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A homenagem a Sebastião da Gama a partir do Sado aconteceu ontem - momentos

O calor de ontem apanhou no Sado um grupo que, a bordo do “Riquitum”, partilhou uma homenagem ao “Poeta da Arrábida”. Apesar da temperatura, o vento nem sempre ajudou, mas a iniciativa, da autoria de João Barbas, gerente da empresa Troiacruze, com o apoio da Associação Cultural Sebastião da Gama, valeu e pode vir a ganhar novos fôlegos. Houve momentos de contemplação, tempos para fotografia, fragmentos de explicações e também a palavra de Sebastião da Gama. Tudo nesta viagem até ao meridiano do Convento, sítio da serra que o poeta azeitonense privilegiou. Aqui fica o registo de alguns momentos… em fotos que o nosso associado António Quaresma Rosa dispensou. – JRR
Momentos da viagem - João Barbas, ao centro
Momentos da viagem - as explicações de Nuno David sobre a Arrábida
Momentos da viagem - espectadores atentos - Portugal da Silveira, homem da rádio sadina, em primeiro plano
Momentos da viagem - contemplação e saberes
Momentos da viagem - Nuno David fala da Arrábida, segurando o Serra-Mãe,…

Homenagear Sebastião da Gama a partir do Sado, olhando a serra

Mais uma original homenagem ao Poeta da Arrábida, marcada já para domingo, 17 de Abril, sugerida por João Barbas, director geral da Troiacruze, em que se aliam a serra, o rio, o mar, o convívio, a poesia. A seguir se indicam as características e as condições desta actividade, que pode ser usufruída pelos nossos associados em condições vantajosas. Caros Amigos da Associação Cultural Sebastião da Gama, No próximo Domingo, dia 17 de Abril de 2011, vamos fazer o primeiro cruzeiro de homenagem ao Poeta da Arrábida. Este é o plano do cruzeiro à Arrábida, mais precisamente ao Meridiano do Convento. Para os sócios da ACSG e convidados institucionais haverá um desconto adicional de 50% sobre o preço indicado de 30€, ou seja, será de 15€/participante, incluindo o buffet, a fim de cobrir parte dos custos da iniciativa. Segue abaixo a rota, programa, ementa do buffet, detalhes da maneira prática de se inscreverem e reservarem. No programa destaca-se cerca das 11h00, em pleno Meridiano do Convento, …

"Manhã no Sado", de Sebastião da Gama

Brancas, as velas
eram sonhos que o rio sonhava alto.
Meninas debruçadas em janelas,
viam-se, à flor azul das águas, as gaivotas.
E a Manhã quieta (sorrindo, linda, vinha vindo a Primavera…)
punha os pés melindrosos entre as conchas.
Derivavam jardins imponderáveis
dos seus passos de ninfa
e tremiam as conchas
de súbitas carícias.

Longe era tudo: o medo dos naufrágios,
as angústias dos homens, o desgosto,
os esgares das tragédias e comédias
de cada um, os lutos, as derrotas.
Longe a paz verdadeira das crianças
e a teimosia heróica dos que esperam.

Ali, à beira-rio,
de olhos só para o rio, de ouvidos surdos
ao que não é a música das águas,
um sossego alegórico persiste.
Nem o arfar das velas o perturba.
Nem o rumor dos seios capitosos
da Manhã, que nas águas desabrocham
e flutuam, doentes de perfume.
Nem a presença humana do Poeta
- sombra que a pouco e pouco se ilumina
e se dilui, anónima, na aragem…
Sebastião da Gama (8 de Abril de 1948, poema dedicado ao amigo Alberto Fialho)
in Campo aberto (1951)