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Rogério Claro: livro e exposição na Biblioteca de Setúbal

Rogério Peres Claro foi colega de Sebastião da Gama e teve um percurso geográfico como professor semelhante ao do poeta azeitonense. No seu tempo de 90 anos, Peres Claro tem um contributo cívico e cultural inegável no plano da história local sadina - autor de uma colectânea de memórias históricas em vários volumes (Setúbal de há 100 anos) e de uma monografia sobre a Escola Secundária Sebastião da Gama (Um século de Ensino Técnico-Profissional em Setúbal), foi ainda divulgador cultural, tradutor, editor da obra do poeta Calafate (António Maria Eusébio), seu familiar, e das memórias paroquiais de Setúbal de 1758.
Este último título, editado no final da década de 1950, revela-se documento importante para o conhecimento das freguesias de Setúbal setecentistas e encontra-se esgotado desde há muito.
Pois Sábado, 22 de Outubro, a Biblioteca Municipal de Setúbal vai acolher uma exposição bibliográfica sobre Peres Claro, ao mesmo tempo que será apresentada ao público a nova edição das memórias paroquiais de 1758, iniciativas conjuntas do Centro de Estudos Bocageanos, da Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão e da Associação Cultural Sebastião da Gama e da própria Biblioteca Municipal sadina. O encontro será pelas 16h00, com entrada livre.

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"Pequeno poema" ou uma evocação do nascimento

"Pequeno poema" (Aqui e além. Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14)
O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe, cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)

"Serra-Mãe", o primeiro livro de Sebastião da Gama

O primeiro livro de Sebastião da Gama foi Serra-Mãi (assim mesmo escrito), saído a público em Dezembro de 1945, com desenho de capa de Lino António, obra que muito cuidou e para a qual levou a preceito a selecção dos seus poemas.
Nesta altura, Sebastião da Gama, com 21 anos, era ainda estudante no curso de Românicas, na Faculdade de Letras de Lisboa. Tivera uma hipótese de a Livraria Portugália lhe editar o livro, mas, a 24 de Outubro, era-lhe dirigida uma carta, dizando que, naquele momento, não interessavam à editora “as publicações não integradas no plano” editorial, porque havia encargos com cerca de uma centena de originais, já pagos a autores e tradutores, e não havia como “dar vazão” a esse trabalho.
A família de Sebastião da Gama assumiu, então, os encargos financeiros advenientes da edição e o livro foi publicado com a chancela da Portugália, enquanto distribuidora. Com obra, dedicada a Alexandre Cardoso, seu tio, assumia o risco de vir a ser o “poeta da Arrábida”, elegendo a s…