sábado, 22 de outubro de 2011

Memória – Rui Serodio (1937-2011)

A notícia chegou brutal: morreu o Rui. Do lado de lá, o Jorge Calheiros falava emocionado. E foram uns segundos de silêncio a tentar aceitar o destino…
Há dois dias, enviei-lhe uma mensagem a saber da sua saúde e a dizer-lhe que tinha saudades de nos encontrarmos. Não respondeu. Como já não respondia a vários amigos há algum tempo. O estado de saúde não deixava…
Logo que o Jorge acabou de me dar a notícia, telefonei a outros amigos comuns. Espanto, desgosto, dor. Refugiei-me a ouvir, porque a tinha no carro, a música “Arrábida Minha”, que o Rui Serodio integrou no cd “The mystic of the piano”, homenagem que ele merece.
Tenho saudades do Rui. Muitas. Do seu humor fino. Do seu saber musical. Da sua vontade de animar projectos. Dos seus sonhos envolvidos em pautas e em sonoridades afáveis. Do seu estar. Do seu nunca saber dizer que não. Do seu olhar sobre a música – deixou registado no seu blogue: “Passei toda a minha vida integrado no mundo activo da música e estou intensamente ligado ao passado. A minha música pode parecer, muitas vezes, enigmática, mas é, frequentemente, o reflexo de duas formas de arte combinadas, a poesia e a pintura.”
Fico satisfeito porque tive a oportunidade de finalizar um projecto com ele – o do cd “Sebastião da Gama – Meu caminho é por mim fora”, cuja música é de sua autoria. Um dia, telefonou-me a dizer algo como: “Tenho arranjado música para muitos poetas e sinto-me mal por ainda não ter musicado Sebastião da Gama. Vamos fazer esse projecto?” Disse-lhe logo que sim e só depois fui ouvir os meus colegas da Associação Cultural Sebastião da Gama. Todos concordaram e o projecto começou a andar. E chegou a bom porto. A nossa satisfação foi grande. E a do Rui também, mesmo porque sentia que pagava um tributo ao poeta da Arrábida!
Tenho saudades do Rui, tenho. E vou continuar a ouvi-lo, porque ele merece. E a nossa amizade também. Fico contente por ter conhecido o Rui! - JRR

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Rogério Claro: livro e exposição na Biblioteca de Setúbal

Rogério Peres Claro foi colega de Sebastião da Gama e teve um percurso geográfico como professor semelhante ao do poeta azeitonense. No seu tempo de 90 anos, Peres Claro tem um contributo cívico e cultural inegável no plano da história local sadina - autor de uma colectânea de memórias históricas em vários volumes (Setúbal de há 100 anos) e de uma monografia sobre a Escola Secundária Sebastião da Gama (Um século de Ensino Técnico-Profissional em Setúbal), foi ainda divulgador cultural, tradutor, editor da obra do poeta Calafate (António Maria Eusébio), seu familiar, e das memórias paroquiais de Setúbal de 1758.
Este último título, editado no final da década de 1950, revela-se documento importante para o conhecimento das freguesias de Setúbal setecentistas e encontra-se esgotado desde há muito.
Pois Sábado, 22 de Outubro, a Biblioteca Municipal de Setúbal vai acolher uma exposição bibliográfica sobre Peres Claro, ao mesmo tempo que será apresentada ao público a nova edição das memórias paroquiais de 1758, iniciativas conjuntas do Centro de Estudos Bocageanos, da Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão e da Associação Cultural Sebastião da Gama e da própria Biblioteca Municipal sadina. O encontro será pelas 16h00, com entrada livre.

domingo, 16 de outubro de 2011

"Pelo sonho é que vamos", de Eduardo Carqueijeiro e Nuno David

"Pelo sonho é que vamos", de Eduardo Carqueijeiro e Nuno David
(obra pintada durante o concerto do grupo e-Vox na noite de ontem e oferecida pelos autores à Associação Cultural Sebastião da Gama)

Sebastião da Gama (en)cantado

A actuação do grupo e-Vox na noite de ontem, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, no programa de actividades do mês da música, interpretando poemas de Sebastião da Gama musicados por Salvador Peres (um dos elementos do grupo) provou bem que com a prata da casa se podem fazer belos espectáculos e que aquilo que é feito com gosto e dedicação atrai público. De facto, os sete poemas cantados, a que se somaram vários outros ditos por Elisabete Caramelo e por João Completo, entusiasmaram o público e confirmaram, para lá da dedicação de que já falei, estarmos perante um importante marco da cultura setubalense e portuguesa como é o "Poeta da Arrábida".
O concerto tomou o nome do título de um dos mais conhecidos poemas de Sebastião da Gama, “Pelo sonho é que vamos”, apresentando os textos “Quem me quiser amar”, “Nupcial”, “Rosas”, “Soneto do Tempo Perdido”, “Cantiga de Amor”, “Anunciação” e “O sonho”. Dizer que o público se deixou arrebatar é pouco – é que a sensibilidade posta na interpretação musical, a alegria transmitida pela voz de Diná Peres ou o adequado ritmo de leitura dos dois “diseurs” foram condimentos que conseguiram dar azo a que a mensagem do “Poeta da Arrábida” se tornasse presente e marcante.
Simultaneamente, funcionou um ateliê de pintura, em que intervieram dois conhecidos pintores setubalenses, Eduardo Carqueijeiro e Nuno David, que, durante o concerto, construíram uma obra de arte em torno do título “Pelo sonho é que vamos” à vista de toda a assistência, ali. As tonalidades, partindo do azul e do rosa, cativaram o espectador a itinerar no rumo do sonho, vórtice sobrevoante da Arrábida, com ponto de chegada indefinido, mas a fazer lembrar o coração da vida ou do mistério ou do sonho.
Foi difícil aos espectadores e ouvintes deixarem o espaço, foi difícil terminar. E, nesse fechar alongado, houve ainda a notícia divulgada: Eduardo Carqueijeiro, Nuno David e o grupo e-Vox decidiram oferecer a tela, de 1,33x2,05 m, à Associação Cultural Sebastião da Gama, gesto que, reconhecidamente, se agradece. - JRR
[Fotos: grupo e-Vox e os pintores Eduardo Carqueijeiro e Nuno David com a tela "Pelo sonhbo é que vamos"]

sábado, 15 de outubro de 2011

Dos associados (23) - Nicolau da Claudina

Nicolau da Claudina, nosso associado e director, foi aluno de Sebastião da Gama em Setúbal. Como o seu professor teria ficado contente se pudesse ler o que sobre Nicolau hoje escreve David Sequerra (também nosso associado) no Sem Mais Jornal (nº 685, pg. 13)! Aqui se reproduz a história!

"Pelo sonho é que vamos" na música

Integrado num mês de Outubro em torno da música em Setúbal, o programa "Pelo sonho é que vamos" animará a noite de hoje, a partir das 21h30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal. Transcreve-se a notícia a partir do Guia de Eventos (Setúbal: Câmara Municipal de Setúbal, nº 79, Outubro.2011):
"A poesia de Sebastião da Gama é a base da música dos e-Vox, com Salvador Peres, Alexandre Murtinheira, Diná Peres e Luís Alegria. Os poemas são recitados por Elisabete Caramelo e João Completo enquanto surgem imagens de telas de Eduardo Carqueijeiro e Nuno David."
A não perder.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ARRÁBIDA A PATRIMÓNIO MUNDIAL – REUNIÃO DO FÓRUM E DA COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO

A reunião realizou-se no dia 10 de Outubro de 2011, no Cine Teatro São João, em Palmela. Presentes, além dos técnicos responsáveis pelas diversas áreas, estava o Presidente de Conselho de Municípios e Presidentes das Câmaras de Palmela e Sesimbra e um vereador da Câmara de Setúbal.
Do programa podemos salientar as palavras de boas-vindas aos participantes
e a apresentação dos premiados, e respectiva entrega dos prémios, nos concursos “Arrábida Foto” e “Arrábida Curtas e Documentários”.
Seguiu-se a análise do Relatório de GÉRARD COLLIN, perito junto da UNESCO e da UICN, realizado de 7 a 11 de Março de 2011. Este Relatório foi entregue em 31 de Março p.p. Esta missão e este Relatório foi um importante elemento de apoio à candidatura, contribuindo para realizar um balanço do percurso realizado e, simultaneamente, permitindo uma projecção do trabalho a desenvolver sobre o BEM Arrábida.
A apresentação deste Relatório esteve a cargo da Dra. Cristina Coelho. Foram abordados os seguintes pontos do referido Relatório: Área a candidatar; Metodologia; Calendarização; Especialidades: Comissão Executiva; Comissão Técnica; Plano de Gestão e Divulgação.
E chegara o momento da apresentação do trabalho do Centro de Biologia Ambiental sobre a fauna e flora da Arrábida, a cargo da Professora Otília, da Universidade de Ciências de Lisboa. Falou das unidades de Paisagem; das plantas notáveis (72 espécies); dos carrascais e outros matos calcícolas; dos carvalhais; dos zimbrais (plantas raríssimas em Portugal, mas que têm uma grande população na Arrábida); das encostas e falésias (ex-libris da Arrábida); das plantas carnívoras (2 espécies) e das orquídeas da Arrábida com habitats bastante ricos (há 30 espécies).
Abordou ainda a fauna da Arrábida. Foram inventariados 199 vertebrados e 652 invertebrados. Seguem-se as aves de rapina, o falcão, o morcego e borboletas... A terminar, e para agrado de todos os presentes, finalizou a sua brilhante exposição recordando Sebastião da Gama e o seu poema «Serra-Mãe»: “O agoiro do bufo nos penhascos,...”
Sobre o ponto da siuação do processo de candidatura, foi dito que a formalização da entrega do dossiê está prevista para 2013. No debate, que antecedeu o encerramento dos trabalhos, houve algumas intervenções da parte de alguns dos partiipantes. A Associação Cultural Sebastião da Gama foi a primeira a intervir, através do representante e elemento da Direcção presente, que manifestou a sua
satisfação pela qualidade dos trabalhos apresentados e garantiu que a nossa Associação iria, dentro das suas possibilidades, dar continuidade à colaboração que vem dando a este projecto, na Área do BEM IMATERIAL, através da divulgação da obra de Sebastião da Gama, mormente na relacionada com a SERRA-MÃE.
Encerrou a sessão o Presidente do Conselho de Municípios, agradecendo a presença de todos
os participantes e solicitando a continuidade desta colaboração. - MHS
[Foto: composição da Mesa que presidiu aos trabalhos.]

sábado, 8 de outubro de 2011

Pároco assume máxima de Sebastião da Gama

Luís Pedro foi nomeado pároco de Santa Catarina, em Peniche. Na cerimónia religiosa que assinalou a tomada de posse, o aforismo de Sebastião da Gama “Tens muito que fazer? Não, tenho muito que amar!” serviu de mote ao presbítero, que assim pretendeu traçar um compromisso de dádiva à comunidade. A notícia é do Jornal das Caldas e pode ser lida aqui.
O excerto seleccionado pelo novo pároco de Santa Catarina integra o registo do Diário de 23 de Março de 1949, que se transcreve:

«— Tens muito que fazer?
— Não. Tenho muito que amar.
(Não entendo ser professor de outra maneira. E não me venham dizer que isto assim cansa e mata; morrer-se, sempre se morre: e à minha maneira tem-se a consolação de não ser em vão que se morre de cansado.)»

Oficina de Escrita Criativa - é já em 29 de Outubro!


Seja bem vindo à Oficina de Escrita Criativa!
O grupo “terracorpo” vai promover, ao longo deste ano lectivo, uma Oficina de Escrita Criativa, iniciativa a que a Associação Cultural Sebastião da Gama se juntou.
Começa já em 29 de Outubro e, ao longo do ano lectivo, pode ser frequentado 33 vezes, número mágico de recorrências e de tentativas…
Para mais informações, venha até aqui.
Depois… seja bem vindo, claro!

domingo, 2 de outubro de 2011

No Parque dos Poetas, com Sebastião da Gama

No passado Domingo, passei pelo Parque dos Poetas, em Oeiras. Já conhecia, mas não havia prestado a devida atenção aos poetas que são ali homenageados. O parque é atravessado pela Alameda dos Poetas, com espaços (chamadas “ilhas”) reservados aos nossos poetas. Nesta primeira fase, estão ali expostas 20 esculturas de poetas do Séc. XX: Teixeira de Pascoaes, Florbela Espanca, José Gomes Ferreira, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Alexandre O`Neill, Camilo Pessanha, José Régio, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Carlos Oliveira, Manuel Alegre, David Mourão Ferreira, António Gedeão, Ruy Belo e António Ramos Rosa.
A Câmara Municipal de Oeiras, ao que se sabe, consultou 4 Organismos competentes na matéria para fazer a selecção dos poetas a integrarem esta 1ª fase. A escolha é, para mim, quase consensual. Embora reconhecendo que nunca é fácil uma escolha desta natureza, tenho muita pena que o poeta Sebastião da Gama não faça parte desta galeria.
Ao que li, o projecto inicial do Parque dos Poetas foi de David Mourão-Ferreira, o qual, tenho a certeza, ficaria muito satisfeito se tivesse agora, perto de si, o seu grande amigo Sebastião da Gama. É pena. David Mourão-Ferreira iria ler, muitas vezes, estou certo, o que escreveu a propósito dos passeios que ambos davam pela Arrábida: «…ora aguardando-nos, à chegada da trôpega camioneta que nos tinha levado até Vila Nogueira de Azeitão, para logo a seguir nos arrastar a pé, serra acima, serra abaixo, por veredas de que só ele detinha o segredo, a fim de melhor nos fazer ver ou rever todos os recantos, todos os encantos da sua Arrábida».
É pena. Faz falta lá uma estátua do poeta da Arrábida. Está lá uma referência ao Sebastião da Gama, um poema seu inscrito no chão. Mas não é a mesma coisa…
Joaquim Boavida
(recebido via email em 28 de Setembro

Dos associados (22) - Nuno Gama

A nova colecção Primavera/Verão 2012, a apresentar na Moda Lisboa, a 9 deste mês, é pretexto para que o Diário de Notícias de hoje, na sua página de economia, traga pequena reportagem sobre Nuno Gama, o estilista azeitonense, familiar de Sebastião da Gama e nosso associado, assinada por Catarina Vasques Rito.
Além de contar o seu trajecto e a sua ligação profissional ao Porto, Nuno Gama fala sobre a razão de os seus produtos serem todos confeccionados em Portugal – “Somos portugueses e devemos ter orgulho em sê- -lo. Uma maneira óbvia de ajudarmos a nossa economia é consumindo produtos nacionais. Claro que gosto de marcas e produtos estrangeiros, mas promovo sem esforço o consumo do made in portugal." Este princípio está, de resto, patente na sua linha, conforme repara a autora da peça – «O prazer que tem em ser português pode ver-se no facto de frequentemente usar nas suas colecções imagens bem tradicionais - o galo de Barcelos, o pastel de nata ou o lenço de Viana. "A razão é muito simples: procuro descobrir, renovar e se possível desmistificar a nossa cultura. Acho importante dar a conhecer as nossas tradições, artesanato e mostrar a nossa cultura de uma outra forma, mais divertida", diz Nuno Gama.»
O texto publicado no DN pode ser lido na íntegra aqui, de onde também foi retirada a foto. - JRR