         
                        “A parte que lhe coube por destino,
                        tem de morrer deixando-a já cantada.
                        Que faz que a não escutem nem lhe
                                                           Acudam?
                        É preciso é sentir que se está vivo.
                        É preciso é que as asas que
                                                          sosseguem
                        o  tenham merecido”

como escreveu David Mourão Ferreira no fascículo nº12 de Távola Redonda aquando da amaríssima despedida do seu companheiro de arte e do seu dilecto amigo de sempre.
Também José Régio se lhe dirige em termos filosóficos, desta feita nos fascículos nºs 16 e 17 das mesmas folhas de poesia, assim: “… não obstante, compreendo agora como certa gravidade da obra de Sebastião da Gama — essa profunda gravidade que em vários seus poemas tão admiravelmente ombreia com a graça, a frescura, a juvenilidade, até a malícia, quer dos mesmos quer dos poemas vizinhos — era ganhada na convivência da Morte: essa morte à qual, num dos mais tocantes e complexos gritos do nosso lirismo, ele pede a Deus o poupe, por ainda se não julgar digno dela! Só tal conveniência, que é a dos que vão morrer ou pressentem morrer cedo ou vivem mortos para as superficialidades da vida corrente, – ainda que tão vivos, como Sebastião da Gama, para todas as amabilidades do Momento eterno — só tal conveniência ensina coisas que também só a verdadeira Poesia comunica.”.
Efectivamente o meu amado, que hoje nasce, regressa sempre, sempre à sua dinâmica de afectos, tanto pessoais que derrama sobre o que de mais humilde existe como no que de maior complexidade imagética concebe — o regresso à genuína matriz lírica da feitura da poesia portuguesa. Espantoso é como um menino, o meu menino que hoje para nós veio no e ao misterioso despontar da luz da vida humana, saiba e possa chorar, ao mesmo tempo, tanto como nascituro imaculado como adulto prematuramente amadurecido e puro. Espantoso, também, é como uma criança soube demonstrar que a arte poética é por si mesma uma expressão da condição humana e que isso é uma função do significado que forem dados às expressões que, isoladamente pouco ou mesmo um nulo significado possuam, ou seja, se houver uma pessoa que afirme que a validade da arte deve estar sempre ao serviço de qualquer intuito político, social, ideológico ou político, se se afirmar isso — há razão para ser dito assim mas, mas se, ao bater o pé, se jura que as manifestações imagético-estéticas têm de ser sempre servidoras e hipotecadas do e ao social e ao momento político que esvoaça e se esfarela como um pó envenenante, então isso é uma enormidade abortiva, ao parafrasear o Professor Abel Salazar que tão vilmente foi tratado pelo Estado Novo, como todos os da geração de 1950 o foram e a que Sebastião da Gama irá pertencer enquanto houver Histórias da Literatura Portuguesa e da Humanidade!
O “Bastião”ternurento, que espalha ternura nos nossos corações, esse Poeta companheiro de Agostinho da Cruz, vai continuar a deambular nas subidas e descidas da Serra, ouvindo o marulho do mar, vendo e cheirando os aromas estonteantes que dela se descolam, sentindo a vida a correr na galopada de outro modo de estar com a gente. E se disser que, “às vezes vejo-te mesmo, de braços abertos a sorrir, um cravinho vermelho no sobretudo azul-escuro, os lábios gretados de frio, sorrindo com o teu sorriso terno. Os olhitos verdes a piscarem, a falarem duma alma imensa de ternura — e nessa alegria tão completa, tão chã, quanta compreensão desiludida e iludida pela tua bondade franciscana de criança que, só pelo tempo que lhe doeu, foi Homem”, se disser isto, estou a transcrever a Matilde Rosa Araújo, em Távola Redonda, publicação nº 17.
O meu menino serrano, canção renascida em cada ano de Abril da nossa Liberdade nossa Senhora, o meu menino canta e brinca no fundo da noite e, depois, tranquilamente, adormece no meu colo, acarinhado pelas minhas mãos trémulas de fantasia a tecerem a melhor carícia para lhe dar.
Sebastião da Gama, um poeta rico e com nada — porque tudo deu!
Daniel Nobre Mendes

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sebastião da Gama em Abril


Abril é tempo de Sebastião da Gama, que neste mês nasceu, em 1924, no dia 10. A mensagem do poeta que temos como patrono está eivada de um Abril refrescante e primaveril.
Dizia, há poucos dias, Miguel Real que “cada vez é mais importante divulgar o ‘outro’ homem que foi S. da Gama, face às ruínas do homem actual”. E cabe-nos fazer essa (re)descoberta, apenas com o preconceito de que o mundo pode ser melhor.
Se podemos festejar Sebastião da Gama quando quisermos através da leitura, este mês é diferente por toda essa simbologia em torno da data de nascimento. Por outro lado, é o Abril do ano em que passam 60 anos sobre o desaparecimento do homem, que o poeta ficou, como é o 61º Abril sem Sebastião da Gama, mas com a sua obra.
Em Azeitão, a evocação deste Abril em torno do poeta vai ser assim:

Arrábida a património mundial - 4ª reunião da Comissão de Acompanhamento

O Setubalense: 04 Abril 2012

Arrábida a património mundial - 4ª reunião da Comissão de Acompanhamento


A Comissão de Acompanhamento da Candidatura da ARRÁBIDA a Património Mundial reuniu-se no auditório Charlot, em Setúbal, na tarde de segunda-feira, 2 de Abril.
O encontro, com bastante assistência, teve como Ordem de Trabalhos: 1-Ponto da situação da candidatura; 2-Listagem de valores e área a candidatar; 3-Apresentação da estrutura do Plano de Gestão.
A introdução aos trabalhos esteve a cargo da Secretária Geral da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) e o desenvolvimento dos mesmos coube aos técnicos da AMRS e dos respectivos municípios. Presentes estiveram também os presidentes das Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal. À assistência foi solicitada a sua colaboração no sentido do aperfeiçoamento do respectivo dossiê final a apresentar à UNESCO.
A candidatura da Arrábida a património mundial foi assumida pela Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e com as Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal. Depressa também se disponibilizaram para colaborar outros serviços públicos e entidades colectivas e particulares.
Efectivamente, Arrábida não é nossa, foi-nos legada. Por isso, teremos que a estimar e cuidar com o objectivo de a transformarmos num espaço de harmonia entre Homem e Natureza, como factor de desenvolvimento nas suas diversas valências: social, económica, cultural e ambiental.
Daí que a Associação Cultural Sebastião da Gama tenha estado, desde a primeira hora, ao lado desta feliz e incontornável iniciativa. Por isso, também, mais uma vez, a nossa Associação esteve representada nesta reunião de trabalho por um elemento da sua Direcção que, em breve intervenção, se congratulou pelo bom andamento dos trabalhos preparatórios à Candidatura e prometeu, em nome da Associação Cultural Sebastião da Gama, toda a colaboração possível, mormente, através da mensagem que vai transmitindo nas escolas, junto de alunos e professores, nas diversas acções realizadas sobre a vida deste grande Homem, poeta e pedagogo.
Ninguém poderá esquecer a ligação da ARRÁBIDA ao nosso patrono Sebastião da Gama, que, tendo-a defendido e cantado, à semelhança de outros prosadores e poetas, lapidarmente a apelidou de «SERRA MÃE»! Vamos, pois, todos continuar nesta luta pacífica para que esta «Musa», inspiradora de tantos poetas e tesouro de tanta beleza, de tanta grandiosidade nas diversas vertentes naturais e imateriais, mereça a aprovação pela UNESCO para integrar o Património Mundial da Humanidade!
Manuel Herculano Silva