Já lá vão 60 anos sobre o 7 de Fevereiro de 1952, data em que, logo pela manhãzinha, a vida abandonava Sebastião da Gama no Hospital de S. Luís, em Lisboa, depois de, na véspera, ter sido transportado desde o seu Estremozinho… A última palavra que terá dito, sabemo-lo pela Joana Luísa, mulher do poeta, foi “poesia”, conforme ainda recentemente recordou na reportagem publicada na revista do jornal Sol. E não deixa de ser curioso, no mínimo, que o percurso poético de Sebastião da Gama se tenha iniciado na infância, com uma quadra engendrada depois de uma visita à Arrábida, para reportar à família uma descoberta – “Fui passear / à serra da Arrábia / e encontrei / uma mulher grávia” –, e se tenha concluído com essa palavra que lhe foi mágica, a “poesia”, já pronunciada com a dificuldade de quem sentia que lhe fugia!... Sebastião da Gama foi poeta na vida e na escrita. Isto é: Sebastião da Gama foi, sobretudo, poeta e viveu poetando. Em 27 anos que peregrinou, escreveu, escreveu, escreveu. …