Avançar para o conteúdo principal

"Diário" traduzido em Itália

Foi ontem que aconteceu a apresentação da edição italiana de excertos do Diário, de Sebastião da Gama, obra que passará a integrar o curriculum de estudo na Università degli Studi della Tuscia. A tradução, com anotações, deve-se a Maria Antonietta Rossi, que, há uns anos, apresentou para “tesi di Laurea in Lingua e Traduzione Portoghese”, na Facoltà di Lingue e Letterature Straniere Moderne daquela Universidade, o estudo Diário: un metodo didattico nel Portogallo della prima metà del Novecento, sobre a obra pedagógica de Sebastião da Gama, trabalho que foi orientado por Mariagrazia Russo, professora daquela Faculdade. A obra agora editada parte do estudo que Maria Antonietta Rossi apresentou como tese.
Recorde-se que Mariagrazia Russo, nossa associada e estudiosa da cultura portuguesa, foi também responsável pela edição do livro Não morri porque cantei (Mem Martins: Sebenta Editora, 2003), de Sebastião da Gama, que recolhe cerca de duas centenas de quadras, umas por ele publicadas na imprensa e outras inéditas até ao aparecimento desta edição. Além desta obra, Mariagrazia Russo é autora dos ensaios “Sebastião da Gama, il poeta di Arrábida: tre sonetti inediti” (in Satura, studi in onore di Franco Lanza. Viterbo: Sette Città, 2003, pp. 261-284) e “Sebastião da Gama e o seu interesse para a cultura italiana” (in Sebastião da Gama – O Poeta e o Professor – Estudos e Perspectivas. Azeitão: Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007, pp. 81-92).
A notícia sobre esta edição italiana, depois de ter sido divulgada neste blogue, foi dada pela agência LUSA (em 7 de Abril) e pelo jornal O Setubalense (em 9 de Abril). - JRR
Maria Antonietta Rossi e Mariagrazia Russo, na sessão de apresentação da obra

Comentários

  1. Olá a todos!

    Sou a Maria Antonietta Rossi, a autora da tradução do Diário de Sebastião da Gama. A apresentação correu muito bem e a sala estava cheia de pessoas!! Espero que com esta obra o nosso poeta possa ser conhecido ainda mais em Itália.

    Muito obrigada a todos pela atenção.

    Maria Antonietta Rossi

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

"Pequeno poema" ou uma evocação do nascimento

"Pequeno poema" ( Aqui e além . Dir: José Ribeiro dos Santos e Mário Neves. Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14) O dia do nascimento quis perpetuá-lo Sebastião da Gama num dos seus textos poéticos. E assim surgiu “Pequeno Poema”, escrito em 7 de Maio de 1945 e, em Dezembro desse ano, publicado no terceiro número da revista Aqui e além e no seu primeiro livro, Serra Mãe , cuja primeira edição data também desse Dezembro. De tal forma a sua mensagem é forte, seja pela imagem da mãe, seja pela alegria de viver, que este texto aparece não raro nas antologias poéticas, temáticas ou não, como se pode ilustrar através dos seguintes exemplos: Leituras II [Virgílio Couto (org.). Lisboa: Livraria Didáctica, 1948?, pg. 74 (com o título “Quando eu nasci”)], Ser Mãe [Paula Mateus (sel.). Pássaro de Fogo Editora, 2006, pg. 45], A mãe na poesia portuguesa [Albano Martins (sel.). Lisboa: Público, 2006, pg. 310]. (JRR)

Joana Luísa da Gama - Esta senhora faz hoje 87 anos

Em 28 de Fevereiro de 1923, nascia em Azeitão Joana Luísa, que viria a ser a amiga, a companheira e a mulher de Sebastião da Gama. Passam agora 87 anos de uma vida que, em parte, foi dedicada à obra do poeta, preservando-a e dando-a a conhecer, disponibilizando-a para estudo. Uma vida que tem passado também por gestos de voluntariado e por esse acto simpático que tem sido acompanhar aquilo que sobre o poeta vai sendo feito. Podemos evocar aqui dois momentos de simpatia e carinho que Sebastião da Gama teve com Joana Luísa em dias de seu aniversário. Um, em 1944, quando no 28 de Fevereiro desse ano lhe ofereceu um exemplar da antologia Poesias Selectas de Frei Agostinho da Cruz , organizada por Augusto Pires de Lima (Col. “Portugal”. Porto: Domingos Barreira Editor, 1941) e, no final, lhe grafou longa dedicatória em duas páginas: “… E por saber, Joana Luísa, que são flores da Arrábida os melhores parabéns que poderia dar-te, aqui te deixo este ramo delas, a perfumar-te o caminho; a mostr...

"Pelo sonho é que vamos", 60 anos depois - Exposição no Museu Sebastião da Gama

Em 1 de Setembro de 1951, Sebastião da Gama estava na Arrábida e, como muitas vezes acontecia, lia poemas – andava a ler Mistral, o poema Mereia , de Frédéric Mistral. Interrompe a leitura e escreve uma carta ao seu amigo Cristovam Pavia, filho do poeta Francisco Bugalho, em que classifica a escrita de Mistral como «coisa deliciosa». Depois, fala-lhe num dos motivos da carta: «Hoje, de repente, acabara de ler um poema, fecho o livro e saiu ‘O sonho’. Não me parece muito bom. Mas é talvez nele que está o título do 4º livro: Pelo sonho é que vamos. Que te parece?» Estava assim lançado o que seria o livro seguinte de Sebastião da Gama, obra que o autor já não chegou a ver, mas que Joana Luísa da Gama e um grupo de amigos prepararam para ser o primeiro volume da obra póstuma, logo surgido em 1953, no ano seguinte ao do falecimento de Sebastião da Gama. A partir daí, o verso “Pelo sonho é que vamos” entrou na ideia e na linguagem, assumiu-se como a metáfora da esperança, da cora...