Avançar para o conteúdo principal

Dos associados - Memória: Alberto da Conceição Fosco (1934-2013)



Alberto Fosco, um dos alunos de Sebastião da Gama que protagoniza o Diário (foi estudante na Escola Veiga Beirão) e nosso associado desde Abril deste ano, faleceu no início deste mês, em 5 de Novembro, notícia de que só agora tomámos conhecimento.
O Fosco, como Sebastião da Gama o refere no Diário, foi um dos alunos mais recorrentemente citados, surgindo-lhe a primeira referência logo no dia 28 de Janeiro de 1949:
«Hoje o trecho foi escolhido pelo Fosco (e de ora avante será quase sempre assim: eles é que sabem o que eles querem; e é esta uma maneira de se apurar o que nas antologias escolares vem fora de propósito).
'Homem ao Mar' [de D. Bernardo de Mesquitela] — um trecho apaixonante, intensamente dramático. Foi lido bastante bem pelo mesmo Fosco e a certa altura peguei eu nele. Posso julgar, pela atenção com que me escutaram, que à boa qualidade daquelas páginas se juntou a boa qualidade da minha leitura, de resto facilitada pelo interesse que eu próprio tinha nela. Mas isso não quis dizer de modo nenhum que o Fosco não se preferisse; reclamou que lhe pertencia a ele ler e foi ele quem levou o resto até ao ponto final.
Já não mandei contar: pedi ao Fosco que me dissesse por que gostou do trecho e os motivos que indicou foram um sinal de que compreendera onde estava a força e a beleza de 'Homem ao Mar'. Acabou a sua exposição falando sobre a vida do marítimo. E conseguiu, quando teve de citar um ou outro passo do trecho, o que eu acho que se deve então fazer: Contar o que se leu, não como quem leu, mas como quem viu.»
[Foto: pormenor da ficha do aluno Alberto Fosco, na caderneta de professor de Sebastião da Gama.]


Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Pequeno poema" ou uma evocação do nascimento

"Pequeno poema" (Aqui e além. Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14)
O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe, cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)
Dia 7 de dezembro - Assembleia extraordinária

"Serra-Mãe", o primeiro livro de Sebastião da Gama

O primeiro livro de Sebastião da Gama foi Serra-Mãi (assim mesmo escrito), saído a público em Dezembro de 1945, com desenho de capa de Lino António, obra que muito cuidou e para a qual levou a preceito a selecção dos seus poemas.
Nesta altura, Sebastião da Gama, com 21 anos, era ainda estudante no curso de Românicas, na Faculdade de Letras de Lisboa. Tivera uma hipótese de a Livraria Portugália lhe editar o livro, mas, a 24 de Outubro, era-lhe dirigida uma carta, dizando que, naquele momento, não interessavam à editora “as publicações não integradas no plano” editorial, porque havia encargos com cerca de uma centena de originais, já pagos a autores e tradutores, e não havia como “dar vazão” a esse trabalho.
A família de Sebastião da Gama assumiu, então, os encargos financeiros advenientes da edição e o livro foi publicado com a chancela da Portugália, enquanto distribuidora. Com obra, dedicada a Alexandre Cardoso, seu tio, assumia o risco de vir a ser o “poeta da Arrábida”, elegendo a s…