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Dos associados (16) – Luís Amaro e António Osório e outras referências


A revista Ler, da Fundação Círculo de Leitores, atingiu o seu centésimo número, conseguido ao longo de um tempo de duas dúzias de anos. O número 100 de qualquer publicação é sempre motivo de efeméride, que, neste caso, só podia ser uma edição especial da revista, girando em torno desse número duplamente redondo, passando por recolhas como “100 capas”, “100 imagens de páginas”, “100 livros”, “100 figuras”, “100 ideias para o futuro” e “100 citações”, antologias a partir das colaborações e das entradas na revista ao longo da sua história.
Pelas “100 figuras” de portugueses passam dois dos nossos associados, que se juntaram à Associação quase no seu início. Refiro-me a Luís Amaro e a António Osório.
Quanto ao primeiro, Luís Amaro, consta na legenda da fotografia: “Sem ele, a literatura portuguesa do século XX teria muito menos recordações. Memória e arquivo de autores, de gerações e da Colóquio.” Afirmações justíssimas, porque merecidas e verdadeiras. Luís Amaro e Sebastião da Gama foram amigos e uma das recentes iniciativas que Luís Amaro levou a cabo foi a oferta ao Museu Sebastião da Gama dos livros autografados pelo poeta de Azeitão que tinha.
Quanto ao segundo, António Osório, são dele transcritos alguns versos que a revista publicou, bem como uma curta reflexão sobre as palavras na rubrica “100 citações” – “Mas eu entendo que as palavras precisam de ser limpas do sarro que as envolve. Do sarro, do lixo comum. E assim as palavras podem purificar-nos.” António Osório, que conheceu Sebastião da Gama, já em texto memorialístico deu conta deste seu relacionamento com o “poeta da Arrábida”.
Na rubrica das “100 figuras” passa ainda outro amigo de Sebastião da Gama, que o trouxe na memória até ao seu desaparecimento em 1996 – refiro David Mourão-Ferreira, amigo da Faculdade de Letras, companheiro de revistas, crítico dos seus livros. A legenda que acompanha a fotografia de Mourão-Ferrreira é um retrato certeiro: “O conhecimento da poesia, a poesia propriamente dita, uma delicadeza que nunca se perdeu numa vida inteiramente dedicada à literatura.”
Finalmente, uma outra referência que se cruza com Sebastião da Gama: Ruy Cinatti, cuja Obra Poética foi seleccionada para ser um dos “100 livros”. Em Maio de 1944, quando Sebastião da Gama ainda não tinha publicado nenhum dos seus livros, já Cinatti lhe anunciava o percurso na dedicatória que lhe pôs no livro Nós não somos deste mundo: “Ao jovem sucessor do Frei Agostinho Sebastião da Gama, afectuosamente, Ruy Cinatti”. Só um ano e meio volvido é que Sebastião da Gama publicou o seu primeiro livro, Serra Mãe, onde não faltam as referências à Arrábida nem os ecos de Frei Agostinho da Cruz! – JRR

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