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Para a agenda: António Manuel Couto Viana biografado por Ricardo Saavedra


António Manuel Couto Viana foi amigo de Sebastião da Gama, tendo ambos convivido no círculo de amizades de David Mourão-Ferreira e em torno da revista Távola Redonda. Foi nosso associado desde o início, tendo participado em várias sessões levadas a cabo pela Associação Cultural Sebastião da Gama.
No final da vida, um amigo, Ricardo Saavedra, fez-lhe longa entrevista, em muitas horas e tardes de conversa, de que haveria de nascer um livro. Couto Viana disse-se para esse livro, mas não o chegou a ver. Essa extensa conversa-livro, produzido a quatro mãos, vai ser agora apresentada, sob o título António Manuel Couto Viana - Memorial do Coração (Quetzal Editores), enriquecendo o programa da edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa.
Na contracapa da obra, pode ler-se:
«Este Memorial é um inusitado passeio pelos meandros culturais da segunda metade do século passado. Os protagonistas desdobraram o roteiro numa incontida conversa a quatro mãos, que começa ao lado do conjunto monumental da sala de visitas de Viana do Castelo e, sem paragens, se vai desenrolando em diferentes locais, de Braga a Lisboa, de Coimbra ao Porto, ou mais longe, do Brasil a África, a Macau e a tantos outros míticos recantos no oriente do Oriente.
Em busca de quê? Do ‘coração sensitivo e letrado’, do Poeta que nasceu no palco, que introduziu o teatro infanto-juvenil em Portugal e ressuscitou o teatro de títeres, que durante duas décadas teve, só na capital, quase um milhão de crianças a esgotar os seus 1800 espectáculos, e que em peças para adultos deu uma lufada de ar fresco nos obsoletos tablados. Que se amesendou na Távola Redonda para reformular o lirismo vigente.
Foi o Poeta que mais escreveu sobre os seus irmãos poetas, chegando a criar-lhes um dicionário, pois passou a vida a divulgar o lado nem sempre visível da cultura da sua geração. Daí que neste passeio se cruzem nomes, muitas centenas de nomes, artistas de gabarito ou nem tanto e literatos de todas as safras, sem se olhar às cores da tinta, antes ao talento da obra. E, quando todas as paisagens parecem esgotadas, quando nos julgamos chegados ao ponto de não regresso, eis que, de repente, surge o velho de novo. António Manuel Couto Viana volta, por mão própria, nestas páginas.»
A obra recolhe ainda testemunhos sobre o entrevistado e é completada com um acervo fotográfico e diversa iconografia relacionada com Couto Viana.

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