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Manuela Cerejeira: Diário de Sebastião da Gama - Exemplo no ensino da literatura

No 9º Encontro Nacional de Professores de Português, organizado pela APP (Associação dos Professores de Português) na Figueira da Foz durante os dias de ontem e de hoje, o Diário de Sebastião da Gama foi objecto de uma comunicação apresentada por Manuela Cerejeira, nossa associada e professora de Português, que abordou o ensino da literatura a partir desta obra do Poeta da Arrábida. Por gentileza da sua autora, que agradecemos, aqui se reproduz o texto de tal comunicação. - JRR
Diário de Sebastião da Gama – exemplo no ensino da literatura “Eu não quero ‘impingir’ versos aos meus alunos; quero abrir-lhes a janela da poesia.”
Diário, de Sebastião da Gama (1924-1952), é um relato do estágio feito pelo escritor enquanto docente de Português, nos anos lectivos de 1948-49 e 1949-50. Passam, assim, 60 anos sobre a produção desta obra, texto literário que oferece uma reflexão sobre a própria literatura e o seu ensino. Pela índole poética do texto, bem como pelos traços do perfil do seu autor que …

A escola, ecossistema da sociedade (a propósito de um poema de Sebastião da Gama)

Tempos da Escola

Aquela escola velha , outra mãe
em que eu bebi o leite do Saber,
Inspira-me saudades, só de a ver,
desse tempo que foi e já não vem.

Tempos felizes esses, em que eu ia,
a mala negra ao ombro, o rir na face,
pra que na minha mente se amostrasse,
em vez de escura noite, claro dia.

Tempos que se perderam no passado,
como as águas do rio no mar salgado,
esses são, em que eu lia João de Deus

e em que a palavra “amor”, a vez primeira
desta vida cruel e traiçoeira
disseram, soletrando, os lábios meus!
Vila Nogueira, 22/XI/1941 Sebastião da Gama (inédito)

A escola. Primeiro grupo social com o qual o jovem Sebastião é confrontado, representa uma mãe que lhe irá saciar a fome do Saber. Alegria e saudade sentidas apenas com dezassete anos de idade, mas com uma maturidade induzida pelo sofrimento de conhecer, desde os catorze, os condicionamentos impostos por uma doença para a qual não se conhece a cura. A um ano do ingresso na Faculdade de Letras de Lisboa, já recorda com saudade a criança e a …