sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sebastião da Gama entre os "Poetas (d)e Azeitão"

O título “Poetas (d)e Azeitão” diz tudo – a naturalidade ou a temática azeitonense presentes na poesia ao longo dos tempos. Simultaneamente, uma homenagem aos poetas locais, com particular incidência nos poetas populares. E o visitante passa assim por pouco mais de uma dúzia de nomes, em que coabitam alguns consagrados com outros que, embora epígonos, vão preenchendo a poesia dos dias com os versos com que alimentam a vida. Alguns destes poetas têm obra publicada em livro; outros nunca reuniram os seus escritos para publicação; outros ainda divulgam-se em sítios de poesia na internet.
A exposição, cujo trabalho de recolha se deve sobretudo a Vanda Rocha, pode ser vista até 28 de Janeiro no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, onde convivem rimas de Alcindo Bastos, António Poeiras, Arronches Junqueiro, Carlos Alberto Ferreira Júnior, Francisco Teles, Joaquim Caineta, Joaquim Oliveira, José Gago, Manuel Frango de Sousa, Manuel Maria Eusébio (“Calafate” – cujo centenário de falecimento passou em Novembro), Margarida Caineta, Maria Cândida Parreira e Sebastião da Gama.
De Sebastião da Gama estão presentes dois textos, digitalizados a partir dos manuscritos originais: uma “Poesia”, de 1943, primeira versão do poema “Serra Mãe”, com algumas diferenças relativamente ao texto que é conhecido e que integra o livro com o título homónimo publicado em 1945; e o poema inédito “Vira de Vila Nogueira”, de Dezembro de 1941, assinado por “Tarro”, o pseudónimo que Sebastião da Gama utilizou em alguns dos seus poemas mas que nunca acompanhou os textos publicados. A nossa Associação colaborou neste evento através da cedência destas digitalizações.
Na abertura da exposição, em 17 de Dezembro, o vereador André Martins fez questão de sublinhar que, sendo esta uma homenagem aos poetas azeitonenses, era também uma forma de começar a assinalar os 60 anos sobre o desaparecimento de Sebastião da Gama, que passam em Fevereiro de 2012. – JRR

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sebastião da Gama, navegador…

…sim, mas de palavras, de poemas, descobridor de caminhos do lirismo. Essa foi a navegação do poeta azeitonense Sebastião da Gama, referência cultural inultrapassável da literatura portuguesa do século XX.
A ideia do “navegador” veio do programa “O Elo Mais Fraco”, transmitido na RTP hoje, quando à pergunta “O português Sebastião da Gama distinguiu-se como escritor ou como navegador?” o concorrente respondeu “Navegador”.
Compreende-se o lapso por poder resultar da confusão com Vasco da Gama. No entanto, não se aceita, mesmo pela diferença do tempo que separa ambos. Só espero que, como entre os concorrentes havia dois de Azeitão e uma de Quinta do Anjo, pelo menos estes três soubessem de quem se estava a falar…
Quanto ao resto, só podemos pensar que nos pesa a responsabilidade de continuarmos a divulgar Sebastião da Gama e a sua obra. O próximo ano, em que passam 60 anos sobre a sua morte, pode ser um bom pretexto para que mais se fale dele.
Sebastião da Gama, escritor e navegador de poemas, bem merece ser conhecido! – JRR

sábado, 24 de dezembro de 2011

Boas Festas (e um poema inédito de Sebastião da Gama)

NATAL

Eu não tenho razão pra estar triste.
- Eu hoje sou a estrela e os Reis Magos
e sou a ovelhinha do Presépio...

Mas vou triste, Menino de Belém!
Não me lembro que faltam
trinta e três longos anos pra que eu seja
a dor que há-de matar a tua Mãe.

Sebastião da Gama, 25 de Dezembro de 1944