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Sebastião da Gama na EB 1 das Amoreiras, em Setúbal

Em 17 e 31 de Maio, estive na Escola Básica de 1º Ciclo nº 12 (conhecida como Escola das Amoreiras, pertencente ao Agrupamento de Escolas Bocage), em Setúbal, para falar sobre Sebastião da Gama aos alunos das turmas 4ºA e 3ºB, respectivamente, depois de convites feitos pelas professoras Antónia Freitas e Isabel Marques, docentes de uma e da outra turma. Confesso que, sendo a primeira vez que ia apresentar o poeta a alunos do 1º Ciclo, algumas reticências se me punham… No entanto, contas feitas às duas sessões, a adesão dos alunos foi espantosa. Atentos, curiosos, participantes, interessados. Alguns tinham já ido pesquisar notas sobre Sebastião da Gama, outros foram perguntando isto e aquilo, sobre poemas, sobre o poeta, sobre ler… Outros quiseram ser eles mesmos a ler os poemas que lhes levei. E a participação foi permanente e intensa. No final, tiveram o desafio para ilustrarem poemas, trabalho que resultou nas propostas que noutros postais se mostram, tecidas em torno dos poemas “O c…

O "Diário" não está na lista... mas podia (devia) estar

O último número da revista Os Meus Livros (nº 104, Novembro.2011) apresenta como tema de capa “Os Caminhos do Ensino”. No interior, em quatro páginas, o texto “De zero a vinte” apresenta duas dezenas de títulos bibliográficos pretendendo olhar “vinte livros que são um ponto de partida para olhar as questões do ensino com outros olhos e compreender um pouco melhor algumas das questões que causam discordância, mas necessitam de respostas”. Por este escaparate passam as obras: Se não estudas estás tramado, de Eduardo Marçal Grilo; O “eduquês” em discurso directo, de Nuno Crato; A Educação do meu umbigo, de Paulo Guinote; A minha sala de aula é uma trincheira, de Bárbara Wong; A arte de ensinar, de Alan Haigh; 19 argumentos para reconst(ruir) a escola pública, de Luís M. Aires; Professores e escolas, de Evangelina Bonifácio Silva; O pequeno ditador, de Javier Urra; Pais que educam, professores que amam, de Joaquim Machado; O ensino passado a limpo, de Santana Castilho; A aprendizagem coope…

Setúbal: Escolas têm cd de Sebastião da Gama

Todas as escolas públicas do concelho de Setúbal têm a partir de agora um exemplar do cd “Sebastião da Gama – Meu caminho é por mim fora” nos respectivos centros de recursos, acção possível graças a oferta feita pela Fundação Buehler-Brockhaus. Com tal iniciativa, a Fundação pretendeu “contribuir para a divulgação de uma referência cultural da região, que teve importante papel na poesia portuguesa do século XX e no enriquecimento da perspectiva cultural da Arrábida”. O cd, editado pela nossa Associação no ano passado, contém 26 textos de Sebastião da Gama, lidos pelos actores Célia David, Fernando Guerreiro, José Nobre e Maria Clementina e por Maria Barroso, com acompanhamento musical de Rui Serodio. A oferta deste cd, recentemente levada a cabo, contemplou as escolas dos vários níveis de ensino da rede pública do concelho de Setúbal – Escolas Secundárias D. Manuel Martins, Sebastião da Gama, Bocage e D. João II, Agrupamentos Verticais de Escolas Luísa Todi (9), Barbosa du Bocage (6), Li…

Estudos Locais de Setúbal – Luís Souta e a escola dos escritores ligados a Setúbal

No II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, que decorreu na sexta e no sábado, assisti à conferência de Luís Souta (acontecida no primeiro dia), de que gostei, pelo cruzamento com identidades e com a cultural local, sem esquecer o mais vasto âmbito da cultura portuguesa. Intitulada “Na escola da dor e do sofrimento, segundo cinco escritores do distrito”, Souta acentuou tratar-se de um conjunto de retratos feitos a partir de obras literárias, passando por obras de Mário Ventura, Maria Rosa Colaço, Romeu Correia, Manuel da Fonseca e Sebastião da Gama (tendo ainda havido remissões para Carlos Ceia e para Matilde Rosa Araújo), pretendendo mostrar “o olhar da literatura sobre o universo escolar”. A originalidade da leitura de Luís Souta foi interessante, bem para lá da discussão do autobiografismo na literatura, mostrando que a ficção nasce de realidades, aí incluindo realidades vividas. A evocação de Manuel da Fonseca veio bem a propósito ou não tivesse sido ele a figura destac…

Flores da Arrábida na ""Agenda do Professor"

A Agenda do Professor para o ano lectivo de 2010/2011 publicada pela Associação dos Municípios da Região de Setúbal (AMRS) tem como tema a vegetação da Arrábida, uma apresentação que é motivada pelo facto de a AMRS ser a principal proponente da candidatura da Arrábida a Património Mundial da UNESCO. A nota introdutória desta publicação justifica a opção: “A Arrábida é um sítio natural de valor mundial, nomeadamente, pela excepcionalidade da sua paisagem e pela riqueza florística e de conjuntos vegetativos que apresenta. De facto, a Arrábida constitui um laboratório natural a céu aberto. Pela diversidade de habitats e pelo equilíbrio dinâmico que existe entre eles, possui a vegetação da Arrábida uma raridade e uma resiliência própria extraordinária que permite a diversidade actual.” Com projecto gráfico e fotografia de Dina Teles, a Agenda do Professor mostra uma dúzia de reproduções de plantas que podem ser encontradas no espaço da Arrábida, sobre as quais são indicadas características …

Dos associados (5) - Nuno Gama

O estilista Nuno Gama, nosso associado, azeitonense e familiar de Sebastião da Gama, esteve na Escola Profissional de Carvalhais para conversar com alunos, acontecimento que foi notícia no jornal digital viseumais.com. É dessa fonte que transcrevemos a notícia, datada de ontem, e reproduzimos a fotografia. - JRR«Estilista Nuno Gama entrevistado por alunos da Escola Profissional de Carvalhais – No passado dia 28 de Abril, o estilista Nuno Gama deslocou-se à Escola Profissional de Carvalhais, em S. Pedro do Sul, com o propósito de ser entrevistado por um grupo de alunos daquela escola, no âmbito da participação no concurso DN Escolas, promovido pelo jornal Diário de Notícias.Esta foi a segunda etapa cumprida pelos alunos André Moita, Bárbara Rodrigues, Francisca Rodrigues, Marta Guerreiro e João Tavares e pela professora responsável, Marisa Queirós Araújo. Foi um momento de partilha, em que o estilista procurou responder às questões colocadas pelos alunos, após a leitura da nota biográf…

Sebastião da Gama no Montijo

Ontem, levei Sebastião da Gama até ao Montijo, a alunos da Escola Secundária Jorge Peixinho. O convite fora formulado pela Fátima Nazário, amiga e professora naquela escola; a ida serviu ainda o propósito de reencontrar amigos que já não via há anos, como foram os casos do José Evangelista, Director da escola, e do Flamino Viola, que iniciou a gestão da Escola Básica de 2º e 3º Ciclos de Pegões. Mas fui, então, apresentar “Sebastião da Gama – Meu caminho é por mim fora” a alunos do 7º e 9º anos e a alguns alunos de um CEF, comunicação integrada na Semana das Línguas que está a decorrer na escola. Foi sobretudo um caminhar pela obra do poeta da Arrábida e também pela sua vida, tanto mais que há ligações do seu percurso com o Montijo – o pai, Sebastião Leal da Gama Júnior, ali nasceu no longínquo 1893 e alguma da participação jornalística de Sebastião da Gama passou por dois importantes periódicos montijenses – o Gazeta do Sul (entre 1940 e 1943) e A Província (em 1949). Esta ligação ser…

Sebastião da Gama: 60 anos sobre o "Diário"

Fac-simile da 1ª página do manuscrito (11 de Janeiro de 1949) e capa da 1ª edição do Diário (1958)
Em 11 de Janeiro de 1949, Sebastião da Gama tinha 24 anos, a licenciatura, a experiência lectiva de professor provisório na Escola João Vaz, vários textos publicados, entre os quais dois livros, e iniciava o estágio de professor na Escola Veiga Beirão, em Lisboa, desse dia datando a primeira página do seu Diário (apenas publicado em 1958), a registar as observações do metodólogo, Virgílio Couto: “Para começar, o metodólogo falou connosco durante uma hora. De acordo com o que disse, vão ser as aulas de Português o que eu gosto que elas sejam: um pretexto para estar a conviver com os rapazes, alegremente e sinceramente. E, dentro dessa convivência, como quem brinca ou como quem se lembra de uma coisa que sabe e vem a propósito, ir ensinando. Depois, esta nota importantíssima: lembrar-se a gente de que deve aceitar os rapazes como rapazes; deixá-los ser: porque até o barulho é uma coisa agra…

Memórias e testemunhos (2): António Quaresma Rosa

"Não fui seu aluno nem o conheci na sua forma fisica. Fui, no entanto, aluno, a partir dos anos 50 do século passado, de uma plêiade de professores que, na 'Escola da Saboaria', seguiam o seu comportamento e nos souberam transmitir a mística do que viria a ser o Diário.
No 'Primeiro de Dezembro' de 1951, na festa tradicional da Escola, na antiga Sala Ferreira de Sousa (actual União Setubalense), os (e as) mais 'prendados' alunos, entre outras coisas, recitavam. De entre as alunas era a Alina Vaz, do Barreiro ou do Montijo (já não sei bem), que mais se destacava. Disse ela (já o tinha feito na semana anterior, na festa de anos do Director - Eng. Athayde de Medeiros, assim mesmo escrito, que era dos Açores) um poema de um ex-professor, que tinha ido para Estremoz, tirado de um livro que se chamava 'Arrábida mãe'... Não, era Serra-Mãi, já antigo... pelo aspecto das folhas tão repassadas, tinha que ser antigo...
Alguns meses depois, já no 2º período, sou…

Sebastião da Gama na Escola Básica 2, 3 de Vialonga

Ontem, estive na Escola Básica 2, 3 de Vialonga (no concelho de Vila Franca de Xira) para falar a alunos de 9º ano sobre Sebastião da Gama e lhes apresentar o documentário “Meu caminho é por mim fora”, que navega pela vida e pela obra (poética, educadora e cívica) do poeta da Arrábida, correspondendo a um convite intermediado pelo Tiago Machete, professor e meu antigo aluno. Comigo, levei a Joana Luísa, esposa de Sebastião da Gama, que, nos seus quase 87 anos, gosta de acompanhar o que sobre o marido se vai fazendo.
Esta ida à Escola revestiu-se de várias surpresas, que me sensibilizaram: a iniciativa de a Escola ter realizado uma exposição com fotografias e poemas de Sebastião da Gama, arejada, estruturalmente pensada, para o público ver e ficar a saber e não para impressionar pela quantidade, eivada de simplicidade e harmonia, onde nem faltaram a areia e as conchas da Arrábida (levadas pelo Tiago) a salpicarem os livros de Sebastião da Gama; a presença de cerca de 50 alunos de 9º ano…

Porque ler o “Diário” de Sebastião da Gama, segundo Cruz Malpique

Em 1965, Cruz Malpique (1902-1992), o reconhecido nisense e professor do Liceu Alexandre Herculano, no Porto, publicava o livro Mestres e Discípulos (Porto: Divulgação, 1965), cerca de 230 páginas de reflexão sobre a profissão docente, nas vertentes pedagógica e deontológica. Um dos mais longos capítulos aí inseridos, ocupando cerca de quatro dezenas de páginas, intitula-se “Sebastião da Gama, Professor-Poeta” e faz uma peregrinação pelo Diário, que fora publicado havia sete anos (apesar de maioritariamente escrito no estágio que decorreu entre Janeiro de 1949 e Fevereiro de 1950, esta obra de Sebastião da Gama só seria publicada postumamente, em 1958).
A viagem de Cruz Malpique por esta obra é de tal forma condicionada pela sua mensagem que o autor se deixa levar pelas longas citações de Sebastião da Gama, assumindo-as como testemunhos e verdades de referência para o que é ser professor, desde o início erguendo como princípio que “outros diários existissem desse teor e teríamos aí adm…

A escola, ecossistema da sociedade (a propósito de um poema de Sebastião da Gama)

Tempos da Escola

Aquela escola velha , outra mãe
em que eu bebi o leite do Saber,
Inspira-me saudades, só de a ver,
desse tempo que foi e já não vem.

Tempos felizes esses, em que eu ia,
a mala negra ao ombro, o rir na face,
pra que na minha mente se amostrasse,
em vez de escura noite, claro dia.

Tempos que se perderam no passado,
como as águas do rio no mar salgado,
esses são, em que eu lia João de Deus

e em que a palavra “amor”, a vez primeira
desta vida cruel e traiçoeira
disseram, soletrando, os lábios meus!
Vila Nogueira, 22/XI/1941 Sebastião da Gama (inédito)

A escola. Primeiro grupo social com o qual o jovem Sebastião é confrontado, representa uma mãe que lhe irá saciar a fome do Saber. Alegria e saudade sentidas apenas com dezassete anos de idade, mas com uma maturidade induzida pelo sofrimento de conhecer, desde os catorze, os condicionamentos impostos por uma doença para a qual não se conhece a cura. A um ano do ingresso na Faculdade de Letras de Lisboa, já recorda com saudade a criança e a …