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Sebastião da Gama no Festival de Música de Setúbal

A 1ª edição do Festival de Música de Setúbal aconteceu entre 27 e 29 de Maio, numa organização conjunta da Câmara Municipal de Setúbal e do The Helen Hamlyn Trust, que tomou por palco vários espaços do concelho e envolveu associações, escolas, bandas e nomes já consagrados como Pedro Caldeira Cabral ou o azeitonense Pedro Carneiro.
Vários poemas de Sebastião da Gama entraram no Festival graças à participação do externato “Rumo ao Sucesso”, de Azeitão, que, com um grupo de jovens com necessidades educativas especiais, interveio no Auditório da Anunciada, no primeiro dia do certame, interpretando os textos “O Sonho” (1951), “Somos de Barro” (1951), “Cantilena” (1946), “Madrigal” (1946), “Pequeno Poema” (1945), “O Menino Grande” (1946), “Claridade” (1944) e “Canção da Felicidade” (1946).
De acordo com texto do catálogo, da responsabilidade do estabelecimento de ensino azeitonense, a motivação veio a partir de um registo de Sebastião da Gama, datado de 9 de Março de 1949 (“O poeta beija tudo, graças a Deus…”), entrada do Diário que deu ao grupo escolar a “ideia de utilizar a poesia do poeta Sebastião da Gama, visto ser um poeta natural de Azeitão, onde o nosso colégio se situa, e o seu enamoramento pela Arrábida uma das suas fontes de inspiração.”

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"Pequeno poema" (Aqui e além. Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14)
O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe, cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)
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"Serra-Mãe", o primeiro livro de Sebastião da Gama

O primeiro livro de Sebastião da Gama foi Serra-Mãi (assim mesmo escrito), saído a público em Dezembro de 1945, com desenho de capa de Lino António, obra que muito cuidou e para a qual levou a preceito a selecção dos seus poemas.
Nesta altura, Sebastião da Gama, com 21 anos, era ainda estudante no curso de Românicas, na Faculdade de Letras de Lisboa. Tivera uma hipótese de a Livraria Portugália lhe editar o livro, mas, a 24 de Outubro, era-lhe dirigida uma carta, dizando que, naquele momento, não interessavam à editora “as publicações não integradas no plano” editorial, porque havia encargos com cerca de uma centena de originais, já pagos a autores e tradutores, e não havia como “dar vazão” a esse trabalho.
A família de Sebastião da Gama assumiu, então, os encargos financeiros advenientes da edição e o livro foi publicado com a chancela da Portugália, enquanto distribuidora. Com obra, dedicada a Alexandre Cardoso, seu tio, assumia o risco de vir a ser o “poeta da Arrábida”, elegendo a s…