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Dos associados - Memória: Aurora Salgado da Gama (1926-2014)



Em 10 de Março foi o adeus a Aurora da Conceição Ferreira Salgado da Gama (1926-2014), nossa associada desde o início e sempre interessada em saber sobre as nossas actividades em prol de Sebastião da Gama.
Aurora Gama foi cunhada de Sebastião da Gama pelo seu casamento com Sérgio da Gama (1922-2005), o irmão mais velho do poeta azeitonense. Esteve presente em muitas das acções que a Associação Cultural Sebastião da Gama levou a cabo e incentivou, em várias alturas, algumas das iniciativas.
Sempre testemunhou sobre Sebastião da Gama com carinho e nunca pôs obstáculos à divulgação da obra do poeta, tal como já fora apanágio do seu marido.
O final da vida foi de sofrimento grande, mas pelo rosto da D. Aurora passeava-se sempre um sorriso, escondendo a dor e disponibilizando-se para os outros. Quem teve a alegria de a conhecer sentirá, por certo, a saudade e o respeito.
Sebastião da Gama deixou em manuscrito um poema dedicado ao irmão Sérgio e a Aurora – “Descoberta”, datado de 8 de Fevereiro de 1948 – e um outro dedicado a Aurora – “Natal”, composto em 10 de Julho de 1950 –, ambos inseridos no seu derradeiro livro, Campo Aberto (1951), ainda que na obra nenhum deles apresente a dedicatória.
A foto que aqui se reproduz foi registada em 1 de Outubro de 2006, na Amadora, depois de uma tertúlia sobre Sebastião da Gama promovida pela nossa Associação na programação de uma Feira do Livro. - JRR

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"Pequeno poema" (Aqui e além. Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14)
O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe, cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)

"Serra-Mãe", o primeiro livro de Sebastião da Gama

O primeiro livro de Sebastião da Gama foi Serra-Mãi (assim mesmo escrito), saído a público em Dezembro de 1945, com desenho de capa de Lino António, obra que muito cuidou e para a qual levou a preceito a selecção dos seus poemas.
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