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A mostrar mensagens com a etiqueta Cabo da boa esperança (1947)

"Cantilena", de Sebastião da Gama, cantado por Francisco Fanhais

Com a edição do Público de hoje completa-se a colecção “Canto & Autores” (Levoir Marketing / “Público”), de treze títulos, sendo este volume dedicado a Francisco Fanhais, constituído por booklet assinado por António Pires com um texto resultante de entrevista testemunhal a Fanhais e por um cd com 17 faixas, em que a canção “Cantilena” (letra de Sebastião da Gama e música de Francisco Fanhais) ocupa a sexta posição no alinhamento. Por este cd passam ainda versos de Manuel Alegre, de Sophia de Mello Breyner, de César Pratas e de António Aleixo, entre outros. O poema “Cantilena”, cujo primeiro verso é “Cortaram as asas ao rouxinol”, foi escrito por Sebastião da Gama em 25 de Novembro de 1946 e, logo no ano seguinte, escolhido para o que viria a ser o segundo livro do poeta, Cabo da boa esperança (1947). É um dos poemas clássicos da obra de Sebastião da Gama quando se quer referir a presença dos animais na poesia portuguesa, tal como se pode ver na antologia Os animais na poesia, organi…

Sebastião da Gama e a música (das palavras)

Na sua poesia, Sebastião da Gama foi sensível à música, aparecesse ela como “canto”, “hino”, “som” ou “música” mesmo. São vários os poemas que publicou em que a arte musical se manifesta – recorde-se, por ordem de publicação, um poema de cada um dos três livros que o poeta editou: “Vida” (“Hoje, cá dentro, houve festa... / E, se houve festa e veludos, / e música azul, e tudo / quanto digo, / foi somente porque a Graça / desceu hoje a visitar-me.”), em Serra Mãe (1945); “As Fontes” ("De todas as aldeias / vieram, cantando, as moças / encher as bilhas. // E eu fui também cantando ao som das águas… / Cantava as minhas mãos, cantava as fontes.”), em Cabo da boa esperança (1947); “Manhã no Sado” (“Ali, à beira-rio, / de olhos só para o rio, de ouvidos surdos / ao que não é a música das águas, / um sossego alegórico persiste.”), em Campo aberto (1951). No próprio Diário, ao refletir sobre a poesia e sobre a palavra, várias vezes o professor Sebastião da Gama se referiu à música. Vale a …

Sebastião da Gama lido pelos alunos do CUTLA

Os alunos do CUTLA (Clube Universitário Tempo Livre da Amadora) que, em 19 de Novembro, visitaram Azeitão e estiveram connosco na sessão "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora", que teve lugar no Museu Sebastião da Gama, prepararam uma pequena montagem sobre poemas de Sebastião da Gama que hoje nos fizeram chegar. Um bom pretexto para recordar alguns textos do Poeta da Arrábida, uma dezena deles, em pouco mais de três minutos de poesia e de música: "Pequeno poema" (07.Março.1945, SM), "O sonho" (01.Setembro.1951, PSEQV), "A uma rapariga" (07.Março.1951, PSEQV), "Cantilena" (25.Novembro.1946, CBE), "Inscrição" (14.Maio.1948, CA), "Madrigal" (07.Outubro.1946, CBE), "Florbela" (06.Novembro.1943), "Os que vinham da dor" (20.Julho.1948, CA), "Poema da minha esperança" (27.Janeiro.1945, SM) e "O menino grande" (17.Fevereiro.1946, IP). Nove destes textos foram publicados em …

Sebastião da Gama cantado por Francisco Fanhais

Quer recordar a história do rouxinol sem asas que não pode voar? Está num dos lindos poemas de Sebastião da Gama, "Cantilena", escrito em 25 de Novembro de 1946 e publicado pela primeira vez na obra Cabo da boa esperança (1947), o segundo livro do poeta da Arrábida. Sebastião da Gama não terá tido intenções políticas com este poema, mas, quando em 1969, no programa televisivo "Zip-Zip", Francisco Fanhais o interpretou, logo a letra foi conotada com a situação política vivida. A história do rouxinol sem asas que não pode voar ou do rouxinol sem bico que não pode cantar depressa se tornou um símbolo e uma bandeira. Quer ouvir ou relembrar o poema assinado por Sebastião da Gama na voz de Francisco Fanhais? Venha até...

Sebastião da Gama cantado por Amália

“Nasci para ser ignorante”, poema de Sebastião da Gama, datado de 12 de Dezembro de 1946, integrou a obra Cabo da boa esperança, a segunda por si publicada quando corria o ano de 1947. Confissão de ternura pela Natureza e pela vida, com desprezo pelo saber meramente teórico, este texto do poeta da Arrábida foi interpretado por Amália Rodrigues, incluído no álbum “Obsessão”, datado de 1998, com música de Carlos Gonçalves. No original manuscrito que integra o espólio do poeta, pode ver-se que a este poema Sebastião da Gama atribuiu o título de "Poema semi-cómico"; no entanto, aquando da publicação em livro, o poema surgiu sem título. Ao texto de Sebastião da Gama a interpretação de Amália retirou quatro quadras (que antecedem a última), alusivas a uma história de relacionamento de um professor com o seu director. Uma afinidade de Amália com Sebastião da Gama assenta no dia 10 de Abril, data que foi a do nascimento do poeta (em 1924) e que foi também a da estreia da fadista no O…

Um poema para este dia ("dos namorados" chamado)

Madrigal

A minha história é simples.
A tua, meu Amor,
é bem mais simples ainda:

“Era uma vez uma flor.
Nasceu à beira de um Poeta…”

Vês como é simples e linda?

(O resto conto depois;
mas tão a sós, tão de manso,
que só escutemos os dois).
Sebastião da Gama (07.Out.1946) in Cabo da Boa Esperança (1947)