Avançar para o conteúdo principal

Sebastião da Gama no Dia dos Monumentos e Sítios




No aprazível lugar do Portinho da Arrábida, entre-lugar bordado a serra e rio, realizou-se em 18 de Abril, uma sessão dinamizada pelo “Projeto Mundos em Diálogo” (Agrupamento de Escolas de Romeu Correia) e pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos e Parque Natural da Arrábida), em parceria com o Centro de Formação AlmaForma e a Associação Promotora do Emprego de Deficientes Visuais (APEDV). Este evento contou ainda com a participação da Associação Cultural Sebastião da Gama.
O acolhimento e entroncamento entre os participantes (representantes das instituições, poetas e escritores, fotógrafos, professores, pais, alunos da UNICA – Universidade Intergeracional do Concelho de Almada) ocorreu no Museu Oceanográfico da Arrábida sob o lema da celebração do Dia dos Monumentos e Sítios.
Para dar as boas-vindas, Pilar Miguel (ICNF - PPAFCC e RBMNM) partilhou um trabalho de sensibilização para o património da Arrábida, e Madalena Mendes, após uma breve contextualização do “Projeto Mundos em Diálogo” e apresentação dos oradores, convidou Manuel Herculano a partilhar o trabalho da Associação Cultural Sebastião da Gama.
Na sua preleção, o ilustre representante da ACSG, brindou-nos com a vasta e intensa obra de Sebastião da Gama, tendo enfatizado o efeito multiplicador da sua ação singular como poeta e como professor. Seguidamente, Victor Reis, escritor e fotógrafo, “ConVida Sebastião da Gama e Frei Agostinho da Cruz”, dando voz ao diálogo entre a Mata dos Medos e a Arrábida na voz dos seus poetas.
A leitura de poemas pelos palestrantes e pelos participantes ecoou pelos espaços outrora habitados pelo poeta Sebastião da Gama. Nas tonalidades da natureza, vimos desfilar a plenitude da dimensão humana e artística do poeta enamorado pela vida (v.g. as 700 cartas de amor que escreveu a Joana Luísa, sua mulher). Em simultâneo, Maria Paula Viegas (APEDV) construía a escultura da Anicha, com a colaboração de Filomena Costa e Ana Martins (APEDV), dando corpo e sentido(s) à sua interpretação da rocha paradigmática da Arrábida numa apoteose de Poesia (In)visual.
A participação e envolvimento de todos os palestrantes e participantes contribuíram significativamente para tornar ainda mais rico, dialógico e intertextual este dia de Comemoração do Dia dos Monumentos e Sítios.
Madalena Mendes (Coord. "Projeto Mundos em Diálogo")

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Pequeno poema" ou uma evocação do nascimento

"Pequeno poema" ( Aqui e além . Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14) O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe , cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)

Joana Luísa da Gama - Esta senhora faz hoje 87 anos

Em 28 de Fevereiro de 1923, nascia em Azeitão Joana Luísa, que viria a ser a amiga, a companheira e a mulher de Sebastião da Gama. Passam agora 87 anos de uma vida que, em parte, foi dedicada à obra do poeta, preservando-a e dando-a a conhecer, disponibilizando-a para estudo. Uma vida que tem passado também por gestos de voluntariado e por esse acto simpático que tem sido acompanhar aquilo que sobre o poeta vai sendo feito. Podemos evocar aqui dois momentos de simpatia e carinho que Sebastião da Gama teve com Joana Luísa em dias de seu aniversário. Um, em 1944, quando no 28 de Fevereiro desse ano lhe ofereceu um exemplar da antologia Poesias Selectas de Frei Agostinho da Cruz , organizada por Augusto Pires de Lima (Col. “Portugal”. Porto: Domingos Barreira Editor, 1941) e, no final, lhe grafou longa dedicatória em duas páginas: “… E por saber, Joana Luísa, que são flores da Arrábida os melhores parabéns que poderia dar-te, aqui te deixo este ramo delas, a perfumar-te o caminho; a mostr...

Joana e Sebastião: uma história feita de livros e de poemas

  É verdade! Uma história feita de livros e de poemas. Feita de vida. De duas vidas. De uma vida. De vida. Joana e Sebastião - quando o amor se entrelaça com a vida e com a poesia. Aqui . Na foto: Joana e Sebastião, no Portinho da Arrábida, na década de 1940