sábado, 11 de janeiro de 2014

"Diário", de Sebastião da Gama, 65 anos hoje - o primeiro registo

Como se tinha proposto, aqui fica o primeiro registo do Diário de Sebastião da Gama, datado de 11 de Janeiro de 1949. Para leitura. E, já agora, para servir de pretexto à leitura total da obra. Boas leituras, pois!


Janeiro, 11

Para começar, falou connosco durante uma hora o Senhor Dr. Virgílio Couto[1]. De acordo com o que disse, vão ser as aulas de Português o que eu gosto que elas sejam: um pretexto para estar a conviver com os rapazes, alegremente e sinceramente. E dentro dessa convivência, como quem brinca ou como quem se lembra de uma coisa que sabe e vem a propósito, ir ensinando. Depois, esta nota importantíssima: lembrar-se a gente de que deve aceitar os rapazes como rapazes; deixá-los ser: «porque até o barulho é uma coisa agradável, quando é feito de boa-fé».
Houve nesta conversa uma palavra para guardar tanto como as outras, mais que todas as outras: «O que eu quero principalmente é que vivam felizes».



[1] Virgílio Couto (1901-1972). Professor metodólogo, responsável pelo acompanhamento do estágio de Português de Sebastião da Gama na Escola Veiga Beirão. Nesta altura, era também subdirector da escola (cf. Diário do Governo, de 3 de Novembro de 1948). Foi autor de numerosas publicações de carácter didáctico, desgnadamente: Leituras (1948), Olhai que ledos vão...: a história de Portugal contada na prosa e nos versos dos escritores portugueses (1958) e Mar alto (1961). Alguns dos seus títulos foram adoptados como manuais escolares.

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