Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta poeta

Sebastião da Gama entre os "Poetas (d)e Azeitão"

O título “Poetas (d)e Azeitão” diz tudo – a naturalidade ou a temática azeitonense presentes na poesia ao longo dos tempos. Simultaneamente, uma homenagem aos poetas locais, com particular incidência nos poetas populares. E o visitante passa assim por pouco mais de uma dúzia de nomes, em que coabitam alguns consagrados com outros que, embora epígonos, vão preenchendo a poesia dos dias com os versos com que alimentam a vida. Alguns destes poetas têm obra publicada em livro; outros nunca reuniram os seus escritos para publicação; outros ainda divulgam-se em sítios de poesia na internet. A exposição, cujo trabalho de recolha se deve sobretudo a Vanda Rocha, pode ser vista até 28 de Janeiro no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, onde convivem rimas de Alcindo Bastos, António Poeiras, Arronches Junqueiro, Carlos Alberto Ferreira Júnior, Francisco Teles, Joaquim Caineta, Joaquim Oliveira, José Gago, Manuel Frango de Sousa, Manuel Maria Eusébio (“Calafate” – cujo centenário de falecimento pa...

"Manhã no Sado", de Sebastião da Gama

Brancas, as velas eram sonhos que o rio sonhava alto. Meninas debruçadas em janelas, viam-se, à flor azul das águas, as gaivotas. E a Manhã quieta (sorrindo, linda, vinha vindo a Primavera…) punha os pés melindrosos entre as conchas. Derivavam jardins imponderáveis dos seus passos de ninfa e tremiam as conchas de súbitas carícias. Longe era tudo: o medo dos naufrágios, as angústias dos homens, o desgosto, os esgares das tragédias e comédias de cada um, os lutos, as derrotas. Longe a paz verdadeira das crianças e a teimosia heróica dos que esperam. Ali, à beira-rio, de olhos só para o rio, de ouvidos surdos ao que não é a música das águas, um sossego alegórico persiste. Nem o arfar das velas o perturba. Nem o rumor dos seios capitosos da Manhã, que nas águas desabrocham e flutuam, doentes de perfume. Nem a presença humana do Poeta - sombra que a pouco e pouco se ilumina e se dilui, anónima, na aragem… Sebastião da Gama (8 de Abril de 1948, poema dedicado ao amigo Alberto Fialho) in Camp...