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A árvore da poesia cresceu ontem no Rossio de Azeitão

Há umas semanas, a Ema telefonou-me a perguntar uma forma de poder colaborar com a Associação Cultural Sebastião da Gama, porque achava que todos deviam ser voluntários na memória do poeta de Azeitão. Acrescentou que se disponibilizava para a animação de um ateliê de arte e escrita criativa, destinado ao público infanto-juvenil.
Fiquei entusiasmado e sugeri-lhe o dia da entrega do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, que ocorreria em Azeitão, para ser levada a cabo tal iniciativa, que teve o patrocínio da Associação Cultural Sebastião da Gama e da Junta de Freguesia de São Lourenço (Azeitão).
E foi assim que, no Rossio de Azeitão, na manhã de ontem, nasceu a árvore da poesia, numa oficina de arte na rua, em homenagem a Sebastião da Gama, com cerca de uma dúzia de crianças em seu torno, alguns pais, muito boa disposição, tempo de verão, fotografias apelativas e palavras do Poeta da Arrábida.
A Ema produziu uma animação extraordinária, que levou as crianças e os pais a um mergulho no sentimento poético, a um passeio pela natureza, a um estar ecologicamente com a terra, ao mundo rico da cor da vida.
Colhendo palavras e fotografias da árvore da poesia, foram sendo construídos textos; aproveitando materiais já utilizados, foram criadas flores de pétalas que ali ganharam cor e alegria.
Dos textos ali construídos, reproduzo um: “O vento beija as ondas do mar / enquanto os búzios / conversam entre si / deitados na areia. / A voz do silêncio / segreda às águas / uma canção de amor / e de paz. // A beleza / que aqui nasce / é a vitória da vida / sobre a morte.”
Foram cerca de duas horas bem passadas, doces. E pareceu-me mesmo ver que o Sebastião da Gama, lá no murete em que se fez monumento, sorriu ao ver tanta alegria a povoar o Rossio…
Ah, quanto à Ema e ao seu grupo de trabalho, podem procurá-la aqui.

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