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"Estala de saudade o coração", o livro de Joana Luísa da Gama lido por Daniel Nobre Mendes

Ao reler o livro de memórias desta nonagenária velhinha – não apresento desculpas pela redundância pois que a vibração é tanta que me sinto no dever de ir na crista da onda de um rebate aflito de sinos dentro de mim! –, fico emudecido, embevecido pela e com a ternura cristalina com que Joana Luísa da Gama constrói o seu livro, uma obra bem organizada pela sequencia espácio-temporal dos relatos que a preenchem e enriquecem e pela simplicidade da linguagem, uma terminologia directa, escorreita, onde nunca faltam aqueles grandes assomos de feminil doçura ou de ais magoados que se deixam transportar dentro de testemunhos autênticos todos feitos de estalidos crepitantes, sendo eles as marcas de um olhar para trás, de má avença, uma saudade que nada devolve mas que vincam bem um pairar de voo de saudades irremediáveis e uma orfandade dolente que se nos transmite até ao rebentar da emoção pela rotura das lágrimas…. Na verdade, esta obra vem completar um poeta desaparecido há seis décadas, vem…

"...Poesia..." ou Sebastião da Gama vivo!

O ano que decorre é assinalado por dois acontecimentos que marcam a nossa memória colectiva — o dia em que morreu o poeta, já assinalado, e o dia em que o poeta deixou os braços do ventre materno para se espraiar nos parámos celestiais de uma outra existência que tudo, afinal, sobreleva, este 10 de Abril do parere para se descobrir, descobrir os outros e com eles ser uma interacção duradoura e humaníssima. Na verdade, em verdade e pela verdade incorrupta, Sebastião da Gama é um poeta de eleição, um pedagogo ímpar e um homem sensível que sobrepuja a dor, transcende a mágoa e tece girândolas de alegria à existência de estar vivo:                         “A parte que lhe coube por destino,                         tem de morrer deixando-a já cantada.                         Que faz que a não escutem nem lhe                                                            Acudam?                         É preciso é sentir que se está vivo.                         É preciso é que as asas que             …

“…Poesia…” ou Sebastião da Gama vivo!

A revista "tabu", de 3 do mês que decorre, insere nas suas páginas um belo trabalho de Vladimiro Nunes sobre algumas confissões a que Joana da Gama não mandou fechar o gravador que as reproduz e, assim sendo, a companheira extremosa do poeta arrabidino vai, ao longo das linhas do jornalista do Sol, reinventando vivências idas que a viagem pelo deserto voraz da existência não apagou. Esta octogenária simpática continua a deslizar no comboio mágico da vida e de nada se arrepende pois que a sua experiência afectiva, que não posso nem devo caracterizar por razões de pundonor, lhe ensina e determina uma comunicação sincera para o público que, com carinho receptivo, a acolhe e estima. Verdadeiramente chega-se ao Sebastião Artur Cardoso da Gama, o “Bastião”, como com ternura e desvelo é chamado. Chegamos até ao poeta serrano, mais perto dele ficamos seguindo o trilho da oralidade de Joana até quase atingirmos essas duas íntimas humanidades que se não escondem e sentimos o poeta, ele …