quarta-feira, 9 de junho de 2010

Dos associados (7): António Manuel Couto Viana (1923-2010)

António Manuel Couto Viana, nosso associado desde a primeira hora, faleceu na tarde de ontem, assim se perdendo mais um amigo de Sebastião da Gama, seu companheiro na revista Távola Redonda (nascida em 1950), que, em muitos escritos e em muitos momentos, contribuiu para a memória de Sebastião da Gama.
Da sua bibliografia – iniciada com o livro de poemas O avestruz lírico, em 1948, e extensa em quantidade de títulos, em diversidade de géneros (ensaio, teatro, poesia, memórias, conto, crónica) – faço ressaltar aqui aquela que de Sebastião da Gama tratou, sempre numa reverência exigida pela amizade e pela memória, sempre prolongando o tempo em que os dois poetas contactaram em encontros gerados pela causa poética apenas: “Sebastião da Gama” (Coração Arquivista. Lisboa: Editorial Verbo, 1977, pp. 264-274), “Biografia de Sebastião da Gama através da sua poesia” (Sebastião da Gama – 50 anos de Poesia. Setúbal: Câmara Municipal de Setúbal, 1998, pp. 6-27), “Sebastião da Gama” (Ler, Escrever e Contar – Estudos e Memórias. Lisboa: Universitária Editora, 1999, pp. 129-142), “Sebastião da Gama em Terras do Norte” (Revista da Liga dos Amigos do Hospital de Ponte de Lima. Dir: Custódio Fernandes. Ponte de Lima: nº 1, Setembro.2000, pp. 26-32), “Sebastião da Gama” (Poetas Minhotos Poetas do Minho – II. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2003, pp. 313-324) e “Frei Agostinho e Sebastião – Do Lima à Arrábida e da Arrábida ao Lima” (Sebastião da Gama – O poeta e o professor – Estudos e perspectivas. Azeitão: Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007, pp. 69-80).
Quando, em 2001, António Mateus Vilhena e Daniel Pires preparavam a antologia A serra da Arrábida na poesia portuguesa (Setúbal: Centro de Estudos Bocageanos, 2002), pedi a Couto Viana um poema sobre a Arrábida. Inevitavelmente, a pena correu, em letra grande e bem vincada, e, desde a Casa do Artista, na Pontinha, Couto Viana fez chegar as suas três quadras de “Ó Arrábida!”, onde, também inevitavelmente, era invocado o estro de Sebastião da Gama, associado à força mística que a serra tem representado e à sua presença regular na literatura.
Sempre envolvido na preservação da memória do Poeta da Arrábida, António Manuel Couto Viana acompanhou todas as actividades da nossa Associação com interesse e estando presente em algumas (em Palmela e em Setúbal) e tendo feito parte da Comissão de Honra do Monumento a Sebastião da Gama, erigido em 2007 em Azeitão. - JRR
[fotos: António Manuel Couto Viana, em Azeitão, em 9 de Junho de 2007, na inauguração do monumento a Sebastião da Gama, por Cília Costa; reprodução do manuscrito do poema "Ó Arrábida!", incluído na antologia A serra da Arrábida na poesia portuguesa.]

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