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Mensagens

Para a agenda: hoje, poesia de Sebastião da Gama e de Miguel de Castro

Hoje, pelas 21h00, no âmbito das celebrações em honra de Sebastião da Gama, o Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, vai ter poemas do seu patrono e de Miguel de Castro. Entre os dois poetas houve apreço mútuo e intensa amizade. Sebastião da Gama descobriu Miguel de Castro e abriu-lhe portas; Miguel de Castro nunca esqueceu essa oportunidade nem se descuidou nas qualidades que o mestre lhe apontara... Os poemas dos dois vão ser ditos por Carlos Rodrigues ("Manuel Bola"), com acompanhamento musical de Albano Almeida. Às 21h00, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão. Uma realização da Associação Cultural Sebastião da Gama, em parceria com o Museu Sebastião da Gama e com a Câmara Municipal de Setúbal. Serve de convite. Passe a palavra.

Para a agenda: António Manuel Couto Viana biografado por Ricardo Saavedra

António Manuel Couto Viana foi amigo de Sebastião da Gama, tendo ambos convivido no círculo de amizades de David Mourão-Ferreira e em torno da revista Távola Redonda. Foi nosso associado desde o início, tendo participado em várias sessões levadas a cabo pela Associação Cultural Sebastião da Gama. No final da vida, um amigo, Ricardo Saavedra, fez-lhe longa entrevista, em muitas horas e tardes de conversa, de que haveria de nascer um livro. Couto Viana disse-se para esse livro, mas não o chegou a ver. Essa extensa conversa-livro, produzido a quatro mãos, vai ser agora apresentada, sob o título António Manuel Couto Viana - Memorial do Coração (Quetzal Editores), enriquecendo o programa da edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa. Na contracapa da obra, pode ler-se:
«Este Memorial é um inusitado passeio pelos meandros culturais da segunda metade do século passado. Os protagonistas desdobraram o roteiro numa incontida conversa a quatro mãos, que começa ao lado do conjunto monumental da sa…

Sebastião da Gama: poemas para os amigos

Muitos dos poemas que Sebastião da Gama escreveu tiveram dedicatórias para amigos, sobretudo nos manuscritos – são cerca de quatro dezenas os poemas publicados nos três livros por si editados (Serra Mãe, 1945; Cabo da boa esperança, 1947; Campo aberto, 1951) que, não tendo dedicatória nos livros, foram dedicados em manuscrito. A prática era normal em Sebastião da Gama, que gostava de se apresentar como poeta: partilhar poemas com os amigos, não só a dádiva por ouvirem o texto acabado de surgir, mas também a entrega do documento escrito, de que o poeta fazia várias cópias para ofertar. Há, no entanto, cerca de trinta poemas que tiveram destinatário especificado, motivados que foram por essa prática do livro de curso a encerrar o tempo universitário de uma licenciatura. Sebastião da Gama escreveu para vários amigos e em várias dessas publicações. Cerca de três dezenas é o número de poemas nessas circunstâncias que conseguimos apurar até agora. Dessa produção quase não ficou registo e exi…

"...Poesia..." ou Sebastião da Gama vivo!

O ano que decorre é assinalado por dois acontecimentos que marcam a nossa memória colectiva — o dia em que morreu o poeta, já assinalado, e o dia em que o poeta deixou os braços do ventre materno para se espraiar nos parámos celestiais de uma outra existência que tudo, afinal, sobreleva, este 10 de Abril do parere para se descobrir, descobrir os outros e com eles ser uma interacção duradoura e humaníssima. Na verdade, em verdade e pela verdade incorrupta, Sebastião da Gama é um poeta de eleição, um pedagogo ímpar e um homem sensível que sobrepuja a dor, transcende a mágoa e tece girândolas de alegria à existência de estar vivo:                         “A parte que lhe coube por destino,                         tem de morrer deixando-a já cantada.                         Que faz que a não escutem nem lhe                                                            Acudam?                         É preciso é sentir que se está vivo.                         É preciso é que as asas que             …

Sebastião da Gama em Abril

Abril é tempo de Sebastião da Gama, que neste mês nasceu, em 1924, no dia 10. A mensagem do poeta que temos como patrono está eivada de um Abril refrescante e primaveril. Dizia, há poucos dias, Miguel Real que “cada vez é mais importante divulgar o ‘outro’ homem que foi S. da Gama, face às ruínas do homem actual”. E cabe-nos fazer essa (re)descoberta, apenas com o preconceito de que o mundo pode ser melhor. Se podemos festejar Sebastião da Gama quando quisermos através da leitura, este mês é diferente por toda essa simbologia em torno da data de nascimento. Por outro lado, é o Abril do ano em que passam 60 anos sobre o desaparecimento do homem, que o poeta ficou, como é o 61º Abril sem Sebastião da Gama, mas com a sua obra. Em Azeitão, a evocação deste Abril em torno do poeta vai ser assim:

Arrábida a património mundial - 4ª reunião da Comissão de Acompanhamento

O Setubalense: 04 Abril 2012

Arrábida a património mundial - 4ª reunião da Comissão de Acompanhamento

A Comissão de Acompanhamento da Candidatura da ARRÁBIDA a Património Mundial reuniu-se no auditório Charlot, em Setúbal, na tarde de segunda-feira, 2 de Abril. O encontro, com bastante assistência, teve como Ordem de Trabalhos: 1-Ponto da situação da candidatura; 2-Listagem de valores e área a candidatar; 3-Apresentação da estrutura do Plano de Gestão. A introdução aos trabalhos esteve a cargo da Secretária Geral da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) e o desenvolvimento dos mesmos coube aos técnicos da AMRS e dos respectivos municípios. Presentes estiveram também os presidentes das Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal. À assistência foi solicitada a sua colaboração no sentido do aperfeiçoamento do respectivo dossiê final a apresentar à UNESCO. A candidatura da Arrábida a património mundial foi assumida pela Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e com as Câmaras M…

Dos associados (25) – David Sequerra

É na tarde hoje, pelas 16h00, que, na sala Conde Ferreira, em Sesimbra, o nosso associado David Sequerra apresenta mais um livro das suas “estórias” vividas em África, intitulado Mukea. David Sequerra (n. 1933), homem de múltiplos afazeres, é conhecido pela sua ligação ao Comité Olímpico e pela sua dedicação ao mundo do desporto, tendo sido também director do jornal regional O Sesimbrense. É autor de dois livros de poesia – Clamores da alvorada (1951) e Intimidade (2001) e de dois livros de “estórias” que relatam muito do que tem sido a sua participação ao serviço do desporto – Dea – Dezoito estórias africanas (Lisboa: Multinova, 2002) e O milongo dos limões e outras estórias do olimpismo em África (Lisboa: Multinova, 2005). David Sequerra costuma ter encontro semanal com os leitores através das crónicas evocativas que tem publicado no semanário setubalense Sem Mais Jornal.

"Louvor da Poesia", no Dia Mundial da Poesia

Ao celebrar-se o dia Mundial da Poesia, que melhor forma para o assinalar do que relendo aquele que pode ser o “testamento poético” de Sebastião da Gama? O poema “Louvor da Poesia”, datado de 7 de Fevereiro de 1950 – exactamente dois anos antes da morte do poeta –, integrou a terceira obra de Sebastião da Gama, Campo aberto, publicado em 1951, e, em manuscrito, tem uma dedicatória para Vergílio Couto, que foi o professor metodólogo de Sebastião da Gama no estágio da Escola Veiga Beirão. No final de 1951, estava a ser preparado o nº 4 da revista Sísifo, dirigida a partir de Coimbra por Manuel Breda Simões, que traria esse poema de Sebastião da Gama e um outro, mais recente, “Anunciação”. A revista dava ainda conta das respostas do poeta azeitonense a um inquérito preparado para uma revista espanhola, cuja quarta pergunta era: “Que pensa da Poesia em geral e da sua própria Poesia?” A resposta de Sebastião da Gama era objectiva: “Minhas ideias acerca da poesia. Vide: Louvor da Poesia, in C…

Joana Luísa, 89 anos

O mês de Fevereiro de 1923 acabou numa quarta-feira, 28. Nesse dia, em Azeitão, nascia Joana Luísa Rodrigues. Passam hoje 89 anos. Uma relação de amizade converteu-se depois numa história de amor e, em Maio de 1951, Joana Luísa casava com Sebastião da Gama, no Convento da Arrábida. Era o início de uma etapa, curta etapa, que duraria nove meses, até à morte, em Fevereiro de 1952, de Sebastião da Gama. Poderia a obra do poeta azeitonense ficar-se por ali, reduzir-se aos três títulos que publicara e a mais uns quantos textos dispersos por jornais. Podia, de facto. Mas o destino encarregou-se de continuar a dar a conhecer a obra do poeta. O destino e Joana Luísa. Pois. Mantendo o círculo de amigos de Sebastião da Gama, Joana Luísa foi deixando que a obra do marido viesse a público, foi incentivando que a obra tivesse conhecimento alargado e que, postumamente, o nome de Sebastião da Gama alcançasse os contornos que hoje tem. Trabalho de Joana Luísa, com a concordância de Sérgio Gama, seu cunh…

Amália e a poesia

Dos 60 anos sobre a vida de Sebastião da Gama...

... também se escreveu em Chapéu e Bengala, Geopedrados, Baú da história, Memórias soltas de prof, Bibliozarco e Aspirina B, que se saiba. O trissemanário O Setubalense publicou o texto "Sebastião da Gama, 60 anos depois", na sua edição de hoje. Se souber de mais sítios que se tenham referido à efeméride, diga-nos, por favor.

Sebastião da Gama, 60 anos depois

Já lá vão 60 anos sobre o 7 de Fevereiro de 1952, data em que, logo pela manhãzinha, a vida abandonava Sebastião da Gama no Hospital de S. Luís, em Lisboa, depois de, na véspera, ter sido transportado desde o seu Estremozinho… A última palavra que terá dito, sabemo-lo pela Joana Luísa, mulher do poeta, foi “poesia”, conforme ainda recentemente recordou na reportagem publicada na revista do jornal Sol. E não deixa de ser curioso, no mínimo, que o percurso poético de Sebastião da Gama se tenha iniciado na infância, com uma quadra engendrada depois de uma visita à Arrábida, para reportar à família uma descoberta – “Fui passear / à serra da Arrábia / e encontrei / uma mulher grávia” –, e se tenha concluído com essa palavra que lhe foi mágica, a “poesia”, já pronunciada com a dificuldade de quem sentia que lhe fugia!... Sebastião da Gama foi poeta na vida e na escrita. Isto é: Sebastião da Gama foi, sobretudo, poeta e viveu poetando. Em 27 anos que peregrinou, escreveu, escreveu, escreveu. …

Lembrar Sebastião da Gama (quando passam 60 anos sobre a sua morte)

Teria 14 ou 15 anos quando li pela primeira vez Sebastião da Gama, por 1959. Encontrei-o casualmente na biblioteca de um tio professor. Li depois outros poetas, de que gostei muito, mas Sebastião ocupou sempre um lugar especial nas minhas preferências. O facto de me ter apercebido gradualmente do caso especial que é o seu, de um poeta que o era tanto no que escrevia como no que vivia, reforçou essa preferência. Quem sabe, essa aura especial talvez tenha prejudicado a sua reputação literária. Dá a impressão que alguns a aproveitam para tentar reduzir, sobretudo por omissão, o seu valor propriamente literário. Mas compensa-nos que muitos que não são literatos continuam a chegar à sua poesia através dessa aura, inclusive a de pedagogo (mais atual do que nunca), e encontram uma poesia das nossas maiores. Para quem vive uma época como a nossa de destruição e perturbação da natureza, e está consciente disso, Sebastião como poeta só pode ir em crescendo de importância. Como escreveu António Câ…

“…Poesia…” ou Sebastião da Gama vivo!

A revista "tabu", de 3 do mês que decorre, insere nas suas páginas um belo trabalho de Vladimiro Nunes sobre algumas confissões a que Joana da Gama não mandou fechar o gravador que as reproduz e, assim sendo, a companheira extremosa do poeta arrabidino vai, ao longo das linhas do jornalista do Sol, reinventando vivências idas que a viagem pelo deserto voraz da existência não apagou. Esta octogenária simpática continua a deslizar no comboio mágico da vida e de nada se arrepende pois que a sua experiência afectiva, que não posso nem devo caracterizar por razões de pundonor, lhe ensina e determina uma comunicação sincera para o público que, com carinho receptivo, a acolhe e estima. Verdadeiramente chega-se ao Sebastião Artur Cardoso da Gama, o “Bastião”, como com ternura e desvelo é chamado. Chegamos até ao poeta serrano, mais perto dele ficamos seguindo o trilho da oralidade de Joana até quase atingirmos essas duas íntimas humanidades que se não escondem e sentimos o poeta, ele …

"Os Duques de Quibir" cantam "Pequeno poema"

“Pequeno Poema” é um dos mais conhecidos textos de Sebastião da Gama, datado de 7 de Maio de 1945, incluído no seu primeiro livro, Serra Mãe (1945). Em vida do poeta, “Pequeno poema” teve mais duas publicações: na revista Aqui e Além (Lisboa: nº 3, Dezembro.1945, pg. 14) e no compêndio escolar organizado por Virgílio Couto para o ensino técnico Leituras II (Lisboa: Livraria Didáctica, 1949?, pg. 74). Virgílio Couto, à data professor metodólogo a orientar o estágio de Sebastião da Gama na Escola Veiga Beirão, deu uma prova de reconhecimento ao poeta publicando este seu poema num livro escolar. Este mesmo texto foi já objecto de outros tratamentos musicais. A versão que aqui se apresenta, recolhida no You Tube, foi inserida no álbum Momentos… do grupo "Os Duques de Quibir", de 1989, musicada por Quim Cruz e Vadinho.

Joana Luísa e as memórias de Sebastião da Gama

Na revista “Tabu”, na edição de hoje do semanário Sol, o jornalista Vladimiro Nunes assina uma reportagem, em seis páginas, feita com Joana Luísa da Gama sobre o poeta Sebastião da Gama. O trabalho, preparado há uns meses, deveria ter uma outra parte - uma visita aos sítios de Sebastião da Gama na Arrábida, na companhia de Joana Luísa, a mulher do poeta. No entanto, em resultado do estado de saúde de Joana Luísa da Gama, essa segunda parte já não pôde ser concretizada. Assim, para assinalar o 60º aniversário da morte de Sebastião da Gama, que passa no dia 7 de Fevereiro, o Sol resolveu publicar a reportagem onde se contam as vivências e as memórias de Joana Luísa sobre o poeta e sobre a divulgação da sua obra. É um momento importante para a divulgação do nosso patrono. E a reportagem está feita com alma, num retrato fiel. A não perder. - JRR

Arrábida, a serra de um Poeta

“Arrábida – Serra de um Poeta” é filme de cerca de dez minutos com que Miguel Brazuna se apresentou ao concurso “Arrábida – Curtas e Doc’s 2011”, promovido pela AMRS no âmbito da candidatura da Arrábida a Património Mundial. O filme, disponível no Youtube, percorre imagens da Arrábida numa ligação com a mensagem da poesia de Serra Mãe, o primeiro livro de Sebastião da Gama (Lisboa: Portugália Editora, 1945). Relativamente a uma nota que aparece no final do filme sobre a ligação do poeta à criação da Liga para a Protecção da Natureza, bastará precisar que a Liga foi criada em 1948, na sequência de uma carta que, no verão de 1947, Sebastião da Gama fez chegar a um professor do Instituto Superior de Agronomia clamando pela protecção da Mata do Solitário. Sebastião da Gama não foi membro fundador da LPN, mas a criação daquela que é a mais antiga organização não governamental em prol do ambiente surgiu após ter sido ouvida a voz do poeta. Reconheça-se que este filme está repleto de sensibilid…

Sebastião da Gama e a música (das palavras)

Na sua poesia, Sebastião da Gama foi sensível à música, aparecesse ela como “canto”, “hino”, “som” ou “música” mesmo. São vários os poemas que publicou em que a arte musical se manifesta – recorde-se, por ordem de publicação, um poema de cada um dos três livros que o poeta editou: “Vida” (“Hoje, cá dentro, houve festa... / E, se houve festa e veludos, / e música azul, e tudo / quanto digo, / foi somente porque a Graça / desceu hoje a visitar-me.”), em Serra Mãe (1945); “As Fontes” ("De todas as aldeias / vieram, cantando, as moças / encher as bilhas. // E eu fui também cantando ao som das águas… / Cantava as minhas mãos, cantava as fontes.”), em Cabo da boa esperança (1947); “Manhã no Sado” (“Ali, à beira-rio, / de olhos só para o rio, de ouvidos surdos / ao que não é a música das águas, / um sossego alegórico persiste.”), em Campo aberto (1951). No próprio Diário, ao refletir sobre a poesia e sobre a palavra, várias vezes o professor Sebastião da Gama se referiu à música. Vale a …

Sebastião da Gama entre os "Poetas (d)e Azeitão"

O título “Poetas (d)e Azeitão” diz tudo – a naturalidade ou a temática azeitonense presentes na poesia ao longo dos tempos. Simultaneamente, uma homenagem aos poetas locais, com particular incidência nos poetas populares. E o visitante passa assim por pouco mais de uma dúzia de nomes, em que coabitam alguns consagrados com outros que, embora epígonos, vão preenchendo a poesia dos dias com os versos com que alimentam a vida. Alguns destes poetas têm obra publicada em livro; outros nunca reuniram os seus escritos para publicação; outros ainda divulgam-se em sítios de poesia na internet. A exposição, cujo trabalho de recolha se deve sobretudo a Vanda Rocha, pode ser vista até 28 de Janeiro no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, onde convivem rimas de Alcindo Bastos, António Poeiras, Arronches Junqueiro, Carlos Alberto Ferreira Júnior, Francisco Teles, Joaquim Caineta, Joaquim Oliveira, José Gago, Manuel Frango de Sousa, Manuel Maria Eusébio (“Calafate” – cujo centenário de falecimento p…