quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Dos associados (13) - Uma fotografia de António Quaresma Rosa

António Quaresma Rosa, nosso associado desde o início, foi o vencedor do concurso de fotografia “Saúde e Termalismo Sénior 2009/2010”, promovido pelo INATEL, com a foto que se reproduz, retratando a escultura de Cutileiro que, desde 1981, está no lago dos jardins da Casa de Mateus, em Vila Real. O título dado à fotografia é revelador: “Repouso da Ninfa”.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O presépio de Sebastião da Gama


Presépio

Nuzinho sobre as palhas,
nuzinho - e em Dezembro!
Que pintores tão cruéis,
Menino, te pintaram!

O calor do seu corpo,
pra que o quer tua Mãe?
Tão cruéis os pintores!
(Tão injustos contigo,
Senhora!)

Só a vaca e a mula
com seu bafo te aquecem...

- Quem as pôs na pintura?


O poema tem 60 anos. Foi produzido em 24 de Dezembro de 1950. Seu autor: Sebastião da Gama. Deste presépio salta toda a sensibilidade e lirismo do poeta azeitonense, surgindo aliadas várias tonalidades - a de um certo franciscanismo e a de um gosto grande pela pintura, uma e outra tão cultivadas pelo poeta da Arrábida. O poema teve publicação póstuma em livro, em Pelo sonho é que vamos (1953).
A reprodução que encima este texto é feita a partir do rosto de um postal que, também há 60 anos, Matilde Rosa Araújo escreveu a Sebastião da Gama desde Paris, saudando o Natal. A gravura reproduz o nascimento de Cristo que ilumina a obra Les très riches heures du Duc de Berry.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sebastião da Gama, personagem em livro de Luísa Borges

(...) A história contada em A Senhora da Fonte [de Luísa Borges (Lisboa: Chiado Editora, 2010)] apresenta vários pontos de contacto com a região azeitonense, não só pelas descrições que são feitas da serra da Arrábida, vista a partir da vila, mas também pela lenda de Hildebrando, pela presença dos golfinhos roazes e ainda pela invocação de Dona Constança, que por estas terras terá andado com o seu Pedro no que foi a Quinta da Nogueira.
Mas a ligação mais intensa surge através do poeta, figura algo mítica e fantasmática que funciona como adjuvante do grupo de jovens aventureiros na busca de Bernardo. Vários versos de Sebastião da Gama vão intercalando a narrativa, normalmente para funcionarem como chave de revelação, característica que bem assenta na ideia de poeta. A imagem que do poeta surge é a identificação com a figura de Sebastião da Gama, ainda que isso não seja explicitado, mas apenas sugerido por um adereço como a boina ou pelo permanente ar de simpatia e pelo sorriso ou por a personagem estar a dizer versos que têm como autor o poeta de Azeitão, assim o caracterizando. Interessante se torna verificar que é através da orientação dada pelo poeta que os jovens da história se salvam, ora porque ele se torna presente quando menos se espera, ora porque é ele quem conduz o barco que afasta o grupo de todos os perigos. Esta ideia de ser um poeta a salvar as crianças é forte nesta história, num quase hino de exaltação à poesia, verdadeiro “salvo-conduto” que o remador poeta vê renovado quase no final da narrativa, depois de uma viagem “debaixo da terra, dentro da montanha”, navegando num “rio secreto”. (...)
Continuação do texto aqui.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um verso num título de futebol

Sebastião da Gama não escreveu muito sobre futebol. As referências que lhe faz são escassas e funcionam mais como pretexto para outros dizeres. Foi assim que escreveu sobre um resultado favorável do Barreirense numa crónica publicada no Jornal do Barreiro, na rubrica “Carta de Estremoz”, em 19 de Abril de 1951 (texto inserido na obra O segredo é amar) e são também conhecidas algumas alusões a resultados de futebol e a jogadores, registadas no Diário, a propósito de conversa nas aulas (em entradas dos dias 16 de Março e 20 de Outubro de 1949).
Sabe-se que o verso de Sebastião da Gama “Pelo sonho é que vamos” serve para justificar muitos projectos e muitos ideais, é verdade. Se tanta gente, nas mais diversas circunstâncias, dele se apropria, citando-o para justificar a ambição, é porque o seu conteúdo detém uma verdade universal. É, assim, bonito que este verso anime o título de uma notícia futebolística (publicada em O Setubalense de ontem) a propósito do objectivo que se mostra ao clube sadino Vitória de Setúbal, que, no fim-de-semana, garantiu o lugar nos quartos de final da Taça de Portugal, vencendo o Sporting por 2-1.
A propósito, lembre-se que o Vitória de Setúbal já venceu três edições da Taça de Portugal – em 1964/1965, ao ganhar ao Benfica por 3-1; em 1966/1967, na vitória sobre a Académica por 3-2; em 2004/2005, ao derrotar novamente o Benfica por 2-1. Além destas vitórias, a equipa de Setúbal foi finalista na Taça de Portugal nas edições de 1942/1943 (perdendo com o Benfica), de 1953/1954 (dando a vitória ao Sporting), de 1961/1962 (sendo derrotada pelo Benfica), de 1965/1966 (sendo vencedora a equipa do Braga), de 1967/1968 (perdendo com o Porto), de 1972/1973 (ganhando o Sporting) e de 2005/2006 (dando a vitória ao Porto).
Agora, o entusiasmo volta, acompanhado do verso de Sebastião da Gama. “Pelo sonho é que vamos”… - JRR

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dos associados (12) - Manuel Medeiros, "honoris causa" pela Uniseti

O Setubalense: 10.Dezembro.2010

Manuel Medeiros, nosso associado, livreiro em Setúbal, foi agraciado com o título de "doutor honoris causa" pela Uniseti. Aqui se reproduz a notícia vinda a público na edição de O Setubalense de 6ª feira.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sebastião da Gama - "O poeta beija-tudo"

Eis um documentário interessante, simples e eficaz sobre Sebastião da Gama, a que a sua autora, Joana Fernandes deu o título de "Sebastião da Gama - O Poeta beija-tudo". Realizado por Vítor Martinho, o documentário, inicialmente produzido para o canal "Plataforma do Sado", data de Abril de 2008. Nas entrevistas e depoimentos recolhidos, constam os nomes de Joana Luísa da Gama, Pedro Lisboa, João Lisboa, Matilde Rosa Araújo, Maria Barroso, Nicolau da Claudina e António Clarinha Romão. As imagens são povoadas pelo arquivo fotográfico de Sebastião da Gama, pela Arrábida, pelo Museu Sebastião da Gama e por Vila Nogueira de Azeitão. São pouco mais de doze minutos de evocação e de viagem que valem a pena e constituem uma boa apresentação do Poeta da Arrábida. - JRR

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sebastião da Gama lido pelos alunos do CUTLA


Os alunos do CUTLA (Clube Universitário Tempo Livre da Amadora) que, em 19 de Novembro, visitaram Azeitão e estiveram connosco na sessão "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora", que teve lugar no Museu Sebastião da Gama, prepararam uma pequena montagem sobre poemas de Sebastião da Gama que hoje nos fizeram chegar. Um bom pretexto para recordar alguns textos do Poeta da Arrábida, uma dezena deles, em pouco mais de três minutos de poesia e de música: "Pequeno poema" (07.Março.1945, SM), "O sonho" (01.Setembro.1951, PSEQV), "A uma rapariga" (07.Março.1951, PSEQV), "Cantilena" (25.Novembro.1946, CBE), "Inscrição" (14.Maio.1948, CA), "Madrigal" (07.Outubro.1946, CBE), "Florbela" (06.Novembro.1943), "Os que vinham da dor" (20.Julho.1948, CA), "Poema da minha esperança" (27.Janeiro.1945, SM) e "O menino grande" (17.Fevereiro.1946, IP). Nove destes textos foram publicados em obras de Sebastião da Gama [chave: SM - Serra Mãe; PSEQV - Pelo sonho é que vamos; CBE - Cabo da boa esperança; CA - Campo aberto; IP - Itinerário paralelo] e um, "Florbela", foi pelo autor publicado apenas na imprensa, no suplemento "Planície" do jornal O Castelovidense (Castelo de Vide: nº 38, 17.Fev.1946, pg. 1) e no Jornal de Sintra (Sintra: nº 779, 01.Jan.1949, pg. 5). Dos restantes textos, houve ainda publicação na imprensa, pela mão do seu autor, do "Pequeno poema" (em Aqui e além) e de "O sonho" (em O Distrito de Setúbal).- JRR

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sebastião da Gama cantado por Francisco Fanhais

Quer recordar a história do rouxinol sem asas que não pode voar? Está num dos lindos poemas de Sebastião da Gama, "Cantilena", escrito em 25 de Novembro de 1946 e publicado pela primeira vez na obra Cabo da boa esperança (1947), o segundo livro do poeta da Arrábida.
Sebastião da Gama não terá tido intenções políticas com este poema, mas, quando em 1969, no programa televisivo "Zip-Zip", Francisco Fanhais o interpretou, logo a letra foi conotada com a situação política vivida. A história do rouxinol sem asas que não pode voar ou do rouxinol sem bico que não pode cantar depressa se tornou um símbolo e uma bandeira. Quer ouvir ou relembrar o poema assinado por Sebastião da Gama na voz de Francisco Fanhais? Venha até...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sebastião da Gama cantado por Amália


“Nasci para ser ignorante”, poema de Sebastião da Gama, datado de 12 de Dezembro de 1946, integrou a obra Cabo da boa esperança, a segunda por si publicada quando corria o ano de 1947. Confissão de ternura pela Natureza e pela vida, com desprezo pelo saber meramente teórico, este texto do poeta da Arrábida foi interpretado por Amália Rodrigues, incluído no álbum “Obsessão”, datado de 1998, com música de Carlos Gonçalves. No original manuscrito que integra o espólio do poeta, pode ver-se que a este poema Sebastião da Gama atribuiu o título de "Poema semi-cómico"; no entanto, aquando da publicação em livro, o poema surgiu sem título. Ao texto de Sebastião da Gama a interpretação de Amália retirou quatro quadras (que antecedem a última), alusivas a uma história de relacionamento de um professor com o seu director.
Uma afinidade de Amália com Sebastião da Gama assenta no dia 10 de Abril, data que foi a do nascimento do poeta (em 1924) e que foi também a da estreia da fadista no Olympia de Paris (em 1956), onde cantou o “Nem às paredes confesso”. - JRR

sábado, 20 de novembro de 2010

Antologia de homenagem a Sebastião da Gama

Os alunos da Oficina de Poesia da Universidade Sénior de Setúbal publicaram uma antologia intitulada Homenagem a Sebastião da Gama, reunindo 29 textos produzidos nas respectivas sessões.
A antologia foi ontem apresentada, no final da sessão que, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, decorreu, destinada a alunos da Universidade Sénior de Setúbal e a alunos do Clube Universitário Tempo Livre da Amadora.
Parte significativa dos poemas toma como pretexto palavras de Sebastião da Gama, enquanto outros incidem sobre temáticas queridas ao poeta da Arrábida e outros demonstram o valor da memória dos respectivos autores relativamente a aprendizagens colhidas na leitura dos textos do poeta.
Autores presentes nesta colectânea são: Alexandrina Pereira, Eduarda Gonçalves, Anna Netto, Arnaldo Ruaz, Beatriz Estrela, Berta Duarte, Carmo Branco, Célia Peixinho, Conceição Portela, Custódia Procópio, Deolinda Conceição, Elvira Cevadinha, Henrique Mateus, Idalece Rocha, Inácio José Lagarto, João Santiago, Kina Viegas, Lucinda Neves, Maria Adelaide Palmela, Maria de Fátima Santiago, Maria Filomena Lopes, Maria Helena Barata, Maria Helena Freire, Maria de Lourdes Alves, Maria de Lourdes Silva, Maria Sol, Natália Monteiro, Suzete Pereira e Viriato Horta.
Para os leitores, aqui se reproduz o contributo de Arnaldo Ruaz por aquilo que reflecte da mensagem de Sebastião da Gama e pelos tons que a paleta da Arrábida lhe ofereceu para o poema. – JRR

Sebastião da Gama apresentado a universitários séniores

Vieram da Amadora até Setúbal para um encontro com os colegas da Universidade Sénior de Setúbal. Consigo trouxeram o companheirismo da instituição sob que se albergam, o Clube Universitário Tempo Livre da Amadora (CUTLA). Como afinidade dos dois grupos, a literatura, uma vez que os de Setúbal integram a respectiva Oficina de Poesia e os da Amadora vieram sob os auspícios da disciplina de Literatura. Um dos pretextos foi uma visita à obra de Sebastião da Gama.
A acção correu na tarde de ontem, em Azeitão, no Museu Sebastião da Gama, onde a nossa Associação apresentou o “Poeta da Arrábida” ao grupo de Setúbal e ao grupo da Amadora (cerca de 40 participantes), sob o título “Sebastião da Gama – Meu caminho é por mim fora”, um peregrinar pela obra e pela biografia do poeta azeitonense, que teve a vida reduzida a 27 anos e que a memória tem prolongado até ao presente. No final, os alunos de Setúbal leram poemas seus de homenagem a Sebastião da Gama, enquanto os da Amadora apresentaram leituras de poemas do poeta.
Presente esteve também Joana Luísa da Gama, que, nos seus 87 anos, insiste em acompanhar a obra do marido, que também tem tido projecção graças à sua persistência.
A tarde ficou mais cheia com este viajar nas palavras e na mensagem do nosso patrono. E, pelos testemunhos ouvidos, o essencial da obra do poeta da “serra-mãe” continua a atrair muitas sensibilidades e a despertar muitas curiosidades e vontades de saber mais… - JRR

terça-feira, 16 de novembro de 2010

António Manuel Couto Viana dá nome a prémio

António Manuel Couto Viana (1923-2010), que foi nosso associado, que dirigiu a Távola Redonda (1950-1954) e que foi amigo de Sebastião da Gama, deu nome a prémio literário instituído pela Câmara Municipal de Viana do Castelo. A notícia consta no periódico vianense A Aurora do Lima, datado de 12 de Novembro:

domingo, 7 de novembro de 2010

Estudos Locais de Setúbal – Luís Souta e a escola dos escritores ligados a Setúbal

No II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, que decorreu na sexta e no sábado, assisti à conferência de Luís Souta (acontecida no primeiro dia), de que gostei, pelo cruzamento com identidades e com a cultural local, sem esquecer o mais vasto âmbito da cultura portuguesa.
Intitulada “Na escola da dor e do sofrimento, segundo cinco escritores do distrito”, Souta acentuou tratar-se de um conjunto de retratos feitos a partir de obras literárias, passando por obras de Mário Ventura, Maria Rosa Colaço, Romeu Correia, Manuel da Fonseca e Sebastião da Gama (tendo ainda havido remissões para Carlos Ceia e para Matilde Rosa Araújo), pretendendo mostrar “o olhar da literatura sobre o universo escolar”.
A originalidade da leitura de Luís Souta foi interessante, bem para lá da discussão do autobiografismo na literatura, mostrando que a ficção nasce de realidades, aí incluindo realidades vividas. A evocação de Manuel da Fonseca veio bem a propósito ou não tivesse sido ele a figura destacada (e presente) no I Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal que se realizou há 22 anos; também Romeu Correia, outro contador de histórias, mereceu ser lembrado, ele que tem tido a sua obra quase esquecida; igualmente a recordação de Rosa Colaço e desse mítico (e quase fundador) livro que foi A criança e a vida fez recuar no tempo, chamando a atenção para a sensibilidade que, desde cedo, pode invadir a escrita; Mário Ventura foi mencionado a propósito da história de Miguel Zuzarte e, não sendo de Setúbal, por aqui viveu e empurrou o nome da cidade para a história do cinema em Portugal – haja em vista a realização do Festroia –, motivo que levou Souta a sugerir que o nome de Mário Ventura deveria ser atribuído ao Auditório Charlot, espaço municipal sadino de encontros e de cinema (proposta certeira, diga-se, e a merecer ser levada avante); Sebastião da Gama foi chamado pelo seu Diário, obra de referência para a pedagogia e para o pensamento do professor, sobre ela afirmando Luís Souta que “é suposto num estágio o professor aprender”, mas Sebastião da Gama foi “um professor em formação que produziu um texto formador que veio a marcar a pedagogia”, outra forma de dizer que o Diário do poeta da Arrábida, registo do que foi o seu ano de estágio na Escola Veiga Beirão, é a marca de “um professor reflexivo”.
Luís Souta proporcionou, desta forma, um outro olhar sobre a escola. De outros tempos e igual para todos, é certo, mas valorizando a experiência e a literatura, chamando a atenção para a pluralidade de leituras que a arte pode conter. - JRR

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ana Castelo canta "Pequeno Poema"


O texto é de Sebastião da Gama e chama-se “Pequeno Poema” ("quando eu nasci" é o primeiro verso, frequentemente chamado para dar título ao poema), datado de 7 de Maio de 1945 e inicialmente publicado na primeira obra do poeta azeitonense Serra Mãe (saída nesse mesmo ano). A interpretação musical, que lhe deu o título de “Amor”, é de Ana Castelo e dos “Danação do Sol”, num projecto que teve música de Ana Castelo, Joca e Paulo Colaço e que, nesta exibição, contou com Ana Castelo (voz), Joca (guitarra), Luis Beco (bateria), Paulo Colaço (baixo), Chico Baião (saxofone) e José Liaça (teclas).
O filme, que corre na net, é gravação do programa “Jardim da Estrelas”, conduzido por Júlio Isidro, passado na RTPi em 1998. São quatro minutos e meio de música e de poesia de Sebastião da Gama.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Flores da Arrábida na ""Agenda do Professor"

A Agenda do Professor para o ano lectivo de 2010/2011 publicada pela Associação dos Municípios da Região de Setúbal (AMRS) tem como tema a vegetação da Arrábida, uma apresentação que é motivada pelo facto de a AMRS ser a principal proponente da candidatura da Arrábida a Património Mundial da UNESCO.
A nota introdutória desta publicação justifica a opção: “A Arrábida é um sítio natural de valor mundial, nomeadamente, pela excepcionalidade da sua paisagem e pela riqueza florística e de conjuntos vegetativos que apresenta. De facto, a Arrábida constitui um laboratório natural a céu aberto. Pela diversidade de habitats e pelo equilíbrio dinâmico que existe entre eles, possui a vegetação da Arrábida uma raridade e uma resiliência própria extraordinária que permite a diversidade actual.”
Com projecto gráfico e fotografia de Dina Teles, a Agenda do Professor mostra uma dúzia de reproduções de plantas que podem ser encontradas no espaço da Arrábida, sobre as quais são indicadas características como a designação científica, a família, o nome vulgar, as dimensões, a ecologia e a fenologia.
Presentes nesta tiragem de cerca de 15 mil exemplares estão a madressilva (que ilustra também a capa), bocas-de-lobo, erva-pinheira, macela-de-S.João, fel-de-terra, fel-do-mato, ervilhaca miúda, tojo-gatunha, cardo do coalho, murta, roselha grande, beleza e lavapé.
Esta edição é uma evocação simpática da Arrábida, numa paleta de cor e de natureza para ir entretecendo os dias, num tempo em que falar da Arrábida não pode ser apenas por moda mas por intervenção cultural e cívica. - JRR

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Synapsis, em Setúbal, com Sebastião da Gama

Synapsis é o nome de um novo grupo de “intervenção cultural e cívica” que vai apresentar-se publicamente na noite de hoje, no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal.
Música, poesia e pintura serão as três artes que vão integrar este programa, animado por Nuno David, Salvador Peres, João Completo, Alexandre Murtinheira, Diná Lopes Peres e Carlos Medeiros. Alguns dos temas musicais acompanharão poemas de David Mourão-Ferreira (“A Secreta Viagem”) e de Sebastião da Gama (“Quem me quiser amar” e “Soneto do tempo perdido”). - JRR

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Serra-Mãe como maravilha ou como paradoxo

A Arrábida está no centro de duas candidaturas que têm a ver com a sua beleza, com a sua especificidade, com a sua unicidade: é assim que surge na lista das nomeações para as “7 Maravilhas” de Portugal e também é assim que aparece na corrida para ser Património da Humanidade.
A ternura pela Arrábida tem feito correr a inspiração de poetas – assim, de repente, surgem os nomes de Frei Agostinho da Cruz, de Alexandre Herculano, de Sebastião da Gama, de Miguel de Castro, entre muitos outros. Mas foi Sebastião da Gama, quando tinha 23 anos, quem assumiu a defesa da Arrábida também por uma questão de cidadania, intervenção que valeu, em 1948, logo no ano seguinte a essa sua intervenção, a criação da Liga para a Protecção da Natureza.
Esse gesto do “Poeta da Arrábida” foi lembrado na crónica que Carla Graça, presidente do núcleo sadino da Quercus, publicou no jornal digital Setubalnarede de ontem e que pode ser lido aqui. Para lá da nossa adesão aos encantos arrabidinos (indiscutíveis!), vale a pena ler esse artigo com atenção e pensar no desafio que a autora nos deixa no final: “A Serra da Arrábida encontra-se actualmente numa encruzilhada, entre a preservação de valores únicos no nosso País e a pressão cada vez maior da actividade humana, mais exigente e mais consumidora de recursos. São necessárias opções muito claras. Não basta nomear a Arrábida como maravilha ou como Património da Humanidade. Há que saber vivê-la assim.” - JRR

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"Diário", um livro de leitura obrigatória

Nunabre. A Aurora do Lima: Viana do Castelo, 21.Julho.2010.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

CD "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Testemunhos

O cd “Sebastião da Gama – Meu caminho é por mim fora” continua a motivar reacções de que queremos dar conta.
De Oliveira de Azeméis escreveu Avelino Cabral: “Agradeço o envio e felicito-os pelo magnífico trabalho realizado em prol da divulgação da obra de Sebastião e para bem da cultura.”
Fernando Camelo disse, a partir do Porto: “Endereço, depois de completa audição do cd, os meus sinceros parabéns pela escolha e declamação dos textos de Sebastião da Gama, aos quais desejo a melhor divulgação.”
Numa carta dirigida a Joana Luísa da Gama, o franciscano David Antunes, de Braga, registou: “Este maravilhoso cd encheu-me a alma de encantamento e de lágrimas os olhos. (…) Mal imagina as ganas que me vieram de ser um Creso para pôr este cd nas mãos de cada português, qual 'Magalhães' de alta tecnologia, a fim de lhes ensinar a arte de amar como o Sebastião amava. Comove-me o fundo franciscano da sua nobilíssima arte (verdadeiramente amatória no mais nobre dos sentidos). A milhas daqui, um poeta italiano dos nossos dias, de sensibilidade confessadamente franciscana, cantava uma oração ao Senhor: Se Ti amasse veramente parlerei con un fiore! (Se Te amasse verdadeiramente, falaria com uma flor!) Sem respeitos humanos… acrescentaria o Sebastião.”
Quer partilhar o que ficou da sua audição connosco? – JRR
[foto: jornal O Setubalense]

terça-feira, 6 de julho de 2010

Dos associados (11) - Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

Matilde Rosa Araújo, amiga e colega de curso e de profissão de Sebastião da Gama, escritora de renome e nossa associada, deixou-nos hoje. Em sua memória, aqui deixo o poema que Sebastião da Gama para ela escreveu a fim de integrar o livro de curso da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Novíssimo Cancioneiro (1941-1945).
in Novíssimo Cancioneiro (1941-1945). Lisboa: Faculdade de Letras, 1946, pg. 83.

Matilde Rosa Araújo ajudou a manter a memória e a obra de Sebastião da Gama, quer escrevendo na imprensa, quer dando público testemunho do que foi o convívio de amizade e de cultura entre os dois, quer colaborando na organização da sua obra póstuma, designadamente na obra O segredo é amar (1969), para que também escreveu o prefácio.
Ver mais aqui e aqui. - JRR

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dos associados (10) - Resendes Ventura, aliás, Manuel Medeiros

O recorte faz apresentação breve da obra Papel a mais - Papéis de um Livreiro com inéditos de escritores, assinada por Resendes Ventura, pseudónimo literário de Manuel Medeiros, nosso associado, livreiro na Culsete (em Setúbal), dinamizador da leitura, poeta. Editado no final de 2009 (Lisboa: Esfera do Caos), o livro mereceu o comentário que se mostra no artigo "Fragmentos da Humanidade", incluído na selecção de livros para as férias, assinada por João Morales na revista Os Meus Livros (nº 89, Julho. 2010, pg. 47).
Refira-se que esta obra reúne alguns textos em que Sebastião da Gama é motivo, tais como: "Evocação de Sebastião da Gama, pedagogo", de Maria de Lourdes Belchior (pp. 191-194), ou "Testemunho sobre Sebastião da Gama", de Fausto Lopo de Carvalho (pp. 195-197) ,ou "Sebastião, a que é que sabe a vida?", de Matilde Rosa Araújo (pp. 201-209), ou "De repente vemo-nos velhos - Resposta do Mané Botas a Sebastião da Gama", de Resendes Ventura (pp. 285-289). E ainda: uma carta de Sebastião da Gama a Manuel Botas (seu aluno, de Setúbal), datada de 17 de Fevereiro de 1949 (pp. 199-200). E temos ainda o desabafo na primeira parte do livro: "Muito gostaria de ter podido fazer mais pelos valores setubalenses. Por maneira de pensar, por dever cívico, por sensibilidade. Que prazer foi chegar a Ponta Delgada, agora em 2003, e ver, bem no centro da cidade, a estátua do setubalense Silvestre Serrão! O que me custa não ver na Avenida Luísa Todi, onde residiu e trabalhou no primeiro dos seus breves mas tão marcantes anos de professor, uma estátua a Sebastião da Gama!..." (pg. 56).
Aqui está um livro autobiográfico, com ensaio e poemas à mistura, com escritas de várias mãos, mostrando um percurso de opção pelo livro e pela intervenção cultural e cívica. - JRR

terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma citação de Saint-Exupéry quando passam 110 anos sobre o seu nascimento

Citação de Le Petit Prince sobre aguarela de Saint-Exupéry para essa obra

Entre 13 e 15 de Dezembro de 1949, Sebastião da Gama registou no seu Diário: «O que eu gostava que os rapazes aprendessem nas nossas aulas era isto, primeiro que tudo: a aproximarem-se. Dos homens, dos bichos, da paisagem, de Deus. O ponto que vou transcrever leva esse intuito nas entrelinhas: “Il faut bien tenter de se rejoindre. Il faut bien essayer de communiquer avec quelques-uns de ces feux qui brûlent de loin en loin dans la campagne” – acabo eu de ler em Antoine de Saint-Exupéry.»
A citação que Sebastião da Gama faz de Saint-Exupéry consta na obra Terre des Hommes (1939), um título clássico deste autor nascido em Lyon faz hoje 110 anos, que lhe valeu um prémio da Academia Francesa e a entrada nos “best-sellers” da América. A efeméride é, pois, motivo para lembrar os dois autores que viveram levados pelo sonho… Sebastião da Gama também perfilharia, por certo, a máxima retirada de Le Petit Prince, de Saint-Exupéry, que integra a gravura reproduzida. – JRR

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dos associados (9) - Nuno Gama e as "Sete Maravilhas"

Nuno Gama, estilista, nosso associado e familiar de Sebastião da Gama, entra nas "7 Maravilhas Naturais de Portugal" através de t-shirts personalizadas, conforme noticia O Setubalense de hoje.
O Setubalense: 28.Junho.2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Daniel Nobre

"Agora, serenamente calmo, devo dizer que o cd tem óptima qualidade de audição e declamação. A música também. Devo dizer que a Maria Clementina e Fernando Guerreiro continuam esplêndidos, mais que nos velhos tempos do Ateneu. Ai que saudade, ai que melancolia me invade a alma… Mas deixe-me regar com lágrimas puras este momento tão belo, aqui sozinho, na net… Desculpe."
Daniel Nobre (Castelo Branco), via mail

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Reacções

As reacções ao cd “Meu caminho é por mim fora”, que a Associação promoveu, têm chegado e são favoráveis, umas mais expansivas, por escrito outras. Já algumas aqui foram publicadas como comentário a postais já editados.
Ontem, via mail, a Alexandrina Pereira também deu a sua opinião, recuando até à sessão de 5 de Junho, em que ocorreu a apresentação do cd, dizendo: “ouvi o cd pouco depois de o ter adquirido e fui saboreando o seu conteúdo. As vozes de todos os intervenientes não me surpreenderam pela beleza e harmonia assim como não me surpreendeu a suavidade da música do nosso querido amigo Rui Serodio. Não me surpreenderam porque sei (todos sabemos) a qualidade de todos. Considero um trabalho excelente. Sobre a tarde da apresentação, foi bonito ver a sala cheia mas outra coisa não era de esperar. (…) A presença da Dra. Maria Barroso emocionou-me principalmente por sentir o quão importante foi para ela a sua participação nesta homenagem a Sebastião da Gama.
Finalizo dizendo-lhe que tenho estado a ler (só tinha folheado) o livro de Sebastião da Gama O Segredo é Amar. O que ele nos ensina! Que ser humano tão excepcional! Neste livro somos levados a amar tudo o que faz parte da vida e que quantas (demasiadas!) vezes não valorizamos ou nem reparamos: o sol, a pequena planta, Alentejo, Estremoz, Pascoaes. Que vida curta para tão grande coração.”
Ontem ainda, no “Jornal de Domingo”, da TVI... “Vamos aos livros, Professor?”, perguntou Júlio Magalhães a Marcelo Rebelo de Sousa. “Um cd. Meu caminho é por mim fora. Poesias de Sebastião da Gama ditas por muito boa gente, inclusive Maria Barroso. Uma homenagem a Sebastião da Gama.” Foi assim que Marcelo Rebelo de Sousa abriu a parte da sua intervenção dedicada aos livros.
Se já ouviu o cd, faça-nos chegar também a sua opinião para a podermos partilhar. - JRR
[foto: O Setubalense]

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Dos associados (7): António Manuel Couto Viana (1923-2010)

António Manuel Couto Viana, nosso associado desde a primeira hora, faleceu na tarde de ontem, assim se perdendo mais um amigo de Sebastião da Gama, seu companheiro na revista Távola Redonda (nascida em 1950), que, em muitos escritos e em muitos momentos, contribuiu para a memória de Sebastião da Gama.
Da sua bibliografia – iniciada com o livro de poemas O avestruz lírico, em 1948, e extensa em quantidade de títulos, em diversidade de géneros (ensaio, teatro, poesia, memórias, conto, crónica) – faço ressaltar aqui aquela que de Sebastião da Gama tratou, sempre numa reverência exigida pela amizade e pela memória, sempre prolongando o tempo em que os dois poetas contactaram em encontros gerados pela causa poética apenas: “Sebastião da Gama” (Coração Arquivista. Lisboa: Editorial Verbo, 1977, pp. 264-274), “Biografia de Sebastião da Gama através da sua poesia” (Sebastião da Gama – 50 anos de Poesia. Setúbal: Câmara Municipal de Setúbal, 1998, pp. 6-27), “Sebastião da Gama” (Ler, Escrever e Contar – Estudos e Memórias. Lisboa: Universitária Editora, 1999, pp. 129-142), “Sebastião da Gama em Terras do Norte” (Revista da Liga dos Amigos do Hospital de Ponte de Lima. Dir: Custódio Fernandes. Ponte de Lima: nº 1, Setembro.2000, pp. 26-32), “Sebastião da Gama” (Poetas Minhotos Poetas do Minho – II. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2003, pp. 313-324) e “Frei Agostinho e Sebastião – Do Lima à Arrábida e da Arrábida ao Lima” (Sebastião da Gama – O poeta e o professor – Estudos e perspectivas. Azeitão: Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007, pp. 69-80).
Quando, em 2001, António Mateus Vilhena e Daniel Pires preparavam a antologia A serra da Arrábida na poesia portuguesa (Setúbal: Centro de Estudos Bocageanos, 2002), pedi a Couto Viana um poema sobre a Arrábida. Inevitavelmente, a pena correu, em letra grande e bem vincada, e, desde a Casa do Artista, na Pontinha, Couto Viana fez chegar as suas três quadras de “Ó Arrábida!”, onde, também inevitavelmente, era invocado o estro de Sebastião da Gama, associado à força mística que a serra tem representado e à sua presença regular na literatura.
Sempre envolvido na preservação da memória do Poeta da Arrábida, António Manuel Couto Viana acompanhou todas as actividades da nossa Associação com interesse e estando presente em algumas (em Palmela e em Setúbal) e tendo feito parte da Comissão de Honra do Monumento a Sebastião da Gama, erigido em 2007 em Azeitão. - JRR
[fotos: António Manuel Couto Viana, em Azeitão, em 9 de Junho de 2007, na inauguração do monumento a Sebastião da Gama, por Cília Costa; reprodução do manuscrito do poema "Ó Arrábida!", incluído na antologia A serra da Arrábida na poesia portuguesa.]

terça-feira, 8 de junho de 2010

José Hermano Saraiva mostrou Sebastião da Gama

Quando, no sábado, estava a acabar a sessão de apresentação pública do cd “Sebastião da Gama – Meu caminho é por mim fora”, começava na RTP 2 o programa “A alma e a gente”, do Professor José Hermano Saraiva, sob o título “Sebastião da Gama, o poeta da Arrábida”, episódio de 25 minutos, quase totalmente gravado no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão.
Ter havido no dia 5 de Junho a apresentação do cd e este programa televisivo foi mera coincidência. Ao longo do programa, José Hermano Saraiva biografou Sebastião da Gama, leu dois dos seus poemas – “Serra-Mãe” e “Pequeno Poema” – e fez considerações sobre essa obra magna que é o Diário.
O programa usou uma linguagem bem acessível – como desde há muito é timbre nas séries apresentadas por José Hermano Saraiva – ainda que tenha incorrido numa ou outra pequena imprecisão de relato. No entanto, o retrato traçado de Sebastião da Gama saiu muito coincidente com aquele que todos os que o conheceram dele têm feito: figura “deslumbrante”, em cujo interior “parecia haver luz”, dotada de “prodigiosa irradiação de bondade”.
Se este foi o retrato do homem, quanto ao poeta, referiu Hermano Saraiva que ele teve dois grandes amores – “a mãe e a serra” – assim justificando o título do primeiro livro (Serra-Mãe) e explicando a ligação do poeta à serra pelo facto de “a Arrábida ter uma atmosfera mística”.
A vertente mais comentada no programa foi a faceta do professor, defendendo o autor do episódio que “para praticar o método seguido por Sebastião da Gama é preciso ter talento”, porque o ensino por ele defendido “criava perguntas e punha a turma a descobrir”, chegando a aula a ser “um festival”. A obra Diário afigura-se, assim, como o repositório de uma metodologia completamente nova, livro que, comentou Hermano Saraiva, “está esquecido e devia ser obrigatório na formação dos professores”, opinião que o levou a concluir o seu programa com uma pequena subversão intencional a um verso do texto “Pequeno Poema” – “Quando eu nasci ficou tudo como estava”, exarou Sebastião da Gama. “E não devia ter ficado!”, completou Hermano Saraiva.
Ao longo do programa, apareceram imagens do Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, da serra da Arrábida e alguns exteriores de Vila Nogueira de Azeitão, designadamente o monumento a Sebastião da Gama que a Associação Cultural Sebastião da Gama ali erigiu em 2007 e de cuja Comissão de Honra José Hermano Saraiva fez parte. Como tendo contribuído para a memória do “Poeta da Arrábida” foram enaltecidos a criação do Museu Sebastião da Gama e o papel desempenhado por Joana Luísa da Gama, a esposa do poeta, que “dedicou a vida inteira a publicar a obra do marido”, designadamente o Diário, publicação póstuma saída em 1958, meia dúzia de anos depois de Sebastião da Gama ter falecido.
Um programa interessante de divulgação, que serviu, sobretudo, para uma chamada de atenção sobre esta figura da cultura portuguesa nascida em Azeitão, que foi “um dos grandes vultos da poesia portuguesa do século XX”, e para a necessidade de ser lido e estudado, especialmente no que à educação respeita. O programa pode ser visto no sítio da RTP. - JRR

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - imprensa 1


O Setubalense: 07.Junho.2010, pp. 1 e 7.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 12

Aspecto da assembleia que participou na apresentação do cd - foto: Cília Costa

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 11

Presenças de Rui Serodio (compositor das músicas que integram o cd)
e do poeta José António Contradanças - foto: Cília Costa

domingo, 6 de junho de 2010

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 10

Presenças de Anita Vilar e José Nobre - foto: Cília Costa

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 9

Presenças de Maria Barroso, Joana Luísa da Gama e Quaresma Rosa, vendo-se em segundo plano Carlos Zacarias - foto: Cília Costa

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 8

Os lugares sentados não foram suficientes para a quantidade de pessoas que acorreu à apresentação do cd, mas a Maria do Carmo, o José Baptista, a Fátima Alves, a Anita Vilar e a Natércia Fraga improvisaram assento, enquanto Cunha Bento tinha a seu cargo a distribuição dos cd's. - foto: Cília Costa

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Intervenção do Presidente da ACSG

Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Permitam-me que os convide a lembrarem-se de José Régio, quando, no poema “Cântico Negro”, inserido num livro publicado em 1925, escrevia “Só vou por onde / Me levam meus próprios passos…” e, mais adiante, completava a ideia, afirmando que “Se vim ao mundo, foi / (…) / [para] Desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!”
Se aqui chamo a palavra de José Régio, é por saber que essa foi uma das fontes de saber e de poesia de Sebastião da Gama e por achar que este verso “Meu caminho é por mim fora”, que dá título ao cd que agora se apresenta e que foi pedido emprestado ao poema “Itinerário”, se cruza algures com esses outros versos de Régio, no assumir de um percurso poético, absolutamente indissociável de um trajecto de vida e de intervenção cultural e humana.
Reunimos neste cd 26 textos do “Poeta da Arrábida” que é Sebastião da Gama, entre poesia e prosa, sendo que todos eles constituem uma janela aberta para o mundo do próprio poeta, do professor e do homem que Sebastião da Gama foi, uma quase trilogia – ou trindade, se preferirem – em que cada um dos painéis é indissociável dos outros, porque as aulas transpiravam poesia, a vida corria sobre poemas e o poeta construía versos sobre o que a vida e o mundo lhe ensinavam.
São 26 textos numa sequência de descoberta de mensagem. O primeiro é um excerto dessa obra fundamental para a educação que se chama Diário (traduzido, há cerca de um mês e meio em Itália e, pasmemo-nos com o nosso fraco hábito de só imitarmos os outros!, com essa primeira edição traduzida já esgotada), obra que regista um ano e tal de prática docente, humana e culta, reflectindo o professor neste texto sobre o que disse aos alunos acerca da poesia e de como ela é condição para a sinceridade.
Depois, vêm poemas, ordenados cronologicamente, escritos entre 1946 e 1951, por onde passam as temáticas diversas que povoam a escrita de Sebastião da Gama – a Natureza, a Arrábida, o Poeta, a alegria e a força de viver, a religiosidade, a infância, a mãe, a tradição literária portuguesa, o amor, a contemplação e a descoberta do mundo, a liberdade. Por estes textos vibra também uma quase geografia de Sebastião da Gama, sobreposta aos lugares por onde passou e de que se apropriou inserindo-os na sua obra – a Arrábida, naturalmente, mas também Lisboa e o Tejo, Viana do Castelo, Estremoz. Ressaltam ainda alguns dos modelos que ajudaram a decidir uma arte poética, como a lírica medieval galego-portuguesa, Frei Agostinho da Cruz, Bernardim Ribeiro, Camões, ecos de Fernando Pessoa e ainda a valorização dos seus contemporâneos, como acontece no poema em que celebra Carlos Queirós.
O texto que fecha o cd é uma porta aberta, um hino à liberdade, apesar de ser escrito em prosa. “Encarcerar a asa”, assim ficou intitulado. Foi o último texto que Sebastião da Gama escreveu, em 25 de Janeiro de 1952, treze dias antes de se despedir da vida, e faz justiça àquilo que sempre defendeu – aprender com a simplicidade da vida e, desta vez, o pretexto foi um pintassilgo dentro de uma gaiola, que deu para falar da liberdade, da alegria e graça de estar vivo, do que é educar, da fraternidade, de Estremoz (onde vivia, na altura), do saber. É um texto que adquire ainda mais valor por ter sido o último produzido e por conter um testemunho, talvez um testamento, de valores fundamentais.
E como surgiu este cd? Um dia, há mais ou menos um ano e dois meses, recebi um mail do Rui Serodio, lamentando-se de que não tinha ainda composto nada para acompanhar a poesia de Sebastião da Gama, acrescentando que queria ter essa marca na sua vida de compositor. E logo ali esboçava os custos e a forma de avançar com um cd no que à música e a algumas eventuais colaborações dizia respeito. Esta ideia, surgida assim, depois de uma sessão sobre o poeta que no dia anterior tinha promovido no Clube Setubalense, bateu fundo porque vinha ao encontro de uma intenção que tínhamos e que era concordante com este desabafo-proposta do Rui. A congeminação para a construção do cd começou de imediato e, um ano passado, aqui o estamos a apresentar.
Fica-nos a satisfação de estarmos contentes com esta obra, em grande parte devida ao voluntariado de uma diversidade de colaboradores bem interessante. Alinhado e preparado este trabalho, apresentámos convite a 24 eventuais parceiros, entre instituições e empresas, para se juntarem a nós na edição desta obra. Alguns dos contactados responderam, elogiando a ideia, mas argumentando impossibilidades várias para entrarem no projecto. Alguns outros, poucos, nem sequer nos responderam, e o mais grave é que a falta de resposta (sublinho: a falta de resposta) partiu de empresas e instituições com responsabilidades na nossa região, na paisagem e na identidade da nossa região. É para esses que vai o nosso primeiro agradecimento, não por ironia, mas porque fizeram sentir que quem nos respondeu, sendo parceiro ou não, é, de facto, ainda mais importante.
Alinharam neste projecto, através da aquisição de cd’s, instituições como: Banco BPI (cujo presidente, o Dr. Artur Santos Silva, reconheceu o valor deste trabalho do ponto de vista cultural e identitário), a Fundação Buehler-Brockhaus (que reconheceu a importância deste projecto e decidiu proceder à oferta deste cd aos centros de recursos das escolas do concelho de Setúbal), a Fundação Calouste Gulbenkian (que vai distribuir este cd pelas várias bibliotecas do país com as quais tem protocolo), a Fundação Oriente (desde início valorizando a dimensão da Arrábida), o Grupo Nabeiro – Delta Cafés (cultivando uma prática enternecedora de apoio a actividades culturais), Ramos & Varela (o primeiro apoiante, quando ainda nem se vislumbrava a forma do cd) e a Câmara Municipal de Setúbal e as duas Juntas de Freguesia de Azeitão (S. Simão e S. Lourenço), três instituições que, desde sempre, se têm deixado envolver pelas propostas que apresentamos e que, justo é dizê-lo, muito têm pugnado pela imagem e pela memória de Sebastião da Gama. Para estes nove parceiros, que confiaram no trabalho a apresentar e que nos incentivaram a que ele fosse um produto com qualidade, aqui fica o nosso agradecimento.
As pessoas foram a mola determinante desta obra e alguns nomes temos de assinalar: menciono em primeiro lugar os de Joana Luísa da Gama e de Aurora Gama, uma e outra interessadas na divulgação da mensagem da obra do seu familiar, uma e outra autorizando a Associação a usar os textos e as imagens do poeta, uma e outra acompanhando as dificuldades e as alegrias do que foi pôr este projecto no caminho. Depois, tenho de referir o nome de Rui Serodio, pianista e compositor, um dos pais desta ideia, autor das músicas que acompanham os poemas aqui ditos, que várias vezes me referiu ser este um projecto bem importante na sua vida de músico e de cidadão e que o levou a apreciar de forma mais intensa a musicalidade da poesia de Sebastião da Gama (obrigado, Rui!); o de Jorge Calheiros, que procedeu à montagem e elaborou um grafismo, a meu ver, digno de registo e de louvor, e que, de editor, passou a ser colaborador porque se envolveu de tal forma no projecto que já dizia os poemas à maneira de cada um dos artistas e porque assumiu que este projecto era para ele também uma questão de cidadania (obrigado, Jorge!); o de David Neutel, que pôs o seu saber ao serviço da gravação das vozes; os de Célia David, Fernando Guerreiro, José Nobre e Maria Clementina, actores bem conhecidos e amados nesta terra, que, desde início, se prontificaram a colaborar, sem condições, partilhando dizeres, acreditando nesta obra, dando voz e corpo aos textos do Poeta da Arrábida, ao mesmo tempo que tinham de respeitar as suas agendas de geografias díspares e de trabalhos desencontrados (obrigado, Célia, Fernando, Zé e Clementina!); o da Dra. Maria Barroso, pela pronta disponibilidade e aceitação e pela partilha das lembranças de Sebastião da Gama, sua contemporânea e amiga, e também pelo carinho que pôs no dizer, num acariciar dos versos surpreendente (obrigado, Dra. Maria Barroso!); o do Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, que sempre se tem mostrado disponível para lembrar o exemplo e a obra de Sebastião da Gama, personalidade de apoios diversos à nossa Associação, e que traçou curtas mas pertinentes palavras para abertura deste cd (impossibilitado de aqui estar devido a outros compromissos, fica-lhe também o nosso obrigado, apesar da sua ausência).
Caros Amigos, este é um projecto que, para a Associação Cultural Sebastião da Gama, visa a divulgação, a memória futura (deixando a criatividade da voz e da música para intervenientes que estão ligados a Setúbal e à Arrábida ou que foram próximos de Sebastião da Gama) e a adaptação ao mundo multimédia (que, hoje, ajuda a valorizar o que de bom existe) da obra de um poeta, que, tendo partido aos 27 anos, conseguiu marcar a poesia portuguesa do século XX e legou um testemunho do acto educativo que só não é de leitura obrigatória em Portugal porque, teimosamente, continuamos a preferir a distracção com o que é importado, ainda que às vezes seja superficial.
A memória faz-se com as chamadas de atenção e também com a leitura da obra. Oxalá gostem!
Muito obrigado.

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - registo

O final da tarde de ontem teve, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, a apresentação pública do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora", produzido pela Associação Cultural Sebastião da Gama, projecto em que intervieram as vozes de Célia David, José Nobre, Fernando Guerreiro, Maria Barroso e Maria Clementina, a música de Rui Serodio e o trabalho de montagem e de grafismo de Jorge Calheiros.
Foi sala cheia, em que estiveram presentes Macaísta Malheiros (Governador Civil de Setúbal), Carla Guerreiro (Vereadora da Câmara Municipal de Setúbal, em representação da Presidente), Luís Gonzaga Machado (Presidente da Assembleia Geral da Associação Cultural Sebastião da Gama), Joana Luísa da Gama (esposa de Sebastião da Gama), Marion e Hans Peter Buehler (da Fundação Buehler-Brockhaus), Lineu Dias (representante de Rui Azinhais Nabeiro), Fernando Cristóvão (professor universitário), Carlos Rodrigues (actor), muitos associados (Alexandrina Pereira, António Rodrigues Correia, José António Contradanças, Ausenda Pereira, Quaresma Rosa, António Cunha Bento, Margarida Heliodoro, Margarida Teixeira, Manuel Medeiros, Manuela Cerejeira, Carlos Zacarias, Manuel Herculano Silva, Manuel Varela, entre outros) e muitos amigos.
A sessão contou com intervenções do Presidente da Direcção da Associação Cultural Sebastião da Gama (ACSG), da Vereadora Carla Guerreiro e do Governador Civil Macaísta Malheiros. Poemas de Sebastião da Gama foram ouvidos nas vozes de Célia David, José Nobre, Fernando Guerreiro, Maria Barroso e Maria Clementina, acompanhados ao piano por Rui Serodio.
Nesta sessão, o Presidente da Direcção da ACSG ofereceu à representante da Presidente da Câmara o cd nº 1, com o objectivo de integrar o acervo do Museu Sebastião da Gama, em Azeitão.
Este cd, resultado do trabalho de cerca de um ano, teve o apoio de entidades como Banco BPI, Câmara Municipal de Setúbal, Fundação Buehler-Brockhaus, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Oriente, Grupo Nabeiro - Delta Cafés, Junta de Freguesia de S. Lourenço (Azeitão), Junta de Freguesia de S. Simão (Azeitão) e Ramos & Varela, SA.
A obra integra, além do cd numerado, um libreto de 32 páginas, com uma breve apresentação da autoria de Marcelo Rebelo de Sousa, que reproduz os 26 textos e fotografias de Sebastião da Gama.

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 7

Presença de Natércia Fraga, Anita Vilar, José Baptista, Vicência Rosa e António Cunha Bento
foto: Quaresma Rosa

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 6

Presença de António Rodrigues Correia e de Fernando Cristóvão - foto: Quaresma Rosa

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 5

Presença de Manuel Medeiros (Resendes Ventura), Fernando Cristóvão e, ao fundo, Carlos Rodrigues (Manel Bola) - foto: Quaresma Rosa

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 4

Aspecto da assembleia, podendo ver-se, na fila da frente, do lado esquerdo: Lineu Dias (representante do Comendador Rui Nabeiro), Hans Peter Buehler e Marion Buehler (da Fundação Buehler-Brockhaus), Joana Luísa da Gama e Maria Barroso - foto: Manuel Herculano

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 3

Aspecto da assembleia, vendo-se, na primeira fila da esquerda Joana Luísa da Gama e Maria Barroso, seguidas de Ausenda Pereira; na primeira fila da direita, podem ver-se, no extremo, os actores Célia David e Fernando Guerreiro - foto: Manuel Herculano

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 2

Aspecto da Mesa que presidiu à sessão, vendo-se, ao fundo, o compositor e pianista Rui Serodio
(foto: Manuel Herculano)

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - Momentos 1

Aspecto da Mesa que presidiu à sessão, constituída por (da esquerda para a direita): Jorge Calheiros (editor do cd), Carla Guerreiro (Vereadora da Câmara Municipal de Setúbal), João Reis Ribeiro (Presidente da Direcção da Associação Cultural Sebastião da Gama), Macaísta Malheiros (Governador Civil de Setúbal) e Luís Gonzaga Machado (Presidente da Assembleia-Geral da Associação Cultural Sebastião da Gama) - foto: Quaresma Rosa

segunda-feira, 31 de maio de 2010

"Boletim Informativo" nº 7 já em distribuição

Está já em distribuição o nº 7 do Boletim Informativo da nossa Associação, saído depois de um interregno de cerca de um ano e meio. Constituído por oito páginas, contém os seguintes títulos: "Editorial", "Meu caminho é por mim fora - um cd para Sebastião da Gama", "O nosso blogue", "Digitalização da obra de Sebastião da Gama prossegue", "Ruy Ventura: Chave de ignição, o novo livro", "Falou-se de Sebastião da Gama...", "Sebastião da Gama: o Diário em italiano", "Arrábida a património mundial - 1ª reunião da Comissão de Acompanhamento", "A nossa Associação agradece a António Martins", "Quando Sebastião da Gama escreveu na imprensa..." e "Em 10 de Abril de 2010 - O Poeta da Serra-Mãe / 60 anos de Diário no 86º aniversário do Poeta". - JRR

Dos associados (6) - Alexandrina Pereira e Nicolau da Claudina

O Setubalense: 31.Maio.2010

A notícia vem n'O Setubalense de hoje e só pode constituir motivo de alegria para a Associação Cultural Sebastião da Gama e para os seus associados. É que, no dia 1 de Junho, data de feriado municipal em Palmela, vão ser atribuídas medalhas de mérito a figuras que se tenham destacado na vida concelhia, iniciativa que a Câmara Municipal de Palmela leva pela primeira vez a efeito, e, entre os condecorados, figuram dois nossos associados: Alexandrina Pereira e Nicolau da Claudina.
Ambos são figuras bem conhecidas na região: Alexandrina Pereira, pela sua dedicação à escrita, à cultura e a causas sociais; Nicolau da Claudina, pela longuíssima ligação ao movimento associativo e por essa marca biográfica que sempre tem divulgado com orgulho - a de ter sido aluno de Sebastião da Gama.
Felicitações aos dois! - JRR

sábado, 22 de maio de 2010

"Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - testemunho de Rui Serodio

Foi ontem entregue um exemplar do cd a Rui Serodio, o responsável pela parte musical desta obra. A sua reacção não se fez esperar e, por mail, ela chegou:
«Recebi ontem o meu exemplar (nº 10) do CD Meu caminho é por mim fora.
Fiquei maravilhado com a qualidade, com o bom gosto, com a beleza do grafismo, com a clareza dos textos e da sua ordenação, com o equilíbrio das diferentes nuances da cor, com o respeito ali expresso pelo Autor, sua vida e sua obra, com a verdade histórica e com a mística da personalidade do poeta ali exposta. A coerência da exposição das imagens desde o início até ao fim, de vibração serena mas poderosa como toda a poesia dele.
Mereceu a pena esperar estes meses todos (a roer as unhas) para ter esta compensação.
Já tinha tido acesso a várias componentes em separado mas agora com o CD completo nas mãos tem outra força. Que espanto!
Que obra bonita! Parabéns!»

"Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora" - as vozes e a música

Sumariamente, aqui apresentamos os amigos que deram a voz e a música a este cd, de maneira a tornarem-no numa obra importante:
Célia David é actriz, encenadora e professora de Expressão Dramática. Desenvolve a sua actividade profissional no teatro, televisão, cinema e rádio. Dedica-se igualmente à pesquisa e divulgação de poesia em língua portuguesa, cria e apresenta espectáculos de poesia com música e participa em diversos recitais. É responsável por artigos de opinião na imprensa escrita e em programas de rádio. Habita (n)a serra da Arrábida que lhe serve de inspiração no quotidiano pessoal e artístico.
Fernando Guerreiro é autor de peças infantis, escreve para teatro de revista e para animações de rua de cariz popular. Tem participado em vários recitais de poesia, em televisão e em cinema. Integrou o elenco do TAS (Teatro Animação de Setúbal). É autor do livro de poesia de cariz autobiográfico Memórias entre um sorriso (2009). Foi agraciado com a Medalha de Honra da Cidade de Setúbal na classe “cultura” (1996).
José Nobre é actor do Teatro Animação de Setúbal desde 1989. Nos seus 20 anos de carreira, participou em meia centena de produções. Para além do teatro, faz também locução de documentários, spots publicitários e dobragens para filmes de animação. Gravou recentemente o cd “Perscrutando a Inquietude” em que declama 40 poemas da obra de Bocage.
Maria Barroso, natural do Algarve, é licenciada em Histórico-Filosóficas, tendo sido colega de curso de Sebastião da Gama. Tem o curso de arte dramática do Conservatório Nacional, possui Doutoramento Honoris Causa pelas Universidades de Aveiro e de Lisboa e pelo Lesley College, de Boston. Pedagoga, deputada, fundadora do Partido Socialista, pertence a várias organizações nacionais e internacionais e é Presidente da Pro Dignitate – Fundação de Direitos Humanos e da Fundação Aristides de Sousa Mendes.
Maria Clementina é actriz e poeta (e funcionária pública por sobrevivência). Começou a carreira no teatro amador (“Ribalta” e “Teia”), chegando depois ao teatro profissional, com colaboração no TIL (Teatro Infantil de Lisboa), TAS (Teatro de Animação de Setúbal) e Teatro Politeama. Tem também participações em cinema e televisão e no grupo de teatro “Espelho Mágico”. Dedica-se à leccionação da disciplina "Arte de Dizer" e é aluna de outras disciplinas na UNISETI (Universidade da 3ª. Idade) de Setúbal.
Rui Serodio é pianista, cursou Piano e Composição no Conservatório Nacional de Lisboa, onde estudou a literatura dos Mestres Clássicos, Românticos e Impressionistas. Dedica particular atenção à execução de música portuguesa executada em Grande Piano. Autor de vários cds, como “Sintra”, “Caminhos da Arrábida” e “Mística do Piano”. Concentra a sua actividade de intérprete e compositor em bandas sonoras para cds de poesia e para peças de teatro.