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Sebastião da Gama, navegador…

…sim, mas de palavras, de poemas, descobridor de caminhos do lirismo. Essa foi a navegação do poeta azeitonense Sebastião da Gama, referência cultural inultrapassável da literatura portuguesa do século XX.
A ideia do “navegador” veio do programa “O Elo Mais Fraco”, transmitido na RTP hoje, quando à pergunta “O português Sebastião da Gama distinguiu-se como escritor ou como navegador?” o concorrente respondeu “Navegador”.
Compreende-se o lapso por poder resultar da confusão com Vasco da Gama. No entanto, não se aceita, mesmo pela diferença do tempo que separa ambos. Só espero que, como entre os concorrentes havia dois de Azeitão e uma de Quinta do Anjo, pelo menos estes três soubessem de quem se estava a falar…
Quanto ao resto, só podemos pensar que nos pesa a responsabilidade de continuarmos a divulgar Sebastião da Gama e a sua obra. O próximo ano, em que passam 60 anos sobre a sua morte, pode ser um bom pretexto para que mais se fale dele.
Sebastião da Gama, escritor e navegador de poemas, bem merece ser conhecido! – JRR

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"Pequeno poema" ou uma evocação do nascimento

"Pequeno poema" (Aqui e além. Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14)
O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe, cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)

"Serra-Mãe", o primeiro livro de Sebastião da Gama

O primeiro livro de Sebastião da Gama foi Serra-Mãi (assim mesmo escrito), saído a público em Dezembro de 1945, com desenho de capa de Lino António, obra que muito cuidou e para a qual levou a preceito a selecção dos seus poemas.
Nesta altura, Sebastião da Gama, com 21 anos, era ainda estudante no curso de Românicas, na Faculdade de Letras de Lisboa. Tivera uma hipótese de a Livraria Portugália lhe editar o livro, mas, a 24 de Outubro, era-lhe dirigida uma carta, dizando que, naquele momento, não interessavam à editora “as publicações não integradas no plano” editorial, porque havia encargos com cerca de uma centena de originais, já pagos a autores e tradutores, e não havia como “dar vazão” a esse trabalho.
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