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Dos associados - Memória: Manuel Medeiros (1936-2013)

Manuel Medeiros, conhecido livreiro setubalense, fundador da livraria Culsete, dedicou parte importante da sua vida ao livro, à leitura, à escrita, ao pensamento. Animou tertúlias, fez feiras do livro, foi a escolas, trouxe escolas à livraria, promoveu apresentações, divulgou autores, formou leitores. Escreveu poesia, ensaio e memórias. Relembrou Christian Andersen e Sebastião da Gama.
Manuel Medeiros, nosso associado, partiu ontem (as cerimónias fúnebres terão lugar dentro de uma hora, na igreja de Jesus, em Setúbal). Do seu vasto legado, justo é destacar o contributo que deu, na década de 1980, para que se celebrasse Sebastião da Gama no mês de Abril. Foi o início de um percurso que se tem mantido. A memória de Sebastião da Gama muito deve ao impulso de Manuel Medeiros, o português açoriano que chegou a Setúbal na década de 1970 e que tratou a cultura e o livro como forma de intervenção cívica.
Aqui se reproduz o artigo que Manuel Medeiros escreveu para o nº 2 do Boletim da Associação Cultural Sebastião da Gama, saído em Dezembro de 2006, justamente relembrando o que foi "começar" a celebrar Sebastião da Gama em Abril.
Obrigado, Manuel Medeiros!

Comentários

  1. FELIZ FOI QUEM CONHECEU ESTE HOMEM DE SAL AÇOREANO QUE TEMPÉRA O PALADAR DOS LIVROS ANTES DE SEREM LIDOS E MEDITADOS-- UM SER DE ELEIÇÃO PARA A CULTURA, UM HOMEM BOM E GENEROSO QUE FICA NA MEMÓRIA SETUBALENSE, DE UM CERTO PAÍS CULTURAL,DE LIVREIROS NACIONAIS E PRINCIPALMENTE NA DE GERAÇÕES DE LEITORES E AMIGOS!

    A FÁTIMA MEDEIROS O PROTESTO MAIS SINCERO DAS MINHAS CONDOLENCIAS!!!



    DANIEL NOBRE MENDES

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"Pequeno poema" (Aqui e além. Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14)
O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe, cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)

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