segunda-feira, 21 de março de 2011

No Dia Mundial da Poesia e no Dia Mundial da Árvore, um poema de Sebastião da Gama


Tradição


Os engenheiros vieram, mediram, olharam…
Havia árvores velhas…
Mandaram deitar abaixo
e os homens deitaram.
Sem lamentos, sem ais,
as árvores caíram…
Mas os engenheiros não puseram mais;
em seu lugar apenas
três cardos enfezados refloriram.
E os cardos vis são gritos de revolta
das sombras errantes pelo Ar;
das sombras que tinham por abrigos
aqueles freixos antigos
que o machado foi matar.
As sombras gritam, mas os engenheiros
Não põem freixos novos no lugar.
Sebastião da Gama
Azeitão, Novembro de 1942
(não publicado em livro)

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