segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fernando J. B. Martinho: "Talvez não haja nenhum poeta português com tantas homenagens como Sebastião da Gama"

A tarde do dia 9 trouxe ao Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, o professor Fernando J. B. Martinho, da Universidade de Lisboa, no âmbito da celebração do 87º aniversário do poeta azeitonense, que falou sobre a obra de Sebastião da Gama e sobre o movimento de revistas literárias que marcou todo o século XX português, percurso em que entrou também o Poeta da Arrábida.
Começando por afirmar que, para fazer a história da poesia portuguesa do século XX, bastaria consultar as revistas literárias de poesia publicadas em Portugal no período compreendido entre 1920 e 1960, Fernando J. B. Martinho recordou títulos como Orpheu, Presença, Cadernos de Poesia, Távola Redonda e Árvore, para chegar à obra de Sebastião da Gama, autor que colaborou nas duas últimas e a quem as mesmas revistas prestaram homenagem, respectivamente, nos números 16-17 e 2.
“Talvez não haja nenhum poeta português com tantas homenagens como Sebastião da Gama”, afirmou Fernando J. B. Martinho, actos que justificou com alguns textos de elevada qualidade, com a questão afectiva e com o pendor artístico.
Sebastião da Gama teve a escreverem sobre a sua obra nomes da mais altíssima qualidade, como: António Ramos Rosa, que lhe dedicou um dos seus mais belos poemas publicado no segundo número da Árvore; David Mourão-Ferreira, não apenas o amigo a quem Sebastião da Gama muitos caminhos do conhecimento poético abriu mas também o crítico fino e sensível; Luís Filipe Lindley Cintra, que escreveu “dos textos mais luminosos sobre Sebastião da Gama”; Matilde Rosa Araújo, Maria de Lurdes Belchior e Ruy Belo.
Um dos desafios deixados por Fernando J. B. Martinho relacionou-se com o “amadurecimento” de Sebastião da Gama enquanto poeta, para dizer que “um poeta chega à maturidade quando sente que é ele próprio, quando encontra o timbre da sua voz”, comentando o orador que alguns desses poemas se encontram já no livro primeiro que Sebastião da Gama publicou, Serra Mãe. Subscrevendo as ideias de Ruy Belo, Fernando J. B. Martinho concordou com o princípio de que “a poesia de Sebastião da Gama se situa na tradição elegíaca portuguesa”, que “canta a vida, um dos aspectos mais impressionantes, sendo católico na celebração da natureza pelo lado do franciscanismo”.
Transportando outros testemunhos, Fernando J. B. Martinho disse que Sebastião da Gama “passou pela vida das pessoas e marcou-as” e não deixou dúvidas quando afirmou: “De Sebastião da Gama não há dificuldade em conhecer uma dúzia de poemas e até de os memorizar… Ora, se isto acontece, é porque alguns dos seus poemas atingiram elevado nível!”
[Foto: mesa que presidiu à sessão da tarde de 9 de Abril - Fernando J. B. Martinho, Vanda Rocha (responsável pelo Museu Sebastião da Gama) e Joana Luísa da Gama (esposa de Sebastião da Gama)]

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