domingo, 23 de dezembro de 2012

"Pelo sonho é que vamos" é título de cd (2)



Quando, no final de Abril de 2011, o grupo e-Vox actuou no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, num concerto em que interpretou poemas de Sebastião da Gama, albergado sob o título de um dos seus mais conhecidos poemas, logo se abriu a perspectiva de uma gravação do reportório, tão pessoal era a leitura que o grupo fez das palavras do poeta, tão delicada era a entrada nos meandros da mensagem de Sebastião.
A ideia ficou a germinar, um pouco como os poemas que brotavam da Arrábida através desse clarim que era o dizer do poeta. Cinco meses passados, o e-Vox repetia o concerto no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal e tal momento voltou a saber a novidade: nada se desgastara, os textos rejuvenesciam, as interpretações adquiriam a segurança que a poesia, ela mesma, sustentava. Estávamos em meados de Outubro e as músicas adquiriam o tom amadurecido perante um público que ficou sensibilizado e rendido.
Num e noutro concerto, ambos a cargo do e-Vox, não foram só a poesia e a música que surpreenderam. Houve também a cor da pintura ali feita, à medida que as músicas e os poemas nos invadiam e abraçavam. Nuno David nos dois eventos; Eduardo Carqueijeiro apenas no segundo. O que têm de particular estes dois pintores é o facto de, ligados a Setúbal, conhecerem a Arrábida como o próprio poeta a viveu e terem deixado que a tela se impregnasse do sentir da imensidão e da voz do poeta, em aguarela perfeita, ali produzida à vista de toda a gente, numa tripla exposição de palavras, música e cor. “Pelo sonho é que vamos” se chamou a segunda tela produzida, que fomos buscar para entrar no corpo deste cd.
Todos estes elementos foram facilitadores do trabalho que agora se apresenta. No ano em que se faz a candidatura da Arrábida a património mundial e sessenta anos depois do desaparecimento de Sebastião da Gama, este trabalho mostra a vida dos seus versos e da sua arte e a Associação Cultural Sebastião da Gama outra coisa não poderia fazer que não fosse registar para o futuro estas interpretações, ainda por cima associando duas manifestações que muito queridas foram ao próprio poeta: a música e a pintura.
O trabalho aqui está. Para ser desfrutado. Porque a mensagem de Sebastião da Gama continua a ser forte e intensa e nos pode surpreender em cada passo da Arrábida amada. - JRR

[Texto parcial de apresentação do cd "Pelo sonho é que vamos" constante no respectivo booklet]

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