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Nos 89 anos de Sebastião da Gama (II) - Sebastião da Gama e João Vaz unidos pela estética do mar

Uma palestra intitulada “O mar na pintura de João Vaz e na poesia de Sebastião da Gama” assinalou o 89º aniversário de nascimento do poeta Sebastião da Gama na Escola de que é patrono, em Setúbal, ao fim da tarde de ontem, orientada pelo professor António Galrinho. A conferência pretendeu mostrar o trabalho da cor sobre a paisagem do mar devido ao pintor setubalense João Vaz (1859-1931) e o labor poético sobre o mesmo tema produzido pelo poeta azeitonense Sebastião da Gama (1924-1952), na sequência da escolha feita pela Escola para o tratamento do tema do mar no seu projecto para este ano lectivo.
Sobre as telas de João Vaz passaram cerca de duas dezenas de poemas de Sebastião da Gama, numa conjugação de cores e de versos que em muito contribuíram para a divulgação do sentido estético dos dois autores. Recorde-se que a Escola Secundária Sebastião da Gama tem o poeta como seu patrono desde 1987, mas, entre 1931 e 1948, esse lugar foi ocupado pelo nome de João Vaz, pintor do “Grupo do Leã…

Fernando Pessoa e a Gestão, por Maximiano Gonçalves

«Assim como se podem escrever asneiras com uma máquina de escrever do último modelo, se podem fazer disparates com os sistemas e aparelhos mais perfeitos para ajudar a não fazê-los. (…) O verdadeiro processo é pensar; a máquina fundamental é a inteligência.» Fernando Pessoa
A minha primeira nota é sobre a relação de Pessoa com a palavra e recorre a uma frase de Bernardo Soares: “O que sinto é (sem que eu o queira) sentido para se escrever que se sentiu. O que penso está logo em palavras.” Nenhum ser humano, creio, mais do que Fernando Pessoa, explicou e se explicou tanto através da palavra escrita. É o caso quando, na sua condição de empregado de escritório e, em curtos períodos, pequeno empresário, escreve sobre temas de Administração. Antes de mais, eis o que sempre lembro quando falo de Pessoa. Nos seus diversos heterónimos, e também em cada um deles, ele manifesta, com consciência do facto, pensamentos de sinal contrário. A sua natureza obrigava-o à procura das oposições, nas diversas…

Eugénio Lisboa: Sebastião da Gama - Não ter vergonha de ser sincero

Sebastião da Gama é um dos poucos escritores — em qualquer língua — do qual se pode dizer, sem hesitar, que o homem que fez a obra coincide, ponto por ponto, com o homem que a obra faz supor. Quando pensamos nele — no meu caso, a partir dos inúmeros testemunhos dos que com ele conviveram — vem primeiro, ao nosso encontro, não a admiração que temos pelo poeta e pelo diarista, mas antes, o profundo afecto que sentimos pelo homem. Quem o conheceu — e não foi, infelizmente, o meu caso — assim reagiu. Nas cartas que José Régio lhe dirigiu, verifica-se isto mesmo. Ainda antes de conhecer, com qualquer profundidade, os seus livros, já o poeta dos Poemas de Deus e do Diabo se rendia, comovidamente, à sedutora candura e sinceridade do homem que era Sebastião da Gama. Numa carta que lhe dirigiu, em 11 de Maio de 1950, José Régio dizia-lhe o seguinte: "Com profundo prazer me detenho naquelas notas íntimas, naqueles versos densos de sugestões, através dos quais a autenticidade de um Poeta se…

Fernando J. B. Martinho: "Talvez não haja nenhum poeta português com tantas homenagens como Sebastião da Gama"

A tarde do dia 9 trouxe ao Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, o professor Fernando J. B. Martinho, da Universidade de Lisboa, no âmbito da celebração do 87º aniversário do poeta azeitonense, que falou sobre a obra de Sebastião da Gama e sobre o movimento de revistas literárias que marcou todo o século XX português, percurso em que entrou também o Poeta da Arrábida. Começando por afirmar que, para fazer a história da poesia portuguesa do século XX, bastaria consultar as revistas literárias de poesia publicadas em Portugal no período compreendido entre 1920 e 1960, Fernando J. B. Martinho recordou títulos como Orpheu, Presença, Cadernos de Poesia, Távola Redonda e Árvore, para chegar à obra de Sebastião da Gama, autor que colaborou nas duas últimas e a quem as mesmas revistas prestaram homenagem, respectivamente, nos números 16-17 e 2. “Talvez não haja nenhum poeta português com tantas homenagens como Sebastião da Gama”, afirmou Fernando J. B. Martinho, actos que justificou com alguns t…

A propósito dos 60 anos sobre a escrita do "Diário", de Sebastião da Gama

“Uma leitura do Diário 60 anos depois” foi o tema que Fernando António Baptista Pereira trouxe ao Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, nesta noite, actividade integrada na “Noite dos Museus”. Foi uma leitura pessoal do Diário de Sebastião da Gama, obra escrita no período 1949-1950 (apenas publicada em 1958), justificada por se poder “encontrar nas páginas de Sebastião da Gama a paixão de ser professor”. Como ideias fortes, Baptista Pereira deixou a da pedagogia do Diário, em que “o grande segredo reside em gostar daquilo que se faz, em gostar dos outros”, a da actualidade desta obra e a da leitura do Diário como complemento da obra poética ou desta como complemento daquele, já que Sebastião da Gama “era poeta, homem e professor em todo o lado”. Para Baptista Pereira, os vectores inovadores principais do Diário são: a modernidade pedagógica (não-directividade; recusa da punição em favor da consciencialização, da lealdade e da responsabilização), educação para a liberdade e para a cidada…

Sebastião da Gama na Noite dos Museus

É já no próximo fim-de-semana que acontece a "Noite dos Museus", acção integrada no Dia Internacional dos Museus. Aqui está um lote de sugestões para uma noite cultural. Há boas propostas, mas, por afinidades, que são da nossa Associação, destaco a palestra de Fernando António Baptista Pereira, no dia 15, pelas 21h30, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, intitulada "Uma leitura do Diário de Sebastião da Gama 60 anos depois". - JRR