Avançar para o conteúdo principal

Paulo Assim venceu Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2011

O Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2011 foi atribuído ao trabalho Retrato a Sépia, apresentado sob o pseudónimo Paulo Lódão, correspondente ao autor Paulo Jorge Coelho Carreira.
Dos 234 trabalhos apresentados a esta 13ª edição do concurso, o júri (constituído por Arlindo Mota, João Reis Ribeiro e José António Chocolate Contradanças) foi unânime na decisão, considerando Retrato a Sépia “uma obra que se revela como um livro homogéneo, sequencial, interessante”, dotado de “uma poesia aparentemente simples, intuitiva, muito fresca e cativante”, num percurso “de memórias que ruma à infância, a tempos idos, fazendo-se dum encadeamento descritivo, duma sequência de retratos a sépia onde contrasta a vivacidade dos intérpretes, dos lugares e das acções, numa linguagem de grande riqueza metafórica”.
A entrega do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama deste ano, bem como a apresentação pública da obra vencedora, está marcada para 12 de Junho, pelas 21h30, na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Vila Nogueira de Azeitão.
Paulo Jorge Coelho Carreira, nascido em Porto de Mós (1965) e a residir na Batalha, exercendo a profissão de desenhador de moldes, já recebeu vários prémios literários nas modalidades de conto e poesia. Sob o pseudónimo de Paulo Assim, publicou A Quinta-feira dos Pássaros (Ponta Delgada: Veraçor, 2010), romance que lhe valeu os prémios Paul Harris (2005) e Gaspar Fructuoso (2009), e Celulose (Lugar da Palavra Editora, 2010), livro premiado com o Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres em 2010.
Recorde-se que o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama foi certame criado em 1988, em Azeitão, pelas Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão, e teve realização anual até 1993 (6ª edição). A partir daí, passou a ser um concurso bienal até à sua 10ª edição, tendo, depois sofrido interrupção. O certame foi retomado em 2007 (11ª edição). O primeiro trabalho vencedor deste Prémio, em 1988, foi a obra Água das Pedras, assinado pelo pseudónimo Maria Helena Salgado, correspondendo à autora Maria do Rosário Pedreira, escritora e editora reconhecida. Outros vencedores das várias edições deste Prémio foram Hugo Santos (1989 e 1991), Maria Graciete Besse (1992), Graça Pires (1993), João Carlos Lopes Pereira (1995), Alberto Marques (1997), António Menano (2001), Amadeu Baptista (2007) e José Carlos Barros (1990 e 2009). Além do primeiro vencedor, outros trabalhos que obtiveram o primeiro lugar nas várias edições deste Prémio tiveram publicação: Uma Abstracção Inútil, de José Carlos Barros (Évora: Declives, 1991); O Aprendiz de Ventos, de Hugo Santos (Lisboa: Vega /Ulmeiro, 1992); Errâncias, de Maria Graciete Besse (Lisboa: 1992); Labirintos, de Graça Pires (Murça: Câmara Municipal de Murça, 1997); O Bosque Cintilante, de Amadeu Baptista (Azeitão: Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão, 2007).
A edição deste ano do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama teve organização conjunta das Juntas de Freguesia de Azeitão (S. Lourenço e S. Simão) e da Associação Cultural Sebastião da Gama, em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e com a Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Pequeno poema" ou uma evocação do nascimento

"Pequeno poema" (Aqui e além. Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14)
O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe, cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)
Dia 7 de dezembro - Assembleia extraordinária

"Serra-Mãe", o primeiro livro de Sebastião da Gama

O primeiro livro de Sebastião da Gama foi Serra-Mãi (assim mesmo escrito), saído a público em Dezembro de 1945, com desenho de capa de Lino António, obra que muito cuidou e para a qual levou a preceito a selecção dos seus poemas.
Nesta altura, Sebastião da Gama, com 21 anos, era ainda estudante no curso de Românicas, na Faculdade de Letras de Lisboa. Tivera uma hipótese de a Livraria Portugália lhe editar o livro, mas, a 24 de Outubro, era-lhe dirigida uma carta, dizando que, naquele momento, não interessavam à editora “as publicações não integradas no plano” editorial, porque havia encargos com cerca de uma centena de originais, já pagos a autores e tradutores, e não havia como “dar vazão” a esse trabalho.
A família de Sebastião da Gama assumiu, então, os encargos financeiros advenientes da edição e o livro foi publicado com a chancela da Portugália, enquanto distribuidora. Com obra, dedicada a Alexandre Cardoso, seu tio, assumia o risco de vir a ser o “poeta da Arrábida”, elegendo a s…