Ao
reler o livro de memórias desta nonagenária velhinha – não apresento desculpas pela redundância pois que
a vibração é tanta que me sinto no dever de ir na crista da onda de um rebate
aflito de sinos dentro de mim! –, fico emudecido, embevecido pela e com a
ternura cristalina com que Joana Luísa da Gama constrói o seu livro, uma obra
bem organizada pela sequencia espácio-temporal dos relatos que a preenchem e
enriquecem e pela simplicidade da linguagem, uma terminologia directa,
escorreita, onde nunca faltam aqueles grandes assomos de feminil doçura ou de
ais magoados que se deixam transportar dentro de testemunhos autênticos todos feitos de estalidos
crepitantes, sendo eles as marcas de um olhar para trás, de má avença, uma
saudade que nada devolve mas que vincam bem um pairar de voo de saudades
irremediáveis e uma orfandade dolente que se nos transmite até ao rebentar da
emoção pela rotura das lágrimas…. Na
verdade, esta obra vem completar um poeta desaparecido há seis décadas, vem…
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