quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Dos associados (13) - Uma fotografia de António Quaresma Rosa

António Quaresma Rosa, nosso associado desde o início, foi o vencedor do concurso de fotografia “Saúde e Termalismo Sénior 2009/2010”, promovido pelo INATEL, com a foto que se reproduz, retratando a escultura de Cutileiro que, desde 1981, está no lago dos jardins da Casa de Mateus, em Vila Real. O título dado à fotografia é revelador: “Repouso da Ninfa”.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O presépio de Sebastião da Gama


Presépio

Nuzinho sobre as palhas,
nuzinho - e em Dezembro!
Que pintores tão cruéis,
Menino, te pintaram!

O calor do seu corpo,
pra que o quer tua Mãe?
Tão cruéis os pintores!
(Tão injustos contigo,
Senhora!)

Só a vaca e a mula
com seu bafo te aquecem...

- Quem as pôs na pintura?


O poema tem 60 anos. Foi produzido em 24 de Dezembro de 1950. Seu autor: Sebastião da Gama. Deste presépio salta toda a sensibilidade e lirismo do poeta azeitonense, surgindo aliadas várias tonalidades - a de um certo franciscanismo e a de um gosto grande pela pintura, uma e outra tão cultivadas pelo poeta da Arrábida. O poema teve publicação póstuma em livro, em Pelo sonho é que vamos (1953).
A reprodução que encima este texto é feita a partir do rosto de um postal que, também há 60 anos, Matilde Rosa Araújo escreveu a Sebastião da Gama desde Paris, saudando o Natal. A gravura reproduz o nascimento de Cristo que ilumina a obra Les très riches heures du Duc de Berry.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sebastião da Gama, personagem em livro de Luísa Borges

(...) A história contada em A Senhora da Fonte [de Luísa Borges (Lisboa: Chiado Editora, 2010)] apresenta vários pontos de contacto com a região azeitonense, não só pelas descrições que são feitas da serra da Arrábida, vista a partir da vila, mas também pela lenda de Hildebrando, pela presença dos golfinhos roazes e ainda pela invocação de Dona Constança, que por estas terras terá andado com o seu Pedro no que foi a Quinta da Nogueira.
Mas a ligação mais intensa surge através do poeta, figura algo mítica e fantasmática que funciona como adjuvante do grupo de jovens aventureiros na busca de Bernardo. Vários versos de Sebastião da Gama vão intercalando a narrativa, normalmente para funcionarem como chave de revelação, característica que bem assenta na ideia de poeta. A imagem que do poeta surge é a identificação com a figura de Sebastião da Gama, ainda que isso não seja explicitado, mas apenas sugerido por um adereço como a boina ou pelo permanente ar de simpatia e pelo sorriso ou por a personagem estar a dizer versos que têm como autor o poeta de Azeitão, assim o caracterizando. Interessante se torna verificar que é através da orientação dada pelo poeta que os jovens da história se salvam, ora porque ele se torna presente quando menos se espera, ora porque é ele quem conduz o barco que afasta o grupo de todos os perigos. Esta ideia de ser um poeta a salvar as crianças é forte nesta história, num quase hino de exaltação à poesia, verdadeiro “salvo-conduto” que o remador poeta vê renovado quase no final da narrativa, depois de uma viagem “debaixo da terra, dentro da montanha”, navegando num “rio secreto”. (...)
Continuação do texto aqui.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um verso num título de futebol

Sebastião da Gama não escreveu muito sobre futebol. As referências que lhe faz são escassas e funcionam mais como pretexto para outros dizeres. Foi assim que escreveu sobre um resultado favorável do Barreirense numa crónica publicada no Jornal do Barreiro, na rubrica “Carta de Estremoz”, em 19 de Abril de 1951 (texto inserido na obra O segredo é amar) e são também conhecidas algumas alusões a resultados de futebol e a jogadores, registadas no Diário, a propósito de conversa nas aulas (em entradas dos dias 16 de Março e 20 de Outubro de 1949).
Sabe-se que o verso de Sebastião da Gama “Pelo sonho é que vamos” serve para justificar muitos projectos e muitos ideais, é verdade. Se tanta gente, nas mais diversas circunstâncias, dele se apropria, citando-o para justificar a ambição, é porque o seu conteúdo detém uma verdade universal. É, assim, bonito que este verso anime o título de uma notícia futebolística (publicada em O Setubalense de ontem) a propósito do objectivo que se mostra ao clube sadino Vitória de Setúbal, que, no fim-de-semana, garantiu o lugar nos quartos de final da Taça de Portugal, vencendo o Sporting por 2-1.
A propósito, lembre-se que o Vitória de Setúbal já venceu três edições da Taça de Portugal – em 1964/1965, ao ganhar ao Benfica por 3-1; em 1966/1967, na vitória sobre a Académica por 3-2; em 2004/2005, ao derrotar novamente o Benfica por 2-1. Além destas vitórias, a equipa de Setúbal foi finalista na Taça de Portugal nas edições de 1942/1943 (perdendo com o Benfica), de 1953/1954 (dando a vitória ao Sporting), de 1961/1962 (sendo derrotada pelo Benfica), de 1965/1966 (sendo vencedora a equipa do Braga), de 1967/1968 (perdendo com o Porto), de 1972/1973 (ganhando o Sporting) e de 2005/2006 (dando a vitória ao Porto).
Agora, o entusiasmo volta, acompanhado do verso de Sebastião da Gama. “Pelo sonho é que vamos”… - JRR

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dos associados (12) - Manuel Medeiros, "honoris causa" pela Uniseti

O Setubalense: 10.Dezembro.2010

Manuel Medeiros, nosso associado, livreiro em Setúbal, foi agraciado com o título de "doutor honoris causa" pela Uniseti. Aqui se reproduz a notícia vinda a público na edição de O Setubalense de 6ª feira.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sebastião da Gama - "O poeta beija-tudo"

Eis um documentário interessante, simples e eficaz sobre Sebastião da Gama, a que a sua autora, Joana Fernandes deu o título de "Sebastião da Gama - O Poeta beija-tudo". Realizado por Vítor Martinho, o documentário, inicialmente produzido para o canal "Plataforma do Sado", data de Abril de 2008. Nas entrevistas e depoimentos recolhidos, constam os nomes de Joana Luísa da Gama, Pedro Lisboa, João Lisboa, Matilde Rosa Araújo, Maria Barroso, Nicolau da Claudina e António Clarinha Romão. As imagens são povoadas pelo arquivo fotográfico de Sebastião da Gama, pela Arrábida, pelo Museu Sebastião da Gama e por Vila Nogueira de Azeitão. São pouco mais de doze minutos de evocação e de viagem que valem a pena e constituem uma boa apresentação do Poeta da Arrábida. - JRR

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sebastião da Gama lido pelos alunos do CUTLA


Os alunos do CUTLA (Clube Universitário Tempo Livre da Amadora) que, em 19 de Novembro, visitaram Azeitão e estiveram connosco na sessão "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora", que teve lugar no Museu Sebastião da Gama, prepararam uma pequena montagem sobre poemas de Sebastião da Gama que hoje nos fizeram chegar. Um bom pretexto para recordar alguns textos do Poeta da Arrábida, uma dezena deles, em pouco mais de três minutos de poesia e de música: "Pequeno poema" (07.Março.1945, SM), "O sonho" (01.Setembro.1951, PSEQV), "A uma rapariga" (07.Março.1951, PSEQV), "Cantilena" (25.Novembro.1946, CBE), "Inscrição" (14.Maio.1948, CA), "Madrigal" (07.Outubro.1946, CBE), "Florbela" (06.Novembro.1943), "Os que vinham da dor" (20.Julho.1948, CA), "Poema da minha esperança" (27.Janeiro.1945, SM) e "O menino grande" (17.Fevereiro.1946, IP). Nove destes textos foram publicados em obras de Sebastião da Gama [chave: SM - Serra Mãe; PSEQV - Pelo sonho é que vamos; CBE - Cabo da boa esperança; CA - Campo aberto; IP - Itinerário paralelo] e um, "Florbela", foi pelo autor publicado apenas na imprensa, no suplemento "Planície" do jornal O Castelovidense (Castelo de Vide: nº 38, 17.Fev.1946, pg. 1) e no Jornal de Sintra (Sintra: nº 779, 01.Jan.1949, pg. 5). Dos restantes textos, houve ainda publicação na imprensa, pela mão do seu autor, do "Pequeno poema" (em Aqui e além) e de "O sonho" (em O Distrito de Setúbal).- JRR